As redes municipais de ensino no Brasil têm, em sua maioria, pouca ou nenhuma ação para aplicar uma lei que estabelece o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana na educação básica. Pouco menos de um terço das secretarias de Educação realiza ações organizadas, e mais da metade não disponibiliza dinheiro para o tema.
É o que aponta um levantamento feito pelo Geledés Instituto da Mulher Negra e o Instituto Alana, publicado nesta terça-feira (18). A pesquisa reuniu informações de 1.187 secretarias que responderam a questionários digitais em 2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A lei completou duas décadas em janeiro deste ano. Sua aplicação ainda depende, na maior parte do país, de iniciativas pontuais na sala de aula ou na formação de professores. Onde existe o apoio ainda falta estrutura administrativa e financeira para ampliar.
É o caso de Lorena Bárbara Costa, 45, professora há 17 anos na rede municipal de Salvador, na Bahia. "Ações ficam por conta de professores que são militantes e que defendem o estudo de conteúdos voltados para a lei."
Na capital baiana, ela atua em um dos núcleos que apoia ações de professores. "Tenho percebido que o maior desafio é fazer a formação continuada. Enquanto a gente tiver material para trabalhar e o professor não souber como fazer, a gente não avança."
O cotidiano de Lorena reflete as preocupações com o tema entre as secretarias que participaram da pesquisa. No Brasil, 49% das matrículas de crianças e adolescentes estão na rede municipal, segundo o Censo Escolar da Educação Básica de 2022.A maior parte das escolas ensina os conteúdos de história e cultura africana e afro-brasileira no primeiro segmento do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano (86%). Em seguida vêm a pré-escola (68%), segunda parte do fundamental, do 6º ao 9º ano (66%), e creche (58%).
Não há segmentação no estudo sobre o ensino médio, já que ele é oferecido por menos de 2% das secretarias municipais ?a maior parte dos alunos desta etapa está na rede estadual.
Entre as secretarias, apenas 29% têm ações contínuas para promover, no ensino, a história e a cultura africanas e afro-brasileiras. Em 2008, a lei foi complementada para incluir povos, história e cultura indígena.
Mais da metade (53%) têm ações ligadas a datas comemorativas, como a abolição da escravatura, em 13 de maio, e 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. Por outro lado, 18% relataram à pesquisa que não trabalham para cumprir a lei.
Para Tânia Portella, sócia e consultora em educação do Geledés, a pesquisa faz um retrato dos 20 anos da lei e do que ainda precisa ser feito.
"Quando a 10.639 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a expectativa era de dotação orçamentária, formação inicial e continuada para profissionais."
Ela diz que isso ainda precisa entrar em prática. "O grande dado aqui é valorizar quem mantém essa agenda ativa, sem deixar a lei cair no ostracismo, e cobrar quem não está fazendo.
A necessidade de investimento para cumprir o ensino das relações étnico-raciais é consenso. A pesquisa aponta que 39% das secretarias, segundo os gestores, investem ou têm recursos para ações de ensino. 52% não têm, e 9% dos gestores dizem não saber.
Além do recurso, apenas 5% contam com uma coordenação responsável pela área. 7% têm um e 14% dois ou mais profissionais.
Os cinco principais desafios para aplicar a lei são a ausência de apoio de outros entes, como governo estadual e federal, e organizações (53%), dificuldade de transpor os preceitos da lei para o currículo e os projetos (42%), a falta de informação sobre o tema na secretaria (33%), desinteresse e falta de mobilização dos profissionais (31%) e ausência de fiscalização para a implementação (20%).
"As redes municipais alegam a falta de apoio de outros órgãos, então isso é uma oportunidade de atuação. É o que esperamos de um governo federal que se diz preocupado com essa agenda", afirma Beatriz Benedito, analista de políticas públicas do Instituto Alana.
Para ela, os principais percalços apontados na pesquisa precisam de uma política coordenada. Para Benedito, o reforço deve vir com a volta da Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão), do Ministério da Educação, e a criação do Ministério da Igualdade Racial.
