25/05/2024

Como Surgem As Nossas Crenças


Imagine se você pudesse reiniciar tudo de um jeito bem melhor?
reprogramação de crenças

Como Eliminar Crenças Limitantes e Ter Uma Mente Forte e Motivada

Enquanto evoluindo, nós vivemos aprendizados que, com sorte, nos ensinam a ter uma mente forte. Mas podemos nunca obter aquelas ensinando como eliminar crenças limitantes para a nossa superação.

Desde quando nascemos, vivenciamos experiências que influenciam negativa e positivamente nossas vidas. E nem sempre a maneira que interpretamos esses adventos corresponde à realidade.

Pois o mundo dos sentimentos e pensamentos pode ser um grande laboratório da vida, e nele existem muitas experimentações que podem ora autossabotar ou motivar nossos próximos passos.

Você compreende o que são crenças limitantes?

Nossas crenças constroem a pessoa que nos tornamos, pois elas incluem nossos medos, ambições e pensamentos também.

É pelas nossas percepções que uma crença é moldada, e ela também define como nos comportaremos diante do mundo. Sobretudo no mundo da nossa mente, aquele capaz de realizar desejos.

E nesse artigo, vamos explicar melhor como isso tudo funciona por dentro da mente. Como identificar crenças limitantes e eliminar elas, fazendo se manifestar uma atitude pessoal mais forte e motivadora.

O Que São Crenças Limitantes?

homem com crenças limitantes aprisionado em jarra

As crenças limitantes significam pensamentos superestimados que limitam as ações pessoais. São prejudiciais quando generalizações exageradas e interferem em nosso julgamento e comportamento.

Assim, o pensamento limitado é compreendido como uma realidade, transformando os erros tão comuns às pessoas em uma norma para a mente, que as enxerga conclusivas.

Dessa forma, as crenças funcionam como bloqueios que impossibilitam alternativas de solução para certas situações, que passam também a serem elas próprias as limitadoras do homem.

Para a psicologia, a crença limitante significa ainda um conceito falso que uma pessoa adquire como resultado de uma conclusão incorreta sobre algo da vida.

A partir dessas crenças, sempre que se pense quebrar determinada barreira, o inconsciente corresponde com a sensação de medo do fracasso ou outra sensação limitadora que impeça qualquer tentativa.

Esses bloqueios gerados por crenças estão presentes em vários aspectos da vida e foram programados, podendo autossabotar um individuo e levá-lo a ter falta de confiança em si mesmo.

Eles também são os responsáveis por inibir o crescimento pessoal, profissional, amoroso, familiar ou acadêmico. E são potenciais causas de depressão, ansiedade e baixa autoestima para muitas pessoas.

Descubra também → Por Que Sentimos Medo? A Psicologia Do Medo

Como Surgem As Nossas Crenças

reprogramação de crenças

Nos primeiros anos de vida, já começamos a “desenhar” quem seremos no futuro. O fazemos obtendo referências negativas e positivas dos aprendizados, ora ensinados ou vivenciados.

Esse processo nunca termina, e nele acumulamos crenças e valores pessoais que constroem nossa persona. Ela determinará a visão que teremos de nós próprios e também nosso conceito sobre a realidade.

Nossas habilidades de metacognição constroem nossa identidade, que surge tardia, por volta dos 7 anos de idade. Ela é geralmente regulada por professores, pais e pelo meio social que vivemos.

Segundo o psicólogo alemão Emanuel Weinert:

“As metacognições podem ser consideradas cognições de segunda ordem de pensamentos sobre pensamentos, conhecimentos sobre conhecimentos e reflexões sobre ações.”

Esses efeitos de construção da personalidade também surge pela comunicação interpessoal. Significando a efetividade da comunicação com pessoas que também dividirão suas crenças e valores conosco.

Portanto, as crenças limitantes e crenças fortalecedoras surgem dos resultados de processos naturais da mente ao aprender. E podemos as adotar sozinhos ou com a colaboração de outras pessoas.

As Crenças Também Agem Ocultas Na Mente

Caso tivéssemos apenas os pensamentos lógicos, faríamos sempre escolhas racionais. Assim aprenderíamos como ter a mente forte e viveríamos sempre com crenças positivas, mas não funciona assim.

Parte das experiências que recebemos é filtrada pela nossa mente consciente. E certamente é o que você está fazendo agora nessa leitura.

Ela recebe sinais que acionam o córtex pré-frontal aonde fica a região do circuito dorsolateral. É essa região do cérebro a responsável pelo foco intencional, monitoramento, entre outros processos cognitivos.

Entre as tarefas conscientes, estão nossas funções executivas que julgam, racionalizam e toma decisões. Porém, outras informações passam ocultas através da mente inconsciente.

subconsciente humano não racionaliza da mesma forma que faz nosso consciente. Ele simplesmente considera verdadeiro e sem qualquer senso crítico toda a informação provida a ele.

Acontece muitas vezes quando certos pensamentos recebem influências emocionais ou a ênfase de outras pessoas.

“Quando disserem a você enfaticamente que comer manga com leite é letal, passará a adotar tal crença. Mas claro, somente caso sua mente racional ignore a informação lógica sobre o assunto.”

Portanto, a nossa inteligência emocional também tem papel em nossas experiências de aprendizado. E aprender como se livrar de crenças limitantes passa por esse processo também.

Como costumeiramente nós atribuímos conceitos às pessoas e todas as coisas, uma percepção deformada pode influenciar nosso julgamento.

Por isso é sempre por efeitos de análise pessoal que surgem crenças metacognitivas. Mas não se engane, pois pela mesma lógica é que crenças fortalecedoras podem ser construídas também.

Ambas são o resultado de conceitos positivos ou negativos que escrevemos em nosso “mapa de referências pessoais” sobre a vida, sempre utilizando nossa mente lógica e emocional.

A Sociedade é A Maior Criadora de Nossas Crenças

Uma pessoa que não segue padrões de beleza comuns da sociedade pode pensar que nunca será atraente para alguém. Mesmo havendo milhões de pessoas procurando alguém exatamente como ela.

Ou seja, normas de conduta social afirmam valores sociais e claro, constroem crenças também.

Um dos ambientes sociais onde mais se exercitam crenças é dentro de uma igreja.

Certamente só podemos concordar que elas se baseiam em intenções positivas, mas seus efeitos independem de intenções quando desencadeadas na mente de algumas pessoas.

Vejamos os conceitos de “pecado” e “redenção” por exemplo.

Ambos são utilizados na maioria das religiões, e seu efeito psicológico comportamental se traduz na conhecida politica do temor em troca do amor.

como tirar pensamentos ruins do subconsciente

Uma forma de impedir alguma ação prejudicial através do medo de suas consequências, e ao mesmo tempo, após gerar a crença de culpa, torna-se garantia de afago contra a consequência temida.

Quando determinado modelo de crença é utilizado sobre as relações sexuais, por exemplo, pode funcionar pela vida inteira.

O ato sexual é considerado apenas uma provação de amor ou realização em boa parte dos casais, mas pode ser entendido também como uma violação espiritual.

É comum muitas religiões verem pessoas que praticam o sexo por prazer como impuras. E consumar tal ato é um pecado dependendo da crença adotada.

Existem inúmeras crenças que podem tornar o sexo algo bom ou ruim em contrapartida. Todos são muito particulares e se distinguem de indivíduo para individuo em sua criação.

Em todo o caso, uma pessoa pode ser mais inclinada a um pensamento do que outro. Esse efeito é construído em nosso sistema de crenças e determina nosso modo de agir.

Esses modelos de crenças são formados, sobretudo, pelas informações fornecidas pela família, sociedade, religião, politica e outros atributos culturais de um povo.

Como Funciona O Nosso Sistema de Crenças

homem diante de fechaduras e oportunidades de crenças

Através do sistema de crenças, a mente adota posturas positivas ou negativas. Elas são programadas para serem disparadas diante de eventos futuros em escolhas relacionadas ao objeto da crença.

Geralmente o sistema de crenças funciona como um gatilho que desencadeia outras sensações e pensamentos, apenas para validarem a crença originária.

Por exemplo, caso alguém adote a crença de ser péssimo motorista, possivelmente terá o mindset fixo de alguém com medo de bater o carro, de acidentar alguém na rua ou ser multado na melhor das hipóteses.

Segundo a explicação da psicóloga Kelliny Dório:

“Acontece um evento em nossa vida. Esse evento gera determinado pensamento. Dependendo do que pensei sobre tal evento, vou ter um determinado sentimento. E aí, o que eu pensei, unido ao sentimento, vão determinar o meu comportamento e sintomas que apresentarei ao longo da minha vida”

Quem convive com pessoas negativas certamente percebe a forte influência das crenças limitantes. Pessoas assim geralmente tem baixa resiliência ao fazer as coisas e pouca força de vontade para começar a fazê-las.

“Crenças limitantes degeneram os acontecimentos antes deles ocorrerem. Impedem as pessoas de viverem experiências que podem construir crenças e valores pessoais mais promissores para a vida.”

O sistema de crenças é uma força invisível por detrás da maioria dos comportamentos de sucesso ou fracasso das pessoas. Ele determina muitas ações como:

  • O estilo de comunicação utilizado com as pessoas.
  • A forma de reagir diante de adventos da vida.
  • Os efeitos das decisões que são tomadas.
  • Os hábitos e também condutas pessoais.

Nosso sistema de crenças é baseado em nosso mapa pessoal de referências sobre o que aprendemos durante a vida. E aprender como ter uma mente forte e superar limitações também acontece através do mesmo processo.

Exemplos De Crenças Limitantes

Um exemplo de crença limitante popular que pode ser considerada autossabotadora está na frase:

“Sem trabalho duro, não se consegue enriquecer.”

Caso uma pessoa interprete ao pé da letra esse significado e adote a crença, ela estará condenada ao trabalho duro como forma de enriquecimento.

