30/04/2024

Eficiência Operacional.



O presente estudo evidenciou a importância crítica da **gestão de desempenho dos fornecedores** na Newstec Tecnologia e Comércio, uma empresa que se destaca no setor de mobilidade urbana. A implementação de **indicadores de desempenho** e a adoção de **técnicas avançadas de negociação e resolução de conflitos** permitiram não apenas avaliar a qualidade dos serviços prestados, mas também identificar e direcionar esforços para áreas que requerem melhorias significativas.

Os resultados alcançados reforçam a premissa de que uma **gestão de fornecedores eficaz** é um pilar essencial para a manutenção e ampliação da competitividade de mercado. Através de uma seleção rigorosa e monitoramento constante, foi possível contribuir para a **redução de custos** e **minimização de desperdícios**, ao mesmo tempo em que se fomenta a inovação, alinhando-se assim com as expectativas e necessidades dos clientes.

A pesquisa bibliográfica, as entrevistas com os colaboradores e a análise documental constituíram uma base robusta para o entendimento dos desafios operacionais e estratégicos enfrentados pela Newstec. As soluções propostas, embasadas em dados concretos e análises detalhadas, têm o potencial de fortalecer a **cadeia de suprimentos** e elevar a **eficiência operacional** da empresa.

Em resumo, a prática de medição de desempenho dos fornecedores se mostrou uma ferramenta de valor inestimável, que deve ser constantemente revisada e aprimorada para assegurar a adaptabilidade e resposta rápida da Newstec às dinâmicas de mercado. O comprometimento com a excelência na gestão de fornecedores se destaca como um **diferencial estratégico**, que certamente posicionará a empresa em um patamar superior no panorama empresarial nos anos vindouros.

* de Fornecedores, Competitividade, Inovação, Eficiência Operacional.

https://www.brasildefato.com.br/

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29/04/2024

Evaluation of the logistic performance of Brazil's soft drink supply chain


Resumos

Esse artigo tem como objetivo avaliar o desempenho logístico de quatro elos da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes (fornecedores de embalagem para refrigerantes, indústria de refrigerantes, atacado e supermercado), adotando como metodologia o survey eletrônico. As repostas foram analisadas utilizando-se os testes estatísticos Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, além de uma análise descritiva dos dados e da realização dos testes de hipótese. As empresas avaliaram o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores da logística interna e externa, e identificaram a percentagem de uso desses indicadores. A taxa média de respostas foi de 40%. A pesquisa mostrou que os elos da cadeia de refrigerantes utilizam mais os indicadores de desempenho, que avaliam a logística interna, do que os que avaliam a logística externa.

indicadores de desempenho em logística; cadeia brasileira de suprimento de refrigerante; efeito de chicoteamento; survey


An evaluation was made of the logistics performance of four links in Brazil's soft drink supply chain (soft drink packaging suppliers, soft drink industry, wholesalers and supermarkets), based on an electronic survey of 54 companies, from which a 40% response rate was obtained. The answers were analyzed based on the supply chain management theory, using the Mann-Whitney and Kruskal-Wallis statistical tests and a descriptive analysis of the data. The surveyed companies evaluated the logistic performance of the chain based on indicators selected from a literature review, and identified the percentage of use of these indicators. It was found that the links in the soft drink chain preferentially use internal logistics performance indicators more than external logistics indicators.

logistics performance indicators; Brazilian soft drink supply chain; survey; bullwhip effect


Avaliação do desenpenho logístico da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes

Evaluation of the logistic performance of Brazil's soft drink supply chain

Samuel Vieira Conceição; Ronan Torres Quintão

Departamento de Engenharia de Produção, Universidade Federal de Minas Gerais, Avenida Antonio Carlos, 6627, Pampulha, CEP 30161-010, Belo Horizonte, MG, e-mail: svieira@dep.ufmg.brrtquintão@dep.ufmg.br

RESUMO

Esse artigo tem como objetivo avaliar o desempenho logístico de quatro elos da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes (fornecedores de embalagem para refrigerantes, indústria de refrigerantes, atacado e supermercado), adotando como metodologia o survey eletrônico. As repostas foram analisadas utilizando-se os testes estatísticos Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, além de uma análise descritiva dos dados e da realização dos testes de hipótese. As empresas avaliaram o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores da logística interna e externa, e identificaram a percentagem de uso desses indicadores. A taxa média de respostas foi de 40%. A pesquisa mostrou que os elos da cadeia de refrigerantes utilizam mais os indicadores de desempenho, que avaliam a logística interna, do que os que avaliam a logística externa.

Palavras-chave: indicadores de desempenho em logística, cadeia brasileira de suprimento de refrigerante, efeito de chicoteamento, survey.