Já os principais temas apontados pelas secretarias municipais para ensino são diversidade de culturas quilombolas, afro-brasileiras e africanas (60%), gêneros, estilos e autores negros na literatura (43%), alimentação e cultura alimentar africana e afro-brasileira (33%), racismo e privilégios (32%) e apresentação de referências artísticas negras (21%)
Conheça os diferentes tipos de logísticas existentes e veja como eles impactam nosso dia a dia
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A logística é uma área de extrema importância para a sociedade, visto que ela está presente em todo o processo de fabricação e comercialização de um produto, que começa na entrada da matéria-prima na indústria e finaliza na entrega da mercadoria para o consumidor.
Atualmente, com o avanço da tecnologia e o aumento do consumo, as técnicas e métodos ligados a esse conhecimento estão ficando cada vez mais complexas e automatizadas, garantindo ainda mais precisão na execução dos serviços.
No entanto, mesmo que ela tenha um grande impacto no cotidiano, poucas pessoas conhecem os diferentes tipos de logísticas responsáveis por facilitar nosso dia a dia. Dessa forma, para você ficar por dentro do assunto, apresentamos quatro exemplos abaixo. Confira!
1. Logística de produção
A logística de produção pode diminuir os custos das empresas ao tornar a operação mais eficiente. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
A logística de produção é utilizada pelas indústrias para sistematizar todo o processo de fabricação de um produto. Desde a chegada da matéria-prima no local, até a saída do artigo para empresas e centros de distribuição, é preciso que os gerentes tenham total controle dos processos para evitarem prejuízos com acúmulo de mercadorias.
Além disso, essa modalidade também precisa considerar fatores externos, como os ligados à economia e a estatística, visto que, segundo a Academia de Logística, analisar esses cenários é uma forma de planejar a quantidade a ser produzida no curto, médio e longo prazo.
2. Logística de distribuição
Investir nesse tipo de logística aumenta a eficiência das entregas. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
A logística de distribuição é responsável por fazer os produtos adquiridos chegarem até o consumidor final, que pode ser através das lojas físicas ou do e-commerce, conceito usado para compras realizadas pela internet.
Segundo a Academia de Logística, para que esse processo seja concluído com sucesso, os profissionais devem seguir algumas etapas, como conferir cargas, planejar o roteiro das entregas, fazer o controle dos transportes, gerir os fretes e monitorar todo o percurso.
3. Logística reversa
Diferentemente dos outros tipos, a logística reversa começou a ser abordada apenas nas últimas décadas devido à preocupação ambiental. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Apesar de ser pouco conhecida, a logística reversa é utilizada todos os dias por milhões de pessoas em todo o mundo, dado que é através dela que diversos produtos podem retornar ao local de origem para serem comercializados novamente ou descartados em locais apropriados.
Esse tipo de logística é apontado por muitos especialistas como uma forma sustentável de comercializar produtos, visto que ela reduz a quantidade de lixo que seria descartada na natureza. No entanto, ela também é responsável, como exemplo, pela devolução de correspondências e mercadorias aos remetentes, algo muito presente em nosso cotidiano.
Com a logística de suprimentos é possível otimizar o estoque da matéria-prima e evitar que elas estraguem. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
A logística de suprimentos é uma das primeiras etapas a serem consideradas pelas empresas durante a produção de um produto. Isso por que é através dela que será esquematizado como a matéria-prima chegará ao local para ser transformada no produto desejado.
Segundo a LMX Logística, o profissional da área deve considerar aspectos como os melhores valores disponíveis no mercado, a quantidade a ser utilizada para a produção da mercadoria e o descarte dos resíduos que não forem utilizados.
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Fonte: Academia da Logística, LMX Logística, Desafios da Logística.
Acordos comerciais irão prever clausulas pandêmicas, criando embates e debates jurídicos e desenvolvendo acordos bilaterais entre os diversos países.
A demanda por inovação tecnológica pressionar por processos automatizados e eletrônicos, e mesmo projetos sem a maturidade requerida serão executados no curto prazo.
Operadores logísticos aderem ao trabalho em home-office, e projetos de empresas remotas na cadeia logística irão se desenvolver. Especialistas e Consultores logísticos serão mais do que necessários.