Mas mesmo todos sabendo ser irreal, a crença é repetida até tornar-se real para alguém com sua mente lógica distraída. Ou então para a pessoa sem referências muito claras sobre o valor e riqueza.

O sistema de crenças sobre a riqueza que está incutido nessa frase estaria ligado a quantidade de trabalho, dureza, suor ou força.

Elas são generalizações utilizadas como figuras de linguagem, mas que na verdade trazem apenas o cansaço e não a riqueza como resultado real da sua causa e efeito.

Percebe como um simples modo de dizer as coisas pode trazer em seu pacote algumas crenças limitantes como significado?

Vejamos essa lista de crenças limitantes mais comuns entre as pessoas que servem como exemplos:

  • Eu sou muito velho(ou novo) para realizar meu sonho.
  • Sou muito alto, baixo, gordo ou magro para atrair alguém.
  • Não sou popular nem inteligente o suficiente.
  • Outra pessoa está no meu caminho.
  • Não posso começar, ainda não estou preparado.
  • Pessoas ricas ganham as melhores oportunidades.
  • Dinheiro é a raiz de todo o mal.
  • Não tenho tempo suficiente.
  • Aproximar-se dos outros só traz dor.
  • Não mereço nada além do que já tenho.
  • Tenho muito azar na vida.
  • Ser honesto e franco traz rejeição

Os pensamentos sob efeito do foco correto podem realmente tornar a mente forte e motivada, mas dependendo do foco, podem se tornar pensamentos sabotadores de muitas sonhos comuns a todos nós.

Infelizmente eles podem viver com a gente uma vida inteira.

Os Bloqueios Pessoais Criados Pelas Crenças

Algumas vezes, livrar-se de bloqueios e aprender como eliminar crenças limitantes é tão simples quanto modificar a narrativa que fazemos sobre nossa vida.

O psiquiatra e professor da Harvard Medical School, John Sharp, disse em sua palestra no TEDx.

“É a história que você tem contado a si mesmo sobre quem você é e como tudo sempre acontece.”

E existem três casos limitantes que mais influenciam os seres humanos:

  • Desamor: como o nome sugere, faz com que a pessoa não se sinta amada. Ela sempre pensa que ninguém gosta dela e que é preterida por outra pessoa.
  • Desvalor: é quando não se acredita em seu potencial, se achando incapaz de executar quaisquer tarefas.
  • Desamparo: esse bloqueio faz com que a pessoa não consiga resolver nada sozinha. Ela sente que precisa de alguém para solucionar os problemas que aparecem em sua vida, criando uma dependência emocional contínua e problemática.
elefante preso com barbante em galho preso ao chão

Pense agora nesse exemplo prático:

Caso durante a infância os pais repitam ao seu filho que ele não conseguirá realizar algo por ser fraco, é possível que ela sofra o processo de construção da crença limitante diante aquela situação.

Na maioria dos casos, a melhor linguística para utilizar com crianças pode estar na palavra “ainda” no argumento. Dizer que ela ainda não tem a força ou conhecimento necessários para fazer tal tarefa.

Esse tipo de correção influencia como ter uma mente forte para a criança, uma vez que ela continuará convivendo com a crença de que poderá realizar tal tarefa, hoje ainda não, mas sim futuramente.

Do contrário, existe a probabilidade da criança se autossabotar sem conhecer seu potencial verdadeiro, até mesmo antes de fazer qualquer tentativa.

Algo perigoso para alguém com a personalidade ainda mal formada e seu sistema de crenças ainda sendo construído.

Os Efeitos das Crenças Em Uma Mente Forte

Evitar se deparar com experiências ruins e passar por situações limitantes é impossível, assim como deixar de adotar novas crenças diante delas.

As crenças limitantes e crenças fortalecedoras são adquiridas e destruídas por toda a vida. É esse processo de adquirir novos conceitos e conhecimentos a que chamamos de aprendizado.

Mas através desse processo, é possível aprendermos como ter uma mente forte e mais preparada para certos adventos, como eliminar crenças limitantes e construir outras crenças de valor no seu lugar.

Claro, não existem garantias que elas servirão para todas as ocasiões, mas fortalecer a mentalidade com a autoconfiança ou a autoestima elevada, já são o princípio de qualquer superação.

Como já foi dito, é preciso certa inteligência emocional para manter a mente forte e motivada. E alguns exemplos de crenças fortalecedoras podem lhe dar um horizonte mais claro sobre seus efeitos na mente.

Leia também → Como Ter Autoconfiança – Destruindo Mentalmente A Falta de Confiança

Exemplos de Crenças Fortalecedoras

Existem inúmeros exemplos de crenças fortalecedoras disseminadas em nossa sociedade também. E muitas se tornaram notórias por pessoas de sucesso.

Muitos desses casos se traduzem na seguinte frase:

“O resultado de uma ação sob a forte influência de uma crença limitante é um comportamento extremamente limitado!”

Quando novo, Arnold Schwarzenegger era muito magro e sonhava em ter músculos. Mas sua situação era limitada, pois era tão fraco que seu corpo inteiro doía pelo menor esforço feito nos exercícios.

A crença de que puxar peso não era para ele também pesava, então Arnold condicionou sua mente para destruir essa crença contrária, e após isso, tornou-se campeão mundial de fisiculturismo e disse:

“A dor me faz crescer. Crescer é o que eu quero. Logo, para mim, dor é prazer. Assim, quando estou experimentando a dor, estou no paraíso.”

Como dito antes, apenas a mudança da retórica que você utiliza ao comunicar sua mente pode ser fortalecedora ou destruidora de crenças.

E aparentemente existe um padrão que se repete pelas histórias de sucesso.

Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica incandescente, é outro bom exemplo de quem fez uso favorável de uma crença.

Ele disse a seguinte frase:

“Eu não falhei. Apenas descobri 10 mil maneiras que não dão certo”.

Consegue perceber o padrão de pensamento de uma pessoa com mente forte e de sucesso?

O empresário norte-americano construiu um sistema de crenças para que não desistisse do seu sonho e buscasse uma maneira de realizá-lo.

O modelo de crenças do Thomas Edison foi o otimismo incondicional.

Ele enxergou uma verdadeira evolução a partir de suas falhas e não uma falha que o impedia de evoluir na sua criação.

Como Eliminar as Crenças Limitantes?

como eliminar crenças limitantes

As crenças limitantes podem ser eliminadas com outras crenças que as sobreponham. São as crenças fortalecedoras ou qualquer mudança de padrão positivo no seu sistema de crenças.

É como vencer o medo gerando coragem por exemplo. Nesse caso, a ação contrastante é a solução imediata do que se deseja eliminar.

Antes de qualquer iniciativa, é preciso compreender o comportamento que se quer evitar e identificar crenças limitantes funcionando como gatilho para tal comportamento.

Existem diversos métodos que ajudam a identificá-los: investigando e conversando com amigos, parentes ou ainda com profissionais da psicologia que desvendem a visão externa analisada sobre você.

Após descobrir como identificar crenças limitantes, um exercício para ressignificar as crenças pela PNL pode ser bem prático e trazer efeitos positivos rapidamente nos bastidores da mente.

Entenda como tudo pode ser muito simples assistindo o vídeo a seguir:

A PNL é uma tecnologia de desenvolvimento pessoal utilizada como ferramenta de autocontrole para muitas pessoas.

Como ela tem suas raízes na hipnose, pode também utilizar suas técnicas, o que possibilita que ela seja executada por qualquer pessoa após um simples relaxamento.

Por ser um método famoso e prático, vamos utilizar ela como exercício para ensinar como eliminar crenças limitantes.

Entenda esse exemplo e saiba que você tem liberdade sobre sua mente. Então o adapte para aquilo que deseja reformar em seu sistema de crenças.

Leia também → Quais Os Benefícios da PNL – A Tecnologia Para Desenvolver O Sucesso

Identificando As Crenças Limitantes

ancora prendendo um balão de voar

Nesse momento, é preciso estar aberto a explorar memórias que foram resultados de uma experiência limitada.

Numa reflexão, o mais provável você se deparar com inúmeros pensamentos limitantes e comportamentos negativos em torno da crença.

Todas precisam ser expostas para que a limitação seja melhor compreendida.

A melhor forma como identificar crenças limitantes é anotar num papel a seguinte estrutura em 3 passos:

  • Passo 1

Pense em algum problema que está te incomodando e o explique utilizando “porque”.

Por exemplo:

“Estou sozinho(a) porque ninguém me ama”.

Esta pequena palavra é importantíssima para identifique a crença limitante. Um pequeno exercício de análise pessoal consegue lhe levar longe e com profundidade suficiente nisso.

Em toda frase, depois do “porque” há um motivo. É ele que você quer trabalhar a seguir.

  • Passo 2

Agora, questione-se com outro “por que” para isso acontecer com você. Utilizando o resultado do questionamento anterior.

O ideal é repetir este processo até não haver mais respostas para as perguntas.

Geralmente você identifica sozinho(a) e pode sentir naturalmente a resposta mais coerente entre as examinadas no exercício.

Faça tudo livre de julgamentos críticos e expondo seus medos, vergonhas ou frustrações. É preciso se conhecer e se liberar para surgirem todos os significados que acompanharem sua crença.

  • Passo 3

Com uma lista de motivos, agora é preciso analisar todos eles.

Identificar quais deles são apenas afirmações verdadeiras:

“Não consigo comprar um carro porque não tenho dinheiro”

E quais são crenças realmente limitantes:

“não sou promovido porque não sou inteligente”

É necessário realizar esse exercício com calma, estar com a cabeça livre de tarefas, e claro, ser objetivo em sua investigação.

Ao final, você realiza essa autoanálise buscando como identificar crenças limitantes sem ser guiado por um profissional. Mas em contrapartida, é necessário coerência e sua entrega pessoal.

Identificando Significados Nas Crenças

como reprogramar as crenças pessoais

Depois de separar o problema, é mais fácil acabar com a crença limitante. Para isso, comece a avaliar as ocasiões e consequências que essa crença trouxe para a sua vida.