ABSTRACT

An evaluation was made of the logistics performance of four links in Brazil's soft drink supply chain (soft drink packaging suppliers, soft drink industry, wholesalers and supermarkets), based on an electronic survey of 54 companies, from which a 40% response rate was obtained. The answers were analyzed based on the supply chain management theory, using the Mann-Whitney and Kruskal-Wallis statistical tests and a descriptive analysis of the data. The surveyed companies evaluated the logistic performance of the chain based on indicators selected from a literature review, and identified the percentage of use of these indicators. It was found that the links in the soft drink chain preferentially use internal logistics performance indicators more than external logistics indicators.

Keywords: logistics performance indicators, Brazilian soft drink supply chain, survey, bullwhip effect.

1. Introdução

A Avaliação do desempenho é reconhecida por ser muito mais do que somente a aquisição de produtos a baixo preço. Os custos de estoque e armazenagem, custo de pedido e o giro do estoque em dias, são alguns dos indicadores universalmente utilizados para avaliar a logística interna de uma empresa.

O nível de serviço, prestado pelos fornecedores, pode ser medido por indicadores de desempenho como a quantidade ou percentagem de entregas realizadas dentro do prazo, o tempo de entrega, o recebimento do pedido de acordo com as especificações ou a percentagem de entregas devolvidas parcial ou integralmente.

Como a competição não acontece entre uma empresa e outra, mas entre cadeias de suprimentos, a avaliação do desempenho logístico assume papel relevante na avaliação da cadeia. Um excelente desempenho, nos níveis de serviço oferecido ao cliente, tende a aumentar de modo substancial o valor agregado em toda cadeia de suprimentos.

Portanto, torna-se necessário conduzir pesquisas com o objetivo de investigar como os elos (empresas) estão avaliando o nível de serviço logístico prestado pelos seus fornecedores, assim como pesquisar os indicadores mais apropriados para avaliar o desempenho logístico das empresas.

Segundo Daugherty et al., 1996, não há nenhum consenso universal sobre a definição de desempenho. Similarmente, não há nenhum consenso considerando quais fatores constituem os melhores indicadores de desempenho. Em algumas pesquisas, o desempenho tem sido avaliado pela análise das informações dos relatórios das empresas. Entretanto, os indicadores de desempenho, utilizados nessas análises, podem não ser apropriados e relevantes, quando o objetivo da análise é medir o desempenho de uma atividade, um negócio ou um processo específico como a logística (Stank et al., 1999). Outro problema relatado na literatura é quais indicadores devem ser utilizados para medir o desempenho.

O artigo apresenta uma pesquisa sobre a avaliação da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes, utilizando a metodologia de survey eletrônico. A pesquisa utiliza testes estatísticos com o objetivo de avaliar o desempenho logístico da cadeia e a utilização dos indicadores de desempenho logístico interno e externo das empresas participantes da cadeia de refrigerantes. A comparação entre as avaliações de desempenho logístico interno e externo das empresas (elos) é feita por meio de testes de hipóteses.

2. Referencial Teórico

A gestão da cadeia de suprimentos assume papel relevante e estratégico, na definição dos indicadores de performance do nível de serviço, que os elos participantes da cadeia desejam oferecer aos seus clientes internos e externos. No conceito de cadeia de suprimentos, as empresas devem promover esforços com o objetivo de otimizar a cadeia (Van Hoek, 1998). Isso implica que o ótimo local deve ser substituído pelo ótimo global da cadeia como um todo.

2.1 Gerenciamento da cadeia de suprimentos

A produção de bens industriais vem se tornando um negócio globalmente organizado e, geralmente, dominado por grandes companhias internacionais. Como é difícil para qualquer companhia administrar os recursos necessários para simultaneamente projetar, fabricar e distribuir os produtos, a agregação de valor ao longo de uma cadeia depende, fundamentalmente, da competência de cada elo em prover o melhor nível de serviço na cadeia de suprimentos. Com essa redistribuição de atividades de adição de valores entre os parceiros da cadeia de suprimentos, podemos dizer que produtos pertencem à cadeia de suprimentos e não a uma empresa (elo) isoladamente.

Um dos principais problemas encontrados na produção de bens industriais é a variabilidade entre a demanda prevista e a demanda real. A variabilidade nos padrões de emissão de pedidos e na demanda de uma cadeia ocorre porque os responsáveis pela emissão dos pedidos de compra modificam a previsão de demanda, ocasionando mudanças significativas ao longo da cadeia de suprimentos. Quanto mais a montante estiver o elo, maiores serão os efeitos negativos decorrentes das mudanças na previsão de demanda. Essa variabilidade ou amplificação de demanda foi observada, originalmente, e estudada por Forrester (1958, 1961). Os estudos pioneiros de Forrester inspiraram autores como Sterman (1989, 2000) a desenvolverem jogos (games) para demonstrar como a amplificação da demanda afeta negativamente a cadeia de suprimentos. Os estudos pioneiros de Forrester deram origem ao conceito de gestão da cadeia de suprimentos.