As companhias aéreas (duramente afetadas pela redução dos passageiros) deverão apostar ainda mais em consolidações acionárias, aumentando a concentração do setor.
Companhias marítimas, embora já concentradas, deverão ampliar fusões e aquisições com o objetivo de reduzir a concorrência e controlar o fluxo dos containers e das saídas dos navios. Quanto maior o controle do setor maior a estabilidade dos fretes marítimos.
Muitos países concluirão que a cadeia de abastecimento não foi capaz de atender a toda demanda, e haverá (ou deveria existir) um movimento nos países para estabelecer regras internacionais mais simplificadas no combate a uma pandemia.
A logística do pós-Covid19 reduzirá burocracias aduaneiras de entrada, dificultará a saída de equipamentos médicos hospitalares, ampliará a concentração de setores, forçará a diversificação de fornecedores, criando empresas remotas e obrigando governos e empresas a estabelecerem regras bilaterais.
A logística sempre foi crucial, e fica confirmada a sua importância em tempos de grandes demandas. Tudo que envolve eventos globais a logística sempre será um ator importante.
Logística é o processo de gerenciamento do fluxo de materiais e informações entre o ponto de origem e o ponto de destino, com o objetivo de atender às necessidades dos clientes. A área abrange a implementação e processos de aquisição, armazenamento, movimentação e distribuição de bens.
Na ciência militar, o efeito multiplicador de força é a combinação de fatores individuais que, quando juntos, criam a capacidade de atingir uma eficácia operacional desproporcionalmente alta. Interessante, mas você pode perguntar: o que isso tem a ver com as cadeias de suprimentos contemporâneas?
Simplificando, o multiplicador de força em termos de movimentação de bens globais é a unificação da cadeia de suprimentos. Ele representa a quebra de silos de tecnologia e processos de negócios - muitas vezes tradicionais - para permitir que cada parte da cadeia de suprimentos se comunique simultaneamente e trabalhe em conjunto para alcançar maior eficiência, transparência e sustentabilidade. Na Manhattan, gostamos de nos referir a esse processo como supply chain commerce.
Embora o supply chain commerce seja uma categoria emergente no mercado, em sua essência ele aborda o antigo problema de oferta e demanda. Claro, as tecnologias, as expectativas do consumidor, o zeitgeist da época e as tendências macroeconômicas globais continuam a mudar (tornando a necessidade de inovação necessária), mas o cerne da questão sempre foi mover mercadorias do ponto A para o B.
Em termos de demanda, nos últimos dois anos centenas de milhões de pessoas se tornaram mais conscientes digitalmente. O tempo é valioso para os consumidores modernos e eles esperam que as empresas conheçam seus gostos - e desgostos-, e atendam e seus pedidos como, quando e onde quiserem, independentemente do canal.
No entanto, ao considerar o fornecimento, muitos varejistas ainda operam cadeias de suprimentos anteriores aos recursos omnichannel e às expectativas do consumidor pós-covid, com alguns ainda gerenciando comércio eletrônico e lojas físicas independentemente um do outro.
Otimizados para casos de uso individuais e não ágeis o suficiente para atender às demandas em constante mudança dos consumidores de hoje, esses sistemas legados simplesmente não funcionam mais em um cenário de varejo onde o digital em primeiro lugar é uma aposta em termos econômicos, mas também de um ponto de vista ambiental e para a perspectiva da experiência do cliente.
Para enfatizar ainda mais esse ponto, em uma pesquisa recente, apenas 6% dos varejistas entrevistados comentaram que sabiam onde cada peça de estoque estava 100% do tempo, destacando ainda mais os desafios reais apresentados por processos que não se comunicam entre as funções, mesmo hoje.
O supply chain commerce representa mais do que a evolução do atendimento direto da oferta e da demanda: ele cria novas oportunidades para as marcas serem mais inteligentes sobre seus processos e operações, ao mesmo tempo em que oferece aos consumidores opções que os capacitam a escolher produtos mais ecológicos, mais sustentáveis, além de mais opções de envio e de devolução.