Busque lembrar de oportunidades que você deixou escapar graças ao pensamento limitante e como se comportou diante delas.

Pode parecer provocador fazer isso, mas é a forma que sentimentos no inconsciente surgem para reprogramar a mente e ressignificar a crença limitante de forma correta.

Então análise as cenas da sua memória que identificam e confirmam sua análise anterior. Isso torna mais notória a sua crença, assim como o problema que está enfrentando ficar mais específica ainda.

Anote esses eventos em um papel também, eles serão o roteiro que guiará você a como mudar crenças limitantes a seguir.

Quando possível, recorde-se das sensações obtidas no momento de agir de forma limitada.

Essas informações são os significados para o inconsciente e acusarão o efeito oposto que você deverá utilizar para quebrar a crença limitante.

Não esqueça de tomar nota das sensações para cada ocasião retirada da sua memória sobre os comportamentos limitados.

Ao obter essas informações, será possível influenciar e tornar a mente forte e motivada diante dessa condição limitadora que identificou em toda a sua análise pessoal.

Após isso, você vai se projetar ao seu imaginário, recriar aquelas mesmas ações que eram limitadas pela sua crença, mas com pensamentos totalmente novos.

Essa é uma ótima maneira de começar a enfraquecer as crenças limitante e deformando elas em seu mapa de referências pessoais.

Através de um exercício é possível simular sensações de esperança, coragem e força de vontade por exemplo. É a experiência que você deverá criar para si através da sua própria imaginação a seguir.

Ressignificando as Crenças Limitantes

como superar crenças limitantes

Faça um breve exercício de relaxamento e sente-se um pouco para exercitar sua mente agora.

Simule mentalmente você agindo da forma que gostaria de ter agido e com a sensação que contrapõe aquela que foi desencadeada em todos os episódios analisados por você.

Busque criar a sua versão desejável ao realizar todas as ações que outrora foram limitadas, mas dessa vez, as faça na imaginação com completo êxito e excelência.

Substitua uma sensação limitada por outra nova, assim como uma reação negativa por outra de valor oposto e que termina por solucionar seu problema alvo de limitação.

Todas aquelas que foram levantadas por sua análise anterior devem ser refeitas.

amaxofobia, ou medo de dirigir, é um caso muito comum de crença limitante para as pessoas. É ela que utilizaremos em um exemplo bem específico a seguir, mas pode ser adaptado para qualquer que seja a sua necessidade ou ocasião.

Exemplo De Exercício Para Crença Limitante

Suponha que você tenha a crença limitante de ser péssimo(a) motorista e tem medo de subir a serra dirigindo, pois tem a sensação que seu veículo vai descer de ré e bater nos carros atrás.

Então tranquilize a mente e faça uma tela mental criativa se entregando ao momento.

Projete-se em seu carro, com todos os detalhes, sensação de força e motivação sob controle do veículo.

Muitas vezes as crenças limitantes bloqueiam até mesmo essa criatividade, mas você pode a vencer facilmente com pouco esforço.

Talvez demore um minuto para você simular as sensações internas necessárias para enfrentá-la. Mas busque tornar sensações vivas na mente e controle suas ações, isso é imprescindível.

Com a imaginação, você deve criar um roteiro novo para situações de limitação vividas no passado. Então utilize essa solução da amaxofobia como inspiração para seu quadro mental criativo.

Imagine-se subindo a serra com seu carro, ele é forte e firme. Você está ouvindo músicas que lhe motivam, curtindo a vista e simulando outras sensações de segurança e tranquilidade dentro de você.

Imagine sentidos do tato ao tocar o volante, audição ao ouvir o vento correr e uma sensação fisiológica diferente, como sentir-se arrepiado(a) por exemplo.

Quando sensações surgirem no exercício, é o momento de usar mais da sua inteligência emocional para estabelecer novas referências sobre subir a serra.

Uma ótima forma para fazer isso é criando frases de indução que contrapõem sua crença negativa, como por exemplo:

“Adoro subir a serra com meu carro, a vista é tão agradável. Adoro sentir a potência do meu carro me levando para o alto, isso me faz sentir muito bem.”

A motivação e confiança para voltar a subir a serra de carro aparecem naturalmente cedo ou tarde após ressignificar crenças utilizando esse modelo do exemplo.

O Fim das Crenças Limitantes

mudando o modelo de crenças

Todas os episódios, informações e sentimentos que você anotou na sua análise pessoal servem como exercícios para você lidar com a sua crença limitante, seja ela qual for.

Caso seja uma crença simples, ela pode ter fim imediatamente no primeiro exercício, mas é importante notar que existem significados enraizados na mente e podem exigir um pouco mais da sua dedicação.

Em todo o caso, é preferível exercitar bem sua mente solucionando todas as situações da sua autoanalise dentro desse quadro mental.

Esse processo é muito poderoso quando praticado com emoções próximas do real.

Uma crença pode ser substituída por outra, e acontece dentro do processo criativo juntando suas emoções, que como já explicado aqui, também são consideradas experiências vividas para o nosso subconsciente.

Caso você tenha lido o artigo com calma, deve ter percebido porque essa técnica incrível da PNL funciona tão bem.

Não se canse dela, faça aos poucos até mesmo como fossem breves pensamentos do dia. Não precisa fazer todos os exercícios de uma vez, mas faça constantemente e utilize ele contra todas as suas limitações.

Conclusão

Dentro de poucos dias tudo estará diferente, principalmente quando os pensamentos positivo sobre aquele desafio começarem a surgir.

Aos poucos, algumas atitudes são percebidas, dia após dia. Alguma vontade de realizar aquela ação, antes limitada, pode começar a aparecer também.

Isso sinaliza que você está desmontando aquela forte crença limitante e já está adotando um novo padrão com a mentalidade mais forte, que logo lhe fará estar mais motivado(a).

É preciso entender que o cérebro pode levar um tempo para aprender que tal comportamento não é mais o correto, na medida que a substituição ocorre.

O período mais interessante para exercitar isso é antes de dormir ou assim que acordar, então pratique sua tela mental criativa nesses momentos.

É importante que a pessoa tenha conhecimento de que a crença limitante nada mais é do que uma visão distorcida da realidade e que faz com que ela não atinja o seu potencial verdadeiro.

Para isso basta retocar internamente a visão para que ela se ajuste a seus reais desejos.

É imprescindível que você reprograme a forma como suas ideias impactam em sua vida para alcançar as conquistas que sempre sonhou.

Com técnicas como essa apresentada e sua entrega a sentimentos construtivos, é possível alcançar resultados transformadores de verdade!

programa contra crenças limitantes

5 comentários em “Como Eliminar Crenças Limitantes e Ter Uma Mente Forte e Motivada”

  1. RUI MARCONDES

    Adorei esse artgo.Foi um divisor de águas para mim.Muito bom.Agora tenho qie fazer minha parte e praticar
    Agradecido!

  2. Parabéns pela publicação! Artigo muito bem desenvolvido e esclarecedor. Me ajudou muito. Obrigado


19/05/2024

Como o Rio grande do Sul , pode evitar novas enchentes ?

 
















As enchentes no Rio Grande do Sul são resultado de uma combinação de fatores climáticos e ambientais. Para prevenir novas tragédias, algumas medidas podem ser tomadas:

  1. Construção de canais de drenagem eficientes: Isso ajuda a escoar a água da chuva de forma mais rápida e eficaz.

  2. Implementação de muros de contenção em áreas de risco: Essas estruturas ajudam a evitar que a água invada regiões vulneráveis.

  3. Realização de obras de desassoreamento de rios e córregos: Remover o acúmulo de sedimentos nos leitos dos rios melhora o fluxo da água.

  4. Criação de áreas verdes e parques para absorver a água da chuva: Vegetação ajuda a absorver a água e reduzir o escoamento superficial.

  5. Manutenção das matas ciliares: Essas áreas protegem os rios e evitam o assoreamento1.

Além disso, é importante investir em sistemas de monitoramento e alerta para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos2. A mudança climática também desempenha um papel significativo, tornando essas medidas ainda mais cruciais3.








18/05/2024

PEPS, UEPS e FIFO:

PEPS, UEPS e FIFO:

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# Métodos de Avaliação de Estoque: PEPS, UEPS e FIFO

## Introdução

No mundo dos negócios, a gestão eficiente de estoques é crucial para o sucesso financeiro e operacional de uma empresa. Existem vários métodos de avaliação de estoque que as empresas podem utilizar para manter o controle sobre seus ativos e custos. Neste artigo, vamos explorar três dos métodos mais comuns: PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai) e FIFO (First In, First Out).

## PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai)

O método PEPS, também conhecido como FIFO, é baseado no princípio de que os primeiros itens adquiridos são os primeiros a serem vendidos ou usados. Este método é amplamente utilizado devido à sua simplicidade e à forma como reflete o fluxo natural de mercadorias em muitos negócios.

### Vantagens do PEPS:
- **Simplicidade**: Fácil de entender e implementar.
- **Conformidade com a realidade**: Muitas vezes reflete o fluxo físico real dos bens.
- **Menor risco de obsolescência**: Reduz a chance de itens antigos permanecerem no estoque por muito tempo.

### Limitações do PEPS:
- **Inflação**: Pode não refletir o custo atual de reposição dos itens em períodos de inflação.
- **Lucratividade**: Pode inflar o lucro em tempos de aumento de preços, pois os custos registrados são baseados em preços mais antigos e mais baixos.

## UEPS (Último que Entra, Primeiro que Sai)

O método UEPS é o oposto do PEPS. Ele assume que os últimos itens adquiridos são os primeiros a serem vendidos ou usados. Este método não é permitido pelas normas contábeis internacionais (IFRS), mas ainda é utilizado em algumas jurisdições.

### Vantagens do UEPS:
- **Acompanhamento da inflação**: Melhor em refletir o custo de reposição atual em tempos de inflação.
- **Redução de impostos**: Pode resultar em menor lucro reportado e, consequentemente, impostos mais baixos em períodos de aumento de preços.