O gerenciamento da cadeia de suprimentos é um conceito baseado no controle da rede de trabalho e na integração de processos entre as empresas, tendo como foco o consumidor final (Van Hoek, 1998), no qual o compartilhamento da informação e o planejamento conjunto podem aprimorar de maneira significativa o nível de serviço oferecido ao cliente final. O gerenciamento da cadeia de suprimentos reconhece que a integração interna (integração entre as diversas áreas funcionais da empresa: marketing, logística, planejamento e controle da produção, etc.) por si só não é suficiente. A implementação desse conceito requer que as empresas implementem ações, objetivando tanto a integração interna quanto a integração externa, isto é, a integração entre os diversos departamentos das empresas participantes da cadeia (Daugherty et al., 1996; New, 1996). O conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos induz os elos participantes da cadeia a implementar conjuntamente o planejamento e coordenação do fluxo de materiais e de informações, de montante a jusante da cadeia, na forma de um sistema (cadeia) integrado. O impacto de uma decisão tomada em qualquer parte do sistema afetará o sistema como um todo (Xu et al., 2001; Weng e McClurg, 2003), de modo que ações de uma empresa afetam, de forma positiva ou negativa, os custos das outras empresas da cadeia de suprimentos.

Uma forte integração enfatiza diretamente um relacionamento de longo prazo, além de encorajar um planejamento e esforço conjunto na solução de problemas. Segundo Gunasekaran et al. (2001), a integração é um fator de melhoria da operação logística da cadeia de suprimentos sendo portanto, capaz de alavancar a competitividade da cadeia de suprimentos como um todo.

Entretanto, a integração interna e externa dos participantes da cadeia de suprimentos é uma tarefa complexa e geralmente implementada a longo prazo. Um dos motivos é a falta de conhecimento e entendimento do conceito de cadeia de suprimentos, assim como dos benefícios dessa integração. Outra explicação é a necessidade de mudança cultural, porque, até antes do surgimento do conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos, as práticas comerciais e de negócios entre os participantes da cadeia se baseavam, ou ainda se baseiam, em uma relação de perde/ganha (jogo de soma zero), em que um elo busca levar vantagem sobre o outro. Uma das estratégias de se evitar o jogo de soma zero é o compartilhamento de informação, o qual é definido por Neuman (1996) como uma das bases para a integração entre empresas participantes de uma cadeia. Os objetivos básicos do compartilhamento de informações devem ser o de melhorar o conhecimento da demanda e comportamento futuro do consumidor, aumentar o poder de predição das flutuações da demanda, melhor gerenciar sua variabilidade, além de um melhor controle de seus volumes (Whiteoak, 1999).

Os elos de uma cadeia devem desenvolver uma base de informação comum por meio da utilização do intercambio eletrônico de dados (EDI/formato de dados padrão), definição de um plano único e compartilhado de suprimentos, assim como mecanismos de avaliação do comportamento dos lucros e das contingências esperadas (Whiteoak, 1999; Yu et al., 2001). O compartilhamento da informação na cadeia de suprimentos gera uma grande vantagem na conexão dos negócios, utilizando-se algumas ferramentas como o Estoque Gerenciado pelo Fornecedor (VMI - Vendor Management Inventory), o cross-docking e a resposta rápida (QR - Quick Response).

O gerenciamento da cadeia de suprimentos é um conceito necessário, para se implementar uma estratégia de mercado bem concebida, mas não consegue desfazer totalmente os efeitos de uma estratégia de mercado mal concebida. É imperativo para as empresas assegurar que a implementação de suas estratégias de logística, de produção, qualidade e de compras, táticas e medição de desempenho estejam corretamente alinhadas com as estratégias das áreas financeira, operacional, marketing, desenvolvimento de novos produtos e vendas (Tan et al., 1999).

2.2 Indicadores de desempenho

Globerson (1985), ao analisar a relação entre estratégias, ações e medições, recomenda que os sistemas de medição de desempenho (SMD) devem: (i) ser derivados da estratégia corporativa da empresa; (ii) fornecer uma retroalimentação (feedback) precisa; (iii) ter metas específicas e claras; e (iv) ser claramente definido e objetivo. Neely (1999) define que os SMD são constituídos de várias partes fundamentais, tais como: (i) indicadores próprios que quantificam a eficiência das ações; (ii) um conjunto de medidas que combinam entre si para obter o desempenho da organização como um todo; e (iii) uma infra-estrutura de suporte que possibilite a obtenção, confrontação, análise e interpretação de dados.

A avaliação do desempenho da logística é multidimensional, envolvendo vários indicadores (Chow, 1994). Nenhum indicador isoladamente é suficiente para medir o desempenho logístico de uma cadeia de suprimentos. Chow (1994) realizou, por meio de uma revisão bibliográfica nos cinco principais periódicos mundiais sobre logística de 1982 a 1992, um estudo sobre a avaliação de desempenho logístico que revelou a imensa variedade de definições e indicadores existentes sobre o tema. Segundo Chow, isso pode ser atribuído aos diversos interesses dos pesquisadores