Ele está ativo desde o momento em que uma pessoa clica no botão de comprar agora. Desde funcionalidades intuitivas de autoatendimento digital que permitem ao consumidor alterar uma encomenda até à saída do armazém; processos de embalagem mais eficientes que reduzem o desperdício de espaço de remessa ou transporte aéreo; até uma rota otimizada que reduz as milhas de viagem, caminhões na estrada e aviões no ar. Os resultados são experiências excepcionais do cliente, maior alinhamento com os sentimentos do consumidor e resultados mais ecológicos para o planeta.
Entregar esses resultados não é algo que acontece por mágica. Somente unificando todos os elementos da jornada de compra (do site ao depósito e transporte, ponto de venda e fulfillment), os varejistas podem oferecer aos consumidores o que eles desejam de uma forma que não comprometa a lucratividade ou a saúde do planeta.
Quer se trate de análise estratégica ou aquisição, planejamento de força de trabalho operacional, visibilidade de estoque, autoatendimento digital ou até mesmo pagamento de frete, quando você unifica sistemas individuais em uma plataforma convergente, pode gerar eficiências significativas e variadas.
Seja menos quilômetros de entrega percorridos, menos tempo parado no trânsito ou menos devoluções processadas, os sistemas unificados da cadeia de suprimentos permitem que as marcas melhorem a fidelidade do cliente, impulsionem a sustentabilidade e também obtenham resultados financeiros mais significativos.
Seja com recursos omnichannel que incentivem um comportamento mais ecológico do consumidor e forneçam maior visibilidade de estoque para os colaboradores da loja e seus clientes; seja com soluções de gerenciamento de armazém e transporte mais inteligentes que funcionam lado a lado para fornecer resultados maiores do que a soma de suas partes individuais, o supply chain commerce veio para ficar.
E, além dos benefícios materiais que o supply chain commerce tem a oferecer aos varejistas e consumidores em todo o mundo, acreditamos que ele representa uma oportunidade para uma mudança de mentalidade. Significa uma chance única numa geração para repensar os processos de negócios tradicionais e seguir um caminho diferente em direção a um futuro mais verde e sustentável, onde a evolução das expectativas do consumidor, a lucratividade e a saúde do nosso planeta podem, e irão coexistir.
A OPME Log, empresa de distribuição logística hospitalar, anunciou a adesão ao Pacto Global da ONU. Segundo a companhia, o compromisso é ter uma frota de veículos 100% elétrica até 2030, além de implementar ações que ajudem a desenvolver o crescimento sustentável e da cidadania.
Outra ação que já está sendo implementada pela OPME Log – e que faz parte dos compromissos com o Pacto Global da ONU – é iniciar o processo de contratação de refugiados venezuelanos para compor o quadro de funcionários da empresa.
“Ser a primeira empresa no setor de OPME [Órteses, Próteses e Materiais Especiais] a ser signatária do Pacto da ONU, nos traz grande orgulho e esperamos conscientizar as grandes companhias a seguir um caminho sustentável em todos os sentidos, para juntos construirmos um futuro melhor para as próximas gerações”, disse o diretor da OPME Log, Michel Goya.
Segundo o executivo, a adesão ao Pacto Global da ONU fortalece o compromisso social e ambiental da empresa com uma tendência mundial. “Empreender no Brasil não é para qualquer um. São inúmeros desafios, e acredito que por isso seja tão difícil o empresário parar e pensar sobre o impacto que seu negócio tem na sociedade, no meio ambiente, nas pessoas, dentre outros. Entretanto, esse é um caminho que não tem mais como ser desviado. A tendência é que as empresas que coloquem em prática essas missões, sejam valorizadas no mercado”, ressaltou.
O PACTO GLOBAL
O Pacto Global da ONU foi criado em 2000 pelo então secretário das Nações Unidas, Kofi Annan. A iniciativa tem o objetivo de engajar as empresas a alinharem as suas estratégias e operações aos Dez Princípios Universais nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção e desenvolverem ações que contribuam para o enfrentamento dos desafios da sociedade.
Planejar, organizar, controlar e assessorar as nas áreas de recursos humanos, patrimônio, materiais, informações, financeira, tecnológica, entre outras; implementar programas e projetos; elaborar planejamento organizacional; promover estudos de racionalização e controlar o desempenho organizacional.