### Limitações do UEPS:
- **Complexidade**: Mais complexo para manter e entender.
- **Não reflete o fluxo físico**: Raramente reflete o fluxo físico real dos bens.
- **Não aceito internacionalmente**: Não é permitido sob as normas IFRS.

## FIFO (First In, First Out)

FIFO é o termo em inglês para PEPS e segue os mesmos princípios e práticas.

## Conclusão

A escolha do método de avaliação de estoque depende de vários fatores, incluindo a natureza do negócio, a volatilidade dos preços dos itens de estoque e as regulamentações contábeis aplicáveis. Cada método tem suas vantagens e desvantagens, e é importante que os gestores compreendam bem essas características para tomar decisões informadas que maximizem a eficiência e a lucratividade.

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Espero que este artigo tenha fornecido uma visão clara sobre os métodos de avaliação de estoque PEPS, UEPS e FIFO. Se precisar de mais informações ou detalhes específicos, fique à vontade para perguntar!



07/05/2024

Devastação sem precedentes: A tragédia climática que abalou o Rio Grande do Sul

Uma tempestade implacável

O estado do Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história. Desde o dia 24 de abril, chuvas torrenciais e enchentes assolaram a região, deixando um rastro de destruição sem precedentes. A capital Porto Alegre e diversas outras cidades ficaram completamente submersas, com os níveis dos rios atingindo marcas nunca antes registradas.

As imagens são impressionantes e chocantes. Comunidades inteiras foram varridas pelas águas, com casas, empresas e infraestrutura sendo completamente arrasadas pela força da correnteza. Pontes desabaram, estradas foram destruídas e muitos municípios ficaram isolados, dificultando ainda mais os esforços de resgate e socorro às vítimas.

Um cenário devastador

Nas áreas atingidas, a cena é desoladora. Moradores desesperados tentam salvar o que podem de suas casas, enquanto animais se refugiam em telhados e lugares mais altos para escapar da enchente. Em São Sebastião do Caí, a água chegou a atingir o teto das residências, forçando as pessoas a se abrigarem embaixo de viadutos e em pontos mais elevados.

O número de mortos, desaparecidos e desabrigados não para de crescer. Equipes de resgate, compostas por forças militares, bombeiros, polícia e voluntários, trabalham incansavelmente para salvar vidas e prestar assistência à população afetada. Idosos e doentes tiveram de ser evacuados de asilos, e muitos moradores perderam tudo o que tinham.

Uma tempestade perfeita

Segundo os especialistas, a combinação de um fenômeno climático conhecido como "El Niño" com uma área de alta pressão vinda do Paraná criou uma "zona de guerra" entre massas de ar quente e frio, gerando tempestades e chuvas intensas que se prolongaram por dias.

O Rio Grande do Sul foi o epicentro dessa catástrofe climática, com oito de seus municípios ocupando as dez primeiras posições entre as cidades com maior volume de chuva do mundo na última semana. A precipitação acumulada em apenas uma semana superou em três vezes o previsto para todo o mês de maio.

Impactos devastadores

A tragédia não se limitou apenas às perdas materiais. Vidas foram ceifadas, famílias inteiras ficaram desabrigadas e a rotina das comunidades foi completamente interrompida. O isolamento geográfico imposto pelas enchentes dificultou ainda mais o acesso a serviços essenciais, como abastecimento de água, energia elétrica e comunicações.

Cenas impressionantes mostram a força da natureza em ação. Casas sendo arrastadas pela correnteza, pontes desabando, deslizamentos de terra e alagamentos generalizados. Uma verdadeira guerra dos elementos, que deixou um rastro de destruição por onde passou.

Esforços de resgate e reconstrução

Diante desse cenário devastador, as equipes de resgate e as autoridades locais se uniram em um esforço hercúleo para salvar vidas e prestar assistência à população. Militares, bombeiros, polícia e voluntários trabalharam incansavelmente, usando até mesmo helicópteros e óculos de visão noturna para localizar e resgatar sobreviventes.

Abrigos temporários foram montados em estádios municipais, fornecendo abrigo, alimentação e cuidados médicos aos desabrigados. Porém, a tarefa de reconstruir e recuperar as cidades atingidas será longa e árdua, exigindo recursos e esforços significativos.

Um futuro incerto

Infelizmente, a previsão é de que os próximos dias continuem sendo marcados por chuvas intensas e tempestades no Rio Grande do Sul, com o foco se deslocando para a região central e sul do estado. Apenas após a primeira quinzena de maio é que se espera uma diminuição desses volumes de precipitação.

A esperança é de que cenas como essas nunca mais se repitam. Mas o impacto dessa tragédia climática sem precedentes deixará marcas profundas na vida dos gaúchos por muito tempo. A reconstrução e a recuperação serão desafios monumentais, exigindo a mobilização de todos os recursos e esforços possíveis.

Uma lição para o futuro

Essa catástrofe no Rio Grande do Sul é um alerta sombrio sobre os efeitos devastadores das mudanças climáticas. Eventos extremos, como tempestades, enchentes e deslizamentos de terra, tendem a se tornar cada vez mais frequentes e intensos, colocando em risco comunidades inteiras.

É crucial que governos, autoridades e a sociedade como um todo se unam para adotar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Investimentos em infraestrutura resiliente, planejamento urbano sustentável e ações de prevenção e resposta a desastres naturais são fundamentais para minimizar os impactos devastadores de eventos climáticos extremos no futuro.

A tragédia no Rio Grande do Sul é um lembrete doloroso de que precisamos agir com urgência para enfrentar os desafios climáticos que se avizinham. Somente assim poderemos evitar que tragédias como essa se repitam e proteger as comunidades mais vulneráveis.

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30/04/2024

Eficiência Operacional.



O presente estudo evidenciou a importância crítica da **gestão de desempenho dos fornecedores** na Newstec Tecnologia e Comércio, uma empresa que se destaca no setor de mobilidade urbana. A implementação de **indicadores de desempenho** e a adoção de **técnicas avançadas de negociação e resolução de conflitos** permitiram não apenas avaliar a qualidade dos serviços prestados, mas também identificar e direcionar esforços para áreas que requerem melhorias significativas.

Os resultados alcançados reforçam a premissa de que uma **gestão de fornecedores eficaz** é um pilar essencial para a manutenção e ampliação da competitividade de mercado. Através de uma seleção rigorosa e monitoramento constante, foi possível contribuir para a **redução de custos** e **minimização de desperdícios**, ao mesmo tempo em que se fomenta a inovação, alinhando-se assim com as expectativas e necessidades dos clientes.

A pesquisa bibliográfica, as entrevistas com os colaboradores e a análise documental constituíram uma base robusta para o entendimento dos desafios operacionais e estratégicos enfrentados pela Newstec. As soluções propostas, embasadas em dados concretos e análises detalhadas, têm o potencial de fortalecer a **cadeia de suprimentos** e elevar a **eficiência operacional** da empresa.

Em resumo, a prática de medição de desempenho dos fornecedores se mostrou uma ferramenta de valor inestimável, que deve ser constantemente revisada e aprimorada para assegurar a adaptabilidade e resposta rápida da Newstec às dinâmicas de mercado. O comprometimento com a excelência na gestão de fornecedores se destaca como um **diferencial estratégico**, que certamente posicionará a empresa em um patamar superior no panorama empresarial nos anos vindouros.

* de Fornecedores, Competitividade, Inovação, Eficiência Operacional.

https://www.brasildefato.com.br/

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29/04/2024

Evaluation of the logistic performance of Brazil's soft drink supply chain


Resumos

Esse artigo tem como objetivo avaliar o desempenho logístico de quatro elos da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes (fornecedores de embalagem para refrigerantes, indústria de refrigerantes, atacado e supermercado), adotando como metodologia o survey eletrônico. As repostas foram analisadas utilizando-se os testes estatísticos Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, além de uma análise descritiva dos dados e da realização dos testes de hipótese. As empresas avaliaram o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores da logística interna e externa, e identificaram a percentagem de uso desses indicadores. A taxa média de respostas foi de 40%. A pesquisa mostrou que os elos da cadeia de refrigerantes utilizam mais os indicadores de desempenho, que avaliam a logística interna, do que os que avaliam a logística externa.

indicadores de desempenho em logística; cadeia brasileira de suprimento de refrigerante; efeito de chicoteamento; survey


An evaluation was made of the logistics performance of four links in Brazil's soft drink supply chain (soft drink packaging suppliers, soft drink industry, wholesalers and supermarkets), based on an electronic survey of 54 companies, from which a 40% response rate was obtained. The answers were analyzed based on the supply chain management theory, using the Mann-Whitney and Kruskal-Wallis statistical tests and a descriptive analysis of the data. The surveyed companies evaluated the logistic performance of the chain based on indicators selected from a literature review, and identified the percentage of use of these indicators. It was found that the links in the soft drink chain preferentially use internal logistics performance indicators more than external logistics indicators.

logistics performance indicators; Brazilian soft drink supply chain; survey; bullwhip effect


Avaliação do desenpenho logístico da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes

Evaluation of the logistic performance of Brazil's soft drink supply chain

Samuel Vieira Conceição; Ronan Torres Quintão

Departamento de Engenharia de Produção, Universidade Federal de Minas Gerais, Avenida Antonio Carlos, 6627, Pampulha, CEP 30161-010, Belo Horizonte, MG, e-mail: svieira@dep.ufmg.brrtquintão@dep.ufmg.br

RESUMO

Esse artigo tem como objetivo avaliar o desempenho logístico de quatro elos da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes (fornecedores de embalagem para refrigerantes, indústria de refrigerantes, atacado e supermercado), adotando como metodologia o survey eletrônico. As repostas foram analisadas utilizando-se os testes estatísticos Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, além de uma análise descritiva dos dados e da realização dos testes de hipótese. As empresas avaliaram o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores da logística interna e externa, e identificaram a percentagem de uso desses indicadores. A taxa média de respostas foi de 40%. A pesquisa mostrou que os elos da cadeia de refrigerantes utilizam mais os indicadores de desempenho, que avaliam a logística interna, do que os que avaliam a logística externa.