Peter Drucker : quem é, teoria na Administração, livros e frases
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Não há como falar em administração de empresas sem citar Peter Drucker.
A ideia de capital humano, que reconhece a importância dos funcionários para uma organização, é apenas um dos seus legados.
Observador e visionário, Drucker ficou conhecido como o pai da administração moderna, ampliando a perspectiva da sociedade sobre o que é gestão e o papel essencial das pessoas para o sucesso de qualquer empresa.
Ao longo de sua vida, atuou como professor, jornalista, economista e filósofo, registrando suas reflexões e teorias em mais de 30 livros, que impressionam por se manterem atuais, mesmo décadas depois de serem lançados.
Quer saber mais sobre a trajetória e a obra dessa referência no campo da gestão? Então, não perca nenhuma linha deste artigo.
A partir de agora, vamos falar sobre quem foi Peter Drucker, seu conceito sobre administração e como suas ideias podem melhorar o gerenciamento de companhias e carreiras nos dias de hoje.
Se desejar, você pode navegar pelos tópicos deste conteúdo:
Quem é Peter Drucker?
Onde Peter Drucker nasceu?
Qual é a teoria de Peter Drucker?
O que é administração para Peter Drucker?
Por que Peter Drucker é considerado o pai da administração?
Principais livros de Peter Drucker
Conceito da Corporação (1946)
Prática da Administração de Empresas (1954)
O Gestor Eficaz (1967)
As Novas Realidades (1989)
Sociedade Pós-Capitalista (1993)
Desafios Gerenciais para o Século XXI (1999)
Qual é a principal finalidade da empresa, segundo Drucker?
Como o consultor Peter Drucker entende o marketing?
Como o consultor Peter Drucker entende o planejamento estratégico?
Principais frases de Peter Drucker.
Boa leitura!
Quem é Peter Drucker?
Peter Ferdinand Drucker foi um consultor, escritor, acadêmico e notável economista, comumente chamado de “guru da administração” – apesar de não gostar desse título por relacionar a palavra guru ao charlatanismo.
Drucker foi um dos maiores pensadores do campo nos últimos tempos, colaborando com análises presentes e futuras a respeito da gestão de organizações durante os séculos 20 e 21.
Inclusive, chegou a tratar de assuntos contemporâneos como a globalização e os benefícios da descentralização dentro das empresas que, ao promover a autonomia, ganham agilidade em seus processos.
O pai da gestão moderna viveu entre 1909 e 2005, quando partiu, deixando um universo de conteúdos ricos e tendo influenciado personalidades como Bill Gates, fundador da Microsoft.
Pouco antes de falecer, continuava compartilhando seus conhecimentos, ministrando aulas de Ciências Sociais na Claremont Graduate California.
Seu legado deu novo sentido a termos como administração, liderança, marketing e a razão de existir das empresas.
Vamos detalhar essas concepções nos próximos tópicos.
Onde Peter Drucker nasceu?
Drucker nasceu em Viena, capital da Áustria, onde viveram grandes personalidades da música, cultura e ciência, a exemplo de Mozart e Sigmund Freud.
Ao longo de sua vida, o autor conheceu uma série de cidades e países – Estados Unidos, Alemanha e até o Brasil -, que colaboraram para sua visão ampla e diversa do mundo, além da aplicabilidade de suas teorias.
Qual é a teoria de Peter Drucker?
Praticamente todas as teorias atuais sobre gestão empresarial têm alguma relação ou aproveitam as premissas deixadas por Drucker.
Tanto que o escritor é um dos maiores nomes da Teoria Neoclássica da Administração, que descreve as abordagens iniciadas na década de 1950 e se estende até hoje.
Conforme cita o administrador André Boaratti no artigo “As Teorias da Administração em foco: de Taylor a Drucker“, o pensamento desse autor pode ser resumido em quatro pontos principais:
Foco na prática da administração
Reafirmação das proposições clássicas
Foco nos princípios gerais de gestão
Foco nos objetivos e resultados.
Já em suas primeiras obras, Drucker defendia uma ideia revolucionária para a época: a de que o cliente é a prioridade de uma organização, e não o produto.
Repare que essa concepção está na base de tendências bastante atuais, como a experiência do usuário (UX) e do marketing ou vendas centrados no cliente.
Até meados do século 20, as empresas eram orientadas por uma cultura diferente, graças a fatores como o monopólio e a escassez de produtos concorrentes.
Uma vez que dominassem um mercado, ainda que local, elas não precisam se preocupar muito com os desejos do consumidor, pois ele não tinha a opção de consumir um item ou marca diferente.
Portanto, o produto ou serviço é que se destacavam e guiavam os esforços dos gestores e trabalhadores.
Havia, assim, um mercado de massa, que buscava conquistar e atender a uma grande parcela de clientes.
Durante sua carreira, Peter Drucker percebeu que essa dinâmica estava passando por mudanças profundas, incluindo a valorização da individualidade.
A cultura de massa, que encaixava as pessoas em grupos estereotipados, começava a ser substituída por uma cultura de nichos, na qual os interesses de cada um é que ditavam sua forma de consumir.
Nesse contexto, o consultor vislumbrou a valorização das pessoas como um requisito fundamental para a evolução das organizações.
Esse pensamento englobava tanto os clientes quanto os funcionários, considerados, por ele, como o maior recurso das empresas.
Ao contrário de teorias anteriores, que viam os empregados como meras extensões das máquinas ou executores de tarefas, Drucker afirma que o conhecimento deles é o capital mais valioso de qualquer companhia.
Portanto, cabe às lideranças realizar uma gestão humanizada, aproveitando os talentos e experiências de todos para aprimorar seu produto ou serviço.
O que é administração para Peter Drucker?
O que é administração para Peter Drucker?
“Administração é fazer as coisas direito. Liderança é fazer as coisas certas”.
“O trabalho do administrador pode ser definido como planejar, organizar, ajustar, medir e formar pessoas.”
As frases acima, ditas por Drucker, dão uma boa ideia sobre como ele definia a administração – uma área necessária para o bom funcionamento de qualquer organização.
Seguindo esse raciocínio, podemos dizer que nenhuma organização existe sem que alguém a administre, mesmo que esse indivíduo não tenha formação nesse campo.
Aliás, o escritor foi um dos pioneiros em classificar a Administração como uma disciplina que poderia – e deveria – ser ensinada em ambiente acadêmico.
Em suas obras, explica que Administração não é uma ciência, e sim uma prática que precisa ser alimentada por outras disciplinas (Economia, Filosofia, Matemática, História, etc.) para formar saberes úteis no dia a dia.
Contudo, ele reconhecia que, para administrar, não é imprescindível ter conhecimento sobre esse setor, embora a formação qualifique e melhore o trabalho do gestor.
A administração requer atenção e informações básicas referentes à legislação, aspectos jurídicos e a estrutura de uma empresa.
Partindo desses saberes, será possível traçar um plano com metas e mitigação de riscos (planejar), gerir recursos de maneira eficiente (organizar), corrigir falhas pelo caminho (ajustar) e acompanhar de perto os resultados (medir).
Vale, ainda, observar que Drucker considerava a administração intrinsecamente ligada a funções de liderança (formar pessoas), pois, em grande parte do tempo, administrar implica em gerenciar uma ou mais equipes.
Por isso, um administrador completo executa sua função com base nos desejos e nas necessidades, não apenas do cliente, como também de seus funcionários.
Para tanto, o gestor necessita ter caráter, ou seja, ser agradável e simpático para se relacionar e extrair o melhor de cada empregado, resultando no aumento de sua satisfação e, por consequência, da produtividade.
Desse modo, a empresa terá o combustível necessário para crescer de forma sustentável.
Por que Peter Drucker é considerado o pai da administração?
O autor dedicou a vida a estudar e melhorar o modo como as organizações são administradas, a partir de diferentes ações.
Na prática, atuou como consultor em empresas como a General Motors (GM), ainda nos anos 1940, conhecendo de perto seu funcionamento.
No campo teórico, refletiu, aplicou e compartilhou seu aprendizado por meio de inúmeros artigos e mais de 30 livros, além de dar aulas e palestras em diversos países, inclusive no Brasil.