Palavras-chave: indicadores de desempenho em logística, cadeia brasileira de suprimento de refrigerante, efeito de chicoteamento, survey.

ABSTRACT

An evaluation was made of the logistics performance of four links in Brazil's soft drink supply chain (soft drink packaging suppliers, soft drink industry, wholesalers and supermarkets), based on an electronic survey of 54 companies, from which a 40% response rate was obtained. The answers were analyzed based on the supply chain management theory, using the Mann-Whitney and Kruskal-Wallis statistical tests and a descriptive analysis of the data. The surveyed companies evaluated the logistic performance of the chain based on indicators selected from a literature review, and identified the percentage of use of these indicators. It was found that the links in the soft drink chain preferentially use internal logistics performance indicators more than external logistics indicators.

Keywords: logistics performance indicators, Brazilian soft drink supply chain, survey, bullwhip effect.

1. Introdução

A Avaliação do desempenho é reconhecida por ser muito mais do que somente a aquisição de produtos a baixo preço. Os custos de estoque e armazenagem, custo de pedido e o giro do estoque em dias, são alguns dos indicadores universalmente utilizados para avaliar a logística interna de uma empresa.

O nível de serviço, prestado pelos fornecedores, pode ser medido por indicadores de desempenho como a quantidade ou percentagem de entregas realizadas dentro do prazo, o tempo de entrega, o recebimento do pedido de acordo com as especificações ou a percentagem de entregas devolvidas parcial ou integralmente.

Como a competição não acontece entre uma empresa e outra, mas entre cadeias de suprimentos, a avaliação do desempenho logístico assume papel relevante na avaliação da cadeia. Um excelente desempenho, nos níveis de serviço oferecido ao cliente, tende a aumentar de modo substancial o valor agregado em toda cadeia de suprimentos.

Portanto, torna-se necessário conduzir pesquisas com o objetivo de investigar como os elos (empresas) estão avaliando o nível de serviço logístico prestado pelos seus fornecedores, assim como pesquisar os indicadores mais apropriados para avaliar o desempenho logístico das empresas.

Segundo Daugherty et al., 1996, não há nenhum consenso universal sobre a definição de desempenho. Similarmente, não há nenhum consenso considerando quais fatores constituem os melhores indicadores de desempenho. Em algumas pesquisas, o desempenho tem sido avaliado pela análise das informações dos relatórios das empresas. Entretanto, os indicadores de desempenho, utilizados nessas análises, podem não ser apropriados e relevantes, quando o objetivo da análise é medir o desempenho de uma atividade, um negócio ou um processo específico como a logística (Stank et al., 1999). Outro problema relatado na literatura é quais indicadores devem ser utilizados para medir o desempenho.

O artigo apresenta uma pesquisa sobre a avaliação da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes, utilizando a metodologia de survey eletrônico. A pesquisa utiliza testes estatísticos com o objetivo de avaliar o desempenho logístico da cadeia e a utilização dos indicadores de desempenho logístico interno e externo das empresas participantes da cadeia de refrigerantes. A comparação entre as avaliações de desempenho logístico interno e externo das empresas (elos) é feita por meio de testes de hipóteses.

2. Referencial Teórico

A gestão da cadeia de suprimentos assume papel relevante e estratégico, na definição dos indicadores de performance do nível de serviço, que os elos participantes da cadeia desejam oferecer aos seus clientes internos e externos. No conceito de cadeia de suprimentos, as empresas devem promover esforços com o objetivo de otimizar a cadeia (Van Hoek, 1998). Isso implica que o ótimo local deve ser substituído pelo ótimo global da cadeia como um todo.

2.1 Gerenciamento da cadeia de suprimentos

A produção de bens industriais vem se tornando um negócio globalmente organizado e, geralmente, dominado por grandes companhias internacionais. Como é difícil para qualquer companhia administrar os recursos necessários para simultaneamente projetar, fabricar e distribuir os produtos, a agregação de valor ao longo de uma cadeia depende, fundamentalmente, da competência de cada elo em prover o melhor nível de serviço na cadeia de suprimentos. Com essa redistribuição de atividades de adição de valores entre os parceiros da cadeia de suprimentos, podemos dizer que produtos pertencem à cadeia de suprimentos e não a uma empresa (elo) isoladamente.

Um dos principais problemas encontrados na produção de bens industriais é a variabilidade entre a demanda prevista e a demanda real. A variabilidade nos padrões de emissão de pedidos e na demanda de uma cadeia ocorre porque os responsáveis pela emissão dos pedidos de compra modificam a previsão de demanda, ocasionando mudanças significativas ao longo da cadeia de suprimentos. Quanto mais a montante estiver o elo, maiores serão os efeitos negativos decorrentes das mudanças na previsão de demanda. Essa variabilidade ou amplificação de demanda foi observada, originalmente, e estudada por Forrester (1958, 1961). Os estudos pioneiros de Forrester inspiraram autores como Sterman (1989, 2000) a desenvolverem jogos (games) para demonstrar como a amplificação da demanda afeta negativamente a cadeia de suprimentos. Os estudos pioneiros de Forrester deram origem ao conceito de gestão da cadeia de suprimentos.

O gerenciamento da cadeia de suprimentos é um conceito baseado no controle da rede de trabalho e na integração de processos entre as empresas, tendo como foco o consumidor final (Van Hoek, 1998), no qual o compartilhamento da informação e o planejamento conjunto podem aprimorar de maneira significativa o nível de serviço oferecido ao cliente final. O gerenciamento da cadeia de suprimentos reconhece que a integração interna (integração entre as diversas áreas funcionais da empresa: marketing, logística, planejamento e controle da produção, etc.) por si só não é suficiente. A implementação desse conceito requer que as empresas implementem ações, objetivando tanto a integração interna quanto a integração externa, isto é, a integração entre os diversos departamentos das empresas participantes da cadeia (Daugherty et al., 1996; New, 1996). O conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos induz os elos participantes da cadeia a implementar conjuntamente o planejamento e coordenação do fluxo de materiais e de informações, de montante a jusante da cadeia, na forma de um sistema (cadeia) integrado. O impacto de uma decisão tomada em qualquer parte do sistema afetará o sistema como um todo (Xu et al., 2001; Weng e McClurg, 2003), de modo que ações de uma empresa afetam, de forma positiva ou negativa, os custos das outras empresas da cadeia de suprimentos.

Uma forte integração enfatiza diretamente um relacionamento de longo prazo, além de encorajar um planejamento e esforço conjunto na solução de problemas. Segundo Gunasekaran et al. (2001), a integração é um fator de melhoria da operação logística da cadeia de suprimentos sendo portanto, capaz de alavancar a competitividade da cadeia de suprimentos como um todo.

Entretanto, a integração interna e externa dos participantes da cadeia de suprimentos é uma tarefa complexa e geralmente implementada a longo prazo. Um dos motivos é a falta de conhecimento e entendimento do conceito de cadeia de suprimentos, assim como dos benefícios dessa integração. Outra explicação é a necessidade de mudança cultural, porque, até antes do surgimento do conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos, as práticas comerciais e de negócios entre os participantes da cadeia se baseavam, ou ainda se baseiam, em uma relação de perde/ganha (jogo de soma zero), em que um elo busca levar vantagem sobre o outro. Uma das estratégias de se evitar o jogo de soma zero é o compartilhamento de informação, o qual é definido por Neuman (1996) como uma das bases para a integração entre empresas participantes de uma cadeia. Os objetivos básicos do compartilhamento de informações devem ser o de melhorar o conhecimento da demanda e comportamento futuro do consumidor, aumentar o poder de predição das flutuações da demanda, melhor gerenciar sua variabilidade, além de um melhor controle de seus volumes (Whiteoak, 1999).

Os elos de uma cadeia devem desenvolver uma base de informação comum por meio da utilização do intercambio eletrônico de dados (EDI/formato de dados padrão), definição de um plano único e compartilhado de suprimentos, assim como mecanismos de avaliação do comportamento dos lucros e das contingências esperadas (Whiteoak, 1999; Yu et al., 2001). O compartilhamento da informação na cadeia de suprimentos gera uma grande vantagem na conexão dos negócios, utilizando-se algumas ferramentas como o Estoque Gerenciado pelo Fornecedor (VMI - Vendor Management Inventory), o cross-docking e a resposta rápida (QR - Quick Response).

O gerenciamento da cadeia de suprimentos é um conceito necessário, para se implementar uma estratégia de mercado bem concebida, mas não consegue desfazer totalmente os efeitos de uma estratégia de mercado mal concebida. É imperativo para as empresas assegurar que a implementação de suas estratégias de logística, de produção, qualidade e de compras, táticas e medição de desempenho estejam corretamente alinhadas com as estratégias das áreas financeira, operacional, marketing, desenvolvimento de novos produtos e vendas (Tan et al., 1999).

2.2 Indicadores de desempenho

Globerson (1985), ao analisar a relação entre estratégias, ações e medições, recomenda que os sistemas de medição de desempenho (SMD) devem: (i) ser derivados da estratégia corporativa da empresa; (ii) fornecer uma retroalimentação (feedback) precisa; (iii) ter metas específicas e claras; e (iv) ser claramente definido e objetivo. Neely (1999) define que os SMD são constituídos de várias partes fundamentais, tais como: (i) indicadores próprios que quantificam a eficiência das ações; (ii) um conjunto de medidas que combinam entre si para obter o desempenho da organização como um todo; e (iii) uma infra-estrutura de suporte que possibilite a obtenção, confrontação, análise e interpretação de dados.

A avaliação do desempenho da logística é multidimensional, envolvendo vários indicadores (Chow, 1994). Nenhum indicador isoladamente é suficiente para medir o desempenho logístico de uma cadeia de suprimentos. Chow (1994) realizou, por meio de uma revisão bibliográfica nos cinco principais periódicos mundiais sobre logística de 1982 a 1992, um estudo sobre a avaliação de desempenho logístico que revelou a imensa variedade de definições e indicadores existentes sobre o tema. Segundo Chow, isso pode ser atribuído aos diversos interesses dos pesquisadores e à complexidade do tema. Outra fonte de divergência entre os pesquisadores é a definição de qual tipo de indicador é importante. O estudo de Chow mostrou ainda que os inúmeros estudos sobre indicadores de desempenho versam sobre as atividades logísticas, sobre as funções logísticas ou sobre o desempenho das empresas.

Segundo Holmberg (2000), as empresas ainda utilizam indicadores internos para avaliar o desempenho de suas atividades logísticas, sendo necessário desenvolver uma nova forma de avaliação de desempenho para a cadeia de suprimentos, utilizando-se, conjuntamente, indicadores externos e internos para se avaliar o desempenho de toda a cadeia, de modo que, trabalhando em conjunto, as empresas consigam atingir o melhor retorno do negócio da cadeia de suprimentos a que pertencem.

Como a competição é tipificada menos por empresa contra empresa e mais por cadeia de suprimento contra cadeia de suprimento, os líderes da cadeia de suprimentos estão buscando formas eficazes de melhor coordenar e integrar a cadeia de suprimentos, ou fazer o gerenciamento da cadeia como corporações virtuais, ou seja, por meio de uma configuração de modelo integrado de parceria na cadeia de suprimento. As formas de melhor coordenar a cadeia de suprimentos depende da relação entre as estratégias traçadas pelos elos fortes da cadeia para atingir sua integração, e os indicadores de desempenho utilizados para mensurar, como e de que maneira, os elos contribuem para a coordenação e integração da cadeia de suprimentos.

2.3 Relação entre estratégias e indicadores de desempenho

As estratégias servem como guia para as empresas desenvolverem e utilizarem recursos chaves, para se atingir os objetivos desejados em um ambiente dinâmico e competitivo (Fawcett et. al., 1997). O ponto crítico é a identificação das estratégias prioritárias, que fornecerão a direção para o desenvolvimento da organização. Uma vez identificadas e selecionadas, seu impacto na operação é determinado pela maneira como elas são comunicadas para a organização, assim como a freqüência e a sistemática de avaliação e medição delas. Os esforços para se desenvolver uma excelência operacional, tendo como suporte as estratégias, são influenciados potencialmente pelos indicadores que monitoram as atividades que agregam valor ao negócio. Dessa forma, os indicadores têm grande influência no comportamento de toda a organização, permitindo ainda analisar se os objetivos previamente traçados pelo planejamento estratégico foram realizados.

Uma das razões da complexidade do gerenciamento e avaliação da cadeia de suprimentos é a dificuldade em se definir as fronteiras do sistema a ser mensurado.

Outro problema que merece atenção é a falta de ligação entre estratégia e indicadores de desempenho (Holmberg, 2000). Inúmeras iniciativas de medição não são derivadas da estratégia, não fornecendo suporte às estratégias da organização. Um número surpreendente de empresas não consegue mensurar as variáveis descritas em suas estratégias. Por causa dessa falta de ligação, as atividades de medição de desempenho são focadas nas funções internas das organizações, ao invés de serem no desempenho de toda a empresa e nas necessidades dos clientes. Uma atenção substancial será necessária na articulação da relação logística das estratégias das empresas e no desenvolvimento de novos indicadores de desempenho logístico. As lacunas existentes entre as estratégias e os indicadores de desempenho indicam uma necessidade de se repensar a estratégia organizacional e sua implementação (Fawcett et al., 1997).

Já no âmbito da avaliação da cadeia de suprimentos como um todo, muitas organizações não obtiveram êxito na maximização do potencial de suas cadeias de suprimento, porque falharam em desenvolver indicadores ou sistemas necessários para integrar e maximizar sua eficiência (Gunasekaran et al., 2004).

As características básicas para um bom sistema de medição do desempenho na cadeia de suprimentos são (Handfield e Nichols 1999): (i) medir o desempenho da cadeia de suprimentos como um todo, ao invés de medir isoladamente o desempenho dos participantes da cadeia; (ii) ter um foco central na melhoria contínua e serviço ao cliente final; e (iii) permitir que gerentes não somente identifiquem, mas também eliminem as causas dos problemas operacionais e estratégicos da cadeia de suprimentos.

Outras características básicas dos sistemas de medição de desempenho na cadeia de suprimentos que devem ser incluídas são: (i) alterações nas médias de volume dos estoques mantidos e a freqüência de giro de estoque por meio da cadeia de suprimentos (Fawcett e Clinton, 1997); (ii) adaptabilidade da cadeia de suprimento, como um todo, em atender às necessidades emergentes dos clientes (Gilliland e Bello, 1997); e (iii) a extensão de que o relacionamento da cadeia de suprimentos é baseado em confiança mútua (Fawcett e Clinton, 1997).

3. Metodologia

A pesquisa teve como escopo o estudo dos seguintes elos da cadeia de refrigerantes: 1) supermercado; 2) atacado; 3) indústria de refrigerantes; e 4) fornecedor de embalagem para refrigerantes. Além desses quatro elos, a pesquisa também avaliou, de forma indireta, o desempenho logístico de mais dois elos da cadeia: 1) fornecedor de ingredientes para a fabricação de refrigerante; e 2) fornecedor de matéria-prima para a fabricação das embalagens para refrigerante. A avaliação foi indireta porque esses dois elos não responderam ao questionário, mas o serviço logístico de ambos foi avaliado pelas indústrias e pelos fornecedores de embalagem, respectivamente. A pesquisa utilizou a metodologia de survey eletrônico.

Figura 1 apresenta os elos participantes da pesquisa e as avaliações realizadas.


A pesquisa selecionou na literatura (Chow et al., 1994; Fawcett et al., 1997; Daugherty et al., 1996; Neely 1999; Van Hoek, 1998; Stank et al., 1999; Holmberg 2000; Gunasekaran et al., 2001; Gunasekaran et al., 2004), os indicadores relevantes de medição de desempenho da logística, abrangendo as dimensões da logística interna e externa da empresa.

Um questionário estruturado foi enviado por correio eletrônico às empresas. A avaliação do desempenho foi baseada nas respostas dos profissionais da logística das empresas da cadeia de refrigerantes, sendo realizada uma avaliação da logística interna e do serviço logístico prestado pelos seus fornecedores da cadeia de refrigerantes (logística externa). A logística interna compreende os custos de pedido, custos de estoques e armazenagem, custo de transporte, giro de estoques em dias, produtos perdidos (avaria ou data de validade vencida) e produtos faltantes, sendo que, nesse caso, a pesquisa não identificou se a ruptura de estoque significava venda perdida ou postergada. Já a logística externa compreende as entregas realizadas dentro do prazo pelo elo fornecedor, as entregas devolvidas, parcial ou integralmente, o recebimento de produto de acordo com as especificações de qualidade e validade, o atendimento do pedido e o tempo de entrega do fornecedor em dias.

Nas empresas em que havia um departamento de logística, os respondentes da pesquisa foram os diretores ou gerentes de logística. Naquelas em que a logística estava subordinada a outros departamentos, como os departamentos de marketing ou planejamento da produção, os respondentes da pesquisa foram os diretores ou gerentes daquelas áreas.

Segundo Simsek (1999), o survey eletrônico tem como vantagens a economia de custo e a velocidade na realização da pesquisa. No presente estudo, a metodologia de survey eletrônico se mostrou a mais adequada, para os propósitos da pesquisa de descrever e explicar o desempenho logístico das empresas participantes da cadeia de suprimentos de refrigerantes, porque ela permitiu construir um conjunto de indicadores que, coletivamente, capturou a maior parte possível, senão todas, das mais importantes dimensões do desempenho logístico. Além disso, em comparação ao estudo de caso único ou múltiplo, o survey, enquanto instrumento metodológico, permite generalizar, de forma mais abrangente, os resultados da pesquisa, dado que, para se obter validação da pesquisa, é necessário um número estatisticamente representativo do universo das empresas pesquisadas. Outra vantagem do survey é que a escolha das empresas, que participaram da pesquisa, foi feita de maneira aleatória, garantindo assim o poder de generalização dos resultados encontrados.

Foram selecionados onze indicadores de desempenho, que serviram como base para a avaliação da logística, utilizando-se a escala de Likert, que variou de 1 (péssimo) a 5 (ótimo). O questionário foi enviado por e-mail e disponibilizado na internet para as empresas responderem.

Diante do objetivo da pesquisa de avaliar o desempenho logístico da cadeia de suprimentos da indústria de refrigerantes, buscou-se selecionar os indicadores logísticos capazes de avaliar a logística interna e externa, os quais são monitorados periodicamente pelas empresas, de maneira formalizada. Durante a fase de pré-teste do questionário, a importância dos indicadores utilizados na pesquisa foi avaliada e ratificada pelas empresas.

O objetivo da presente pesquisa foi de avaliar a logística no nível operacional das empresas, trabalhando com indicadores que podem ou devem ser controlados periodicamente pelas organizações. Dessa forma, a própria avaliação do desempenho logístico passa a ser mais tangível para o respondente, uma vez que está relacionada diretamente com variáveis como tempo, número ou porcentagem.

Os indicadores utilizados na pesquisa foram selecionados com o objetivo de abranger as principais atividades logísticas das empresas pertencentes à cadeia estudada.

Os indicadores utilizados para avaliar a logística interna das empresas foram: I.1) custo de pedido; I.2) custo de estoque e armazenagem; I.3) custo de transporte; I.4) giro de estoque em dias; I.5) produtos perdidos (quebra ou manuseio inadequado); e I.6) produtos faltantes no estoque (ruptura de estoque).