Mas sua fama, desde cedo, como o “pai da administração moderna” parece ter se consolidado por meio de duas de suas primeiras obras: “Conceito da Corporação” (1946) e “Prática da Administração de Empresas” (1954).
O primeiro descreve a gestão realizada na GM, enquanto o segundo reúne tópicos presentes na vida de qualquer administrador.
Juntos, eles deram base a princípios que orientam gestores de vários níveis, que trabalham em companhias de todos os portes e segmentos, como a importância de selecionar e conhecer os hábitos dos clientes em potencial.
Abaixo, comentamos ambas as obras, junto a outros livros do escritor.
Principais livros de Peter Drucker
Principais livros de Peter Drucker
Dentre uma extensa lista de obras, fica difícil escolher quais são as mais representativas.
No entanto, algumas delas ganharam maior popularidade, por isso, fazem parte da lista a seguir.
Acompanhe!
Conceito da Corporação (1946)
Fruto de um ano e meio de observações e consultoria prestada para a General Motors (GM), o livro conta de que forma funcionam as operações da companhia.
O conteúdo se destaca, em especial, por ser o primeiro relato formal a respeito e por lançar os fundamentos de uma das principais premissas de Drucker: a de que os colaboradores não representam custos e, sim, os recursos mais importantes de uma empresa.
Portanto, seu gerenciamento deve ser humanizado e favorecer o aperfeiçoamento dos profissionais, culminando em ganhos de produtividade e, com ela, a maior lucratividade para as organizações.
Prática da Administração de Empresas (1954)
Consiste em um compilado com uma série de tópicos presentes na rotina dos administradores de empresas, como a definição de objetivos claros e o papel do marketing para melhorar o desempenho da companhia.
O livro está dividido em 7 seções:
A Natureza da Administração de Empresas
A Administração de uma Empresa
A Administração de Administradores
A Estrutura da Administração
A Administração do Trabalho e do Trabalhador
O que significa ser Administrador
As Responsabilidades da Administração.
O Gestor Eficaz (1967)
Talvez seja a obra mais aclamada de Peter Drucker, tendo ganhado versões novas – atualizadas ao longo de sua existência.
“O Gestor Eficaz” trata da formação de executivos competentes através do ensino da eficácia – porque, na visão do autor, essa característica pode ser aprendida.
Contrariando a crença de que a liderança é um dom, Drucker aponta três requisitos para capacitar um gestor eficaz.
O primeiro é a organização ou gestão do tempo, recurso valioso e que não pode ser recuperado.
O segundo é o autodesenvolvimento, a busca pela melhoria contínua através da ampliação dos saberes, seja de maneira formal ou prática.
E o terceiro é a tomada de decisão correta, que parte de argumentos sólidos a respeito de impactos futuros, ainda que haja riscos em cada escolha.
As Novas Realidades (1989)
Baseado em percepções sobre os desafios após a década de 1980, o consultor apresenta um cenário macro, com pressões e oportunidades para governos e políticos.
Dentro dessa lógica, mostra paradoxos do desenvolvimento econômico, impactos sobre empresas e a sociedade pós-empresarial.
Sociedade Pós-Capitalista (1993)
A obra traz uma análise histórica das transformações que levaram uma sociedade originalmente capitalista a romper com seus próprios paradigmas.
Antes pautada pelas relações entre capital, terra e trabalho, a nova sociedade passa a adotar o conhecimento como principal recurso, reorganizando toda a lógica de consumo e da gestão empresarial.
Para responder e tirar proveito dessas mudanças, é preciso se abrir para uma mudança no mindset e compreender o papel de três estruturas fundamentais, que dão nome às partes do livro: Sociedade, Política e Conhecimento.
Desafios Gerenciais para o Século XXI (1999)
Essencialmente reflexiva, esta obra faz jus ao título de “guru” da administração dado a Drucker, com previsões a respeito de fatores cruciais para as empresas das próximas décadas.
Em vez de tratar assuntos como liderança, produtividade e tecnologia, o autor ressalta a necessidade de administrar as companhias como organismos vivos, considerando suas particularidades.
Qual é a principal finalidade da empresa, segundo Drucker?
Para Drucker, a principal finalidade de uma empresa é ter clientes e suprir suas necessidades e desejos, deixando-os satisfeitos.
As organizações adquirem, assim, um papel social, tendo como missão entregar valor à sociedade.
Essa concepção deixou para trás a ideia de que as companhias só existem para dar lucro, a despeito de seus impactos sobre a comunidade no entorno, o meio ambiente, os empregados e suas famílias.
Para alcançar sucesso, as empresas precisam coexistir de forma harmônica com todos esses componentes, sem afetá-los de maneira negativa ao colocar o lucro acima de todos eles.
Daí é que nasce a necessidade de uma gestão humanizada, que não se foque em “sugar” o trabalhador e, sim, em torná-lo produtivo mantendo ou elevando sua qualidade de vida no trabalho.
Como o consultor Peter Drucker entende o marketing?
Como o consultor Peter Drucker entende o marketing?
Mais que um departamento dentro da empresa, o professor compreendia o marketing como a única função da empresa, indo muito além das metas de venda ou anúncios.
Segundo o pensador:
“O objetivo do marketing é conhecer e entender o consumidor tão bem que o produto ou serviço se molde a ele e se venda sozinho.”
Afinal, o marketing é a representação do negócio, a forma como ele é sob o ponto de vista do cliente.
Nesse sentido, todos os integrantes da organização participam das ações de marketing, pois contribuem para construir e manter um relacionamento com o consumidor.
Esse relacionamento é modificado a cada interação, acrescentando fatores positivos, neutros ou negativos à percepção que o cliente tem sobre a empresa.
O marketing tem um papel crítico para qualquer organização, uma vez que conquistar um novo cliente exige muito mais recursos do que manter um antigo.
Portanto, gestores inteligentes devem trabalhar continuamente pela satisfação do cliente, já que, se estiver satisfeito, é provável que ele continue comprando um produto ou utilizando um serviço.
Desse modo, as vendas, conversões e aquisições são entendidas como consequências de se conhecer e colocar o consumidor no centro das ações desenvolvidas pelo negócio.
Como o consultor Peter Drucker entende o planejamento estratégico?
Na obra do escritor, o planejamento estratégico aparece dentro do conceito de gestão por objetivos, que auxilia os negócios a se tornarem mais ágeis e eficientes.
Nessa dinâmica, planejar é um processo útil para lidar com as incertezas do futuro, e o nível estratégico serve para os planos de longo prazo.
Isso porque cada decisão tomada pelo líder ou gestor inclui riscos, ainda que tenha o respaldo de dados e análises assertivas, pois envolve o futuro – que é, por definição, incerto.
O planejamento estratégico permite vislumbrar os resultados das ações atuais e/ou quais ações devem ser tomadas hoje para alcançar determinado objetivo no futuro.
Então, planejar estrategicamente deve ser um exercício constante, adaptando o plano de acordo com novas variáveis ou atitudes para minimizar os impactos negativos.
Ou, nas palavras de Drucker:
“O planejamento de longo prazo não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras das decisões presentes.”
Principais frases de Peter Drucker
Agora que já sabe mais sobre a vida e as teorias formuladas pelo pai da administração moderna, trazemos passagens emblemáticas desse pensador.
Confira, reflita e se inspire!
“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.”
“O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.”
“Quando você vê um negócio bem-sucedido é porque alguém, algum dia, tomou uma decisão corajosa.”
“O conhecimento era um bem privado, associado ao verbo saber. Agora, é um bem público ligado ao verbo fazer.”
“Cada decisão é arriscada: ela é um comprometimento de recursos presentes com um futuro incerto e desconhecido.”
“Mais arriscado que mudar é continuar fazendo a mesma coisa.”
“A única fonte de lucro é o cliente.”
Conclusão
Ao concluir a leitura, você aprofundou os conhecimentos sobre a história e o trabalho de Peter Drucker, uma das maiores autoridades no estudo e aplicação da Administração na modernidade.
Seu legado permitiu que muitos negócios se atualizassem para atender às necessidades do cliente, além de valorizar seus colaboradores.
Se ficou alguma dúvida ou tem uma dica, deixe um comentário abaixo.