Os indicadores utilizados para avaliar o serviço prestado pelos fornecedores foram: E.(1) entregas realizada dentro do prazo negociado; E.2) entregas devolvidas parcial ou integralmente; E.3) recebimento de produto de acordo com as especificações de qualidade e validade; E.4) atendimento do pedido realizado (produtos entregues versus produtos pedidos); e E.5) tempo de entrega de mercadorias do fornecedor.

O questionário foi enviado para todas as empresas do cadastro, construído a partir da relação das associações nacionais dos fabricantes de embalagem de alumínio (ABAL) e PET (ABEPET), das indústrias de refrigerante (ABIR) e dos atacados e distribuidores (ABAD). No caso do elo supermercadista, foi utilizada a relação das quinhentas maiores empresas do setor, fornecida pela associação brasileira de supermercados (ABRAS), sendo, nesse caso, necessário calcular uma amostra, pelo grande número de empresas. Utilizando-se a técnica de amostragem aleatória sistemática, com um erro de 0.50, desvio de 1,0 e nível de confiança de 95%, a amostra final calculada foi de 62 empresas supermercadistas.

As repostas foram analisadas utilizando-se os testes estatísticos Mann-Whitney Kruskal-Wallis, além de uma análise descritiva dos dados. As empresas avaliaram o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores da logística interna e externa e identificaram a percentagem de uso desses indicadores.

A pesquisa também utilizou os teste de hipóteses, utilizando a análise estatística de comparação de populações, para fazer a comparação entre as avaliações de desempenho logístico interno e externo das empresas.

4. Resultados

4.1 Taxa de resposta

A taxa média de resposta da pesquisa foi de 40,3%, bem superior às taxas de resposta citadas na literatura. A Tabela 1 mostra as taxas de resposta do questionário aplicado a cada elo, assim como a taxa de resposta da pesquisa realizada.

O elo fornecedor apresentou a maior taxa de resposta com 58,3%, seguido pelo elo indústria com 42,2%. O elo atacado apresentou a terceira maior taxa de respostas com 40,9% e o elo supermercado teve a menor taxa de resposta da pesquisa, com 30,6%.

Os profissionais de todas as empresas fornecedoras da população possuíam e-mails pessoais e se mostraram interessados na pesquisa. Talvez seja esse o motivo da elevada taxa de resposta obtida. Na indústria, nem todos os profissionais possuíam e-mail próprio, apesar de todos terem acesso à internet, sendo que a taxa de resposta foi obtida com um número menor de ligações do que as realizadas para o atacado. No caso em que a pessoa responsável por responder ao questionário não estava bem definida no organograma da empresa, foi necessário estabelecer vários contatos por telefone para identificar o perfil do respondente mais adequado aos objetivos da pesquisa e, dessa forma, garantir que as pessoas que estavam respondendo ao questionário estavam de fato respondendo pela organização. Os atacadistas apresentaram uma taxa de resposta elevada, depois de várias ligações e da aplicação do questionário também por fax. Por fim, o setor supermercadista foi o elo de maior dificuldade de obtenção das respostas. Os profissionais da maior parte das empresas desse elo tinham acesso à internet, mas não possuíam e-mails próprios. Além disso, o entendimento da importância e aplicação dos resultados da pesquisa foi mais difícil que nos demais elos. Várias ligações telefônicas foram necessárias para se obter o número de resposta estatisticamente desejado.

Em todos os casos, o questionário teve a preocupação de identificar claramente, dentro da organização, o respondente que poderia representá-la de forma adequada, tanto em termos de conhecimentos formais sobre o tema da pesquisa, quanto em relação à avaliação da organização sobre o desempenho dos elos da cadeia.

4.2 Indicadores logísticos utilizados pelas empresas pesquisadas

Os indicadores logísticos são utilizados para direcionar as atividades das empresas, tendo como base as estratégias organizacionais. Esses controlam e mensuram as atividades realizadas pela empresa, fornecendo dados para a avaliação do desempenho logístico da organização. Os indicadores de desempenho da logística externa estão descritos na Tabela 2 e os da interna, na Tabela 3.

Tabela 2 descreve a porcentagem de empresas que utilizam os indicadores de desempenho do serviço logístico, prestado pelos fornecedores da cadeia de refrigerantes. O cálculo da porcentagem foi realizado para cada elo da cadeia. Por exemplo: dos sete fornecedores de embalagem que participaram da pesquisa, cinco responderam que utilizam o indicador de entregas realizadas dentro do prazo, sendo a sua utilização de 71% (5/7).

Entre as empresas pesquisadas, a indústria é o elo que mais utiliza os indicadores listados na Tabela 2. Esse elo utiliza 72% dos indicadores logísticos, sendo seguido pelo fornecedor de embalagem (63%), pelo supermercado (59%) e pelo atacado (58%).

O indicador menos utilizado pelas empresas pesquisadas é o de entregas devolvidas, parcial ou integralmente. O indicador mais utilizado é o de tempo de entrega de mercadorias do fornecedor, sendo seguido pelo indicador de recebimento da mercadoria dentro do prazo negociado. O resultado indica o elevado valor dado pelas empresas à velocidade de entrega, ressaltando indiretamente a importância do tempo de ressuprimento (lead time). O desempenho do fornecedor, na entrega das mercadorias, influencia diretamente o estoque da empresa. Quanto pior o desempenho nesse quesito maior é o estoque de segurança necessário para evitar rupturas ou falta de produtos para os seus clientes e, conseqüentemente, maiores os custos logísticos para a empresa e a cadeia, traduzindo-se, finalmente, em maiores custos para o cliente final, comprometendo a competitividade da cadeia, isto é, o nível de serviço oferecido ao cliente final.

Tabela 3 descreve a utilização dos indicadores logísticos de avaliação interna das empresas pesquisadas. O cálculo também foi realizado para cada elo. Por exemplo: dos sete fornecedores de embalagem que participaram da pesquisa, três responderam que utilizam o indicador de custo de pedido, sendo a sua utilização de 43% (3/7).

A indústria (83%) e o fornecedor de embalagens (83%) são os elos que mais utilizam os indicadores listados na Tabela 3, seguido do elo atacadista (69%) e, por fim, o supermercado (66%).

O indicador mais utilizado pelos elos, com exceção da indústria, é o giro de estoque em dias, refletindo a preocupação das empresas com o fluxo de caixa. O mais utilizado pela indústria é o indicador de produtos perdidos e faltantes (95%). Por se tratar de produtos perecíveis com impacto na saúde do consumidor, a indústria despende uma grande importância a esse indicador, visto que, em caso de contaminação ou apreensão de lotes de produtos vencidos pela vigilância sanitária, ele tem um grande peso na imagem de marca da empresa.

O indicador menos utilizado por todos os elos é o custo de pedido, o que reflete a dificuldade dos elos da cadeia em sistematizar e mensurar esse custo, apesar da sua importância nos custos logísticos totais.

Outro aspecto revelado na Tabela 3, é a baixa utilização dos indicadores logísticos (exceto o giro de estoque) pelos elos atacadista e supermercadista, o que pode demonstrar a pouca importância atribuída por esses elos aos indicadores logísticos, assim como a pouca sensibilidade aos esforços para melhor coordenar e integrar toda a cadeia.

Relacionando as Tabelas 2 e 3, verifica-se que os indicadores logísticos de avaliação interna das empresas são mais utilizados por todos os elos pesquisados do que os indicadores de avaliação do serviço prestado pelos fornecedores da cadeia de refrigerantes.

As empresas estão mais preocupadas em medir o desempenho logístico interno do que o externo. Entretanto, o desempenho externo influencia diretamente o interno, pois as ações individuais de cada elo interferem no desempenho da cadeia. As empresas, além de medirem o desempenho da logística interna, devem também medir o serviço logístico prestado pelos seus fornecedores, com o objetivo de melhorar o seu próprio desempenho e o da cadeia.

4.3 Comparação entre as avaliações realizadas

A comparação entre as avaliações das empresas foi realizada utilizando-se testes estatísticos não paramétricos de comparação de duas ou mais populações, para verificar se há diferença de desempenho logístico entre elas, porque os dados não seguiram uma distribuição normal, violando um dos pressupostos para a realização de testes estatísticos paramétricos. Um dos motivos da violação desse pressuposto foi a pequena quantidade de empresas pertencentes aos elos da cadeia estudada e o objetivo da pesquisa de comparar o desempenho logístico entre eles. Dessa forma, os testes que mais se adequaram aos objetivos da pesquisa e aos dados coletados foram os não-paramétricos U de Mann-Whitney, de comparação de duas populações, e o teste Kruskal-Wallis, de comparação de mais de duas populações.

O desempenho logístico da cadeia de suprimentos é constituído pelo desempenho de seus elos. Portanto, o objetivo foi identificar os elos que possuem as melhores e as piores avaliações, quanto à logística interna e quanto aos serviços logísticos prestados para os elos mais a jusante da cadeia (logística externa). As hipóteses testadas estão descritas no Quadro 1.


Embora os elos da cadeia sejam submetidos a forças competitivas diferentes, quando analisamos cada um dos elos isoladamente, face aos seus concorrentes, as hipóteses 1 e 2, se justificam pelo fato que os indicadores da logística externa e interna são importantes tanto do ponto de vista da competição entre empresas do mesmo segmento, quanto do ponto de vista da cadeia de suprimentos. Esses indicadores têm impacto decisivo no resultado operacional das empresas e, portanto, no nível de serviço prestado ao cliente final. Uma outra justificativa para o estabelecimento dessas hipóteses, é que, com os indicadores de desempenho da logística interna e externa selecionados na pesquisa, torna-se possível avaliar os elos por meio de indicadores de desempenho logístico universais, de avaliar o desempenho dos fornecedores por meio da avaliação do desempenho da logística externa, assim como avaliar a utilização pelas empresas dos indicadores da logística interna. Com isso torna-se possível, em função dos resultados obtidos na pesquisa, fazer inferências ou estabelecer conclusões sobre como a coordenação da cadeia poderia ser melhorada.

As avaliações foram realizadas tendo-se como base a escala Likert, de um a cinco, sendo que, nessa escala, o valor extremo à esquerda (um) representa desempenho logístico péssimo e o valor extremo à direita cinco, desempenho logístico ótimo. Os respondentes da pesquisa foram os diretores ou gerentes de logística das empresas pesquisadas, conforme descrito acima.

4.4 Avaliação dos indicadores da logística externa

Tabela 4 apresenta a freqüência, em porcentagem, das avaliações dos indicadores da logística externa realizadas pelas empresas participantes da pesquisa, sendo 1, péssimo, e 5, ótimo.

De acordo com os dados da Tabela 4, os indicadores E.3 e E.4 tiveram maior concentração nas notas quatro e cinco, com uma participação geral de 89,5% (53,5 + 36,0) e 81,3% (52,3 + 29,0), respectivamente. Esse resultado indica que o recebimento de produto, de acordo com as especificações de qualidade e validade, reflete a preocupação das empresas com a saúde do consumidor. Observa-se que esse resultado também foi observado quando da avaliação da logística interna. O atendimento do pedido realizado (produtos entregues versus produtos pedidos – E.4) está, provavelmente, relacionado com a preocupação das empresas com a ruptura de estoques.

Os indicadores E.1 e E.5 tiveram as suas notas concentradas nas notas três, quatro e cinco, com 92,8% (20,9 + 53,5 + 17,4) e 89,5% (25,6 + 43,0 + 20,9), respectivamente. O indicador E.2 foi o que apresentou menor concentração nas avaliações em relação aos demais indicadores, refletindo a divergência dos elos da cadeia quanto a importância do indicador logístico entregas devolvidas integral ou parcialmente.

Com o objetivo de verificar a dispersão das respostas em torno da média dos elos, foi realizada uma análise do desvio-padrão das respostas obtidas. A Tabela 5 apresenta as médias e os desvios-padrão (DP) das avaliações dos indicadores do serviço logístico, prestado pelos diversos elos (avaliador e avaliado) da cadeia de refrigerante.

Observa-se que os elos avaliados obtiveram uma média elevada no indicador logístico E.3, ratificando a importância do aspecto qualidade e validade do produto ou matéria-prima, estando todos os elos sincronizados com essa preocupação.

A relação indústria-supermercado é uma das mais tensas dessa cadeia. A indústria, quando avaliada pelo elo supermercadista obtém uma média baixa no indicador E.2 (entregas devolvidas parcial ou integralmente) e uma média elevada no indicador E.3. Nota-se ainda que todos os avaliados no indicador E.2 obtiveram baixa pontuação. Esse resultado evidencia que todos os elos da cadeia precisam alavancar esforços no sentido de diminuir a quantidade de produtos devolvidos parcial ou integralmente, embora a pesquisa não tenha se aprofundado nos motivos dessas devoluções.

De maneira geral, a Tabela 5 mostra que, na avaliação feita pelos elos da cadeia de suprimentos, como um todo, o indicador E.2 obteve a pior média e o indicador E.3, a melhor, indicando, mais uma vez, a unanimidade de todos os elos, quanto à importância da qualidade e validade da matéria-prima e produto final, como indicador do nível de serviço.

Para verificar se as avaliações foram iguais ou não, foi realizado o teste Kruskal-Wallis (Tabela 9 do ANEXO), com um nível de significância de 0,05. Nenhuma diferença das avaliações dos 5 indicadores entre os elos foi encontrada, pois todos os p-valores foram maiores que 0.05, não havendo evidências para se rejeitar a hipótese H20. Conclui-se que as avaliações dos indicadores da logística externa, entre os elos, são iguais, segundo as respostas dos respondentes.

4.5 Avaliação dos indicadores da logística interna

Tabela 6 apresenta a freqüência, em porcentagem, das avaliações dos indicadores da logística interna, realizadas pelas empresas participantes da pesquisa, sendo 1, péssimo e 5, ótimo.

Todos os indicadores apresentaram maior concentração nas notas 3, 4 e 5: 92,6%, 90,7%, 90,7%, 96,3%, 88,9% e 88,9%, seguindo a ordem dos indicadores (Tabela 7). Esse resultado evidencia a grande ênfase que os elos atribuem aos custos logísticos internos e, conseqüentemente, ao efeito desses custos no desempenho da empresa.

Tabela 7 apresenta as médias e os desvios-padrão (DP) das avaliações dos indicadores da logística interna das empresas.

Para verificar se as avaliações foram iguais ou não, foi realizado o teste Kruskal-Wallis (Tabela 10 do ANEXO), com um nível de significância de 0,05. Foi encontrada diferença entre as médias das avaliações feitas pelos elos do indicador custo (p = 0,023). Há evidências para se rejeitar a hipótese H20, pois as avaliações de desempenho realizadas pelos elos do indicador de custo de estoque não são iguais.

Para verificar em quais elos as avaliações do indicador de custo de estoque são diferentes, foi realizado o teste Mann-Whitney U (Tabela 11 a 16 do ANEXO). Duas diferenças foram encontradas: 1) entre a indústria e o atacado; e 2) entre a indústria e o fornecedor de embalagem. A Tabela 8 descreve as diferenças encontradas na avaliação do indicador de custo de estoque.

Conforme descrito na Tabela 8, pode-se afirmar que a avaliação do indicador de custo de estoque da indústria foi pior (3,26) que a avaliação do custo de estoque do atacado (4,22) e que a do fornecedor de embalagem (4,29). A avaliação desse indicador realizada pelo supermercado foi igual à da indústria, pois não foi encontrada diferença significativa entre as duas.

4.6 Resumo dos resultados das hipóteses

As hipóteses foram testadas utilizando a análise estatística de comparação de populações. O Quadro 2 apresenta o resultado dos testes, com um nível de significância de 0,05.


Os resultados do survey demonstraram que não há evidências para rejeitar a hipótese das avaliações dos indicadores logísticos externos (H10), podendo-se concluir que as empresas da cadeia de refrigerantes avaliaram o desempenho do serviço logístico, prestado pelos fornecedores da cadeia, de forma semelhante, de acordo com a percepção dos profissionais responsáveis pela área de logística.

A hipótese H2foi rejeitada, pois as avaliações de desempenho do indicador de custo de estoque não são iguais. Dentre os onze indicadores analisados, apenas em um indicador foi encontrada diferença entre as avaliações de desempenho realizadas pelos elos.

5. Conclusão

A competição real não acontece entre uma empresa e outra, mas entre cadeias de suprimentos. O novo paradigma competitivo é cadeia de suprimentos concorrendo com cadeia de suprimentos, e o sucesso de qualquer empresa dependerá da maneira como ela gerencia seus fluxos de materiais e de informações (fluxo logístico), ao longo da cadeia. Esse novo paradigma impõe a necessidade de um alto nível de integração e coordenação, entre os processos logísticos de empresas de uma mesma cadeia de suprimentos. Para isso, é necessário avaliar o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores logísticos internos e externos. A partir dos resultados obtidos, é possível alavancar mecanismos gerenciais que possibilitem a ligação entre os indicadores logísticos dos elos e a estratégia da cadeia de suprimentos como um todo, com o objetivo de oferecer um elevado nível de serviço ao cliente final.

Nesse sentido, a pesquisa mostrou que os elos da cadeia de refrigerantes utilizam mais os indicadores de desempenho, que avaliam a logística interna, do que os que avaliam a logística externa. Esse resultado demonstra claramente a maior preocupação das empresas com o desempenho logístico interno do que com o externo. A pesquisa mostra que os elos da cadeia atribuem uma grande importância à medição e ao gerenciamento dos custos de pedido, do giro de estoque, dos custos de estoque e armazenagem, dos custos de ruptura e de produtos avariados ou com data de validade vencida. Esse resultado pode ser atribuído à grande importância econômica e financeira que os indicadores de desempenho da logística interna assumem em qualquer empresa.

Entretanto, a logística interna é influenciada diretamente pela logística externa, sendo necessário às empresas também avaliarem o serviço prestado pelos seus fornecedores.

A utilização máxima dos indicadores da logística interna foi de 83%, obtida pela indústria e pelo fornecedor de embalagem. As taxas de utilização desses indicadores, encontradas para a cadeia, são relativamente baixas, levando-se em conta que os indicadores utilizados na pesquisa foram selecionados com o objetivo de abranger as principais atividades logísticas das empresas pertencentes à cadeia estudada.

Comparando-se as avaliações da logística interna e externa realizadas, foi encontrada diferença apenas nas avaliações de desempenho do indicador de custo de estoque, entre os elos da cadeia de refrigerantes. O indicador de custo de estoque e armazenagem de mercadoria da indústria foi pior avaliado do que o do atacado e do fornecedor de embalagem.

A partir dos resultados da pesquisa, várias contribuições podem ser levantadas neste artigo: a primeira é que ele possibilitou uma avaliação detalhada de como os elos da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes valoram os indicadores logísticos; O artigo também permitiu avaliar o desempenho logístico interno e externo das empresas participantes da cadeia de refrigerantes; Outra contribuição foi que ele permitiu comparar, entre os elos da cadeia, as avaliações de desempenho logístico realizadas. Por fim, o artigo permitiu identificar o percentual de empresas que utilizam os indicadores logísticos selecionados na pesquisa, avaliar o desempenho logístico de suas atividades e de avaliar o desempenho logístico de seus fornecedores.

Uma possibilidade de pesquisa futura é aprofundar a relação entre os indicadores de desempenho da logística interna e externa e a estratégia das empresas e da cadeia como um todo.

Recebido em 30/6/2004

Aceito em 25/11/2004

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Datas de Publicação

  •  Publicação nesta coleção
    11 Mar 2005
  •  Data do Fascículo
    Dez 2004

Histórico

  •  Recebido
    30 Jun 2004
  •  Aceito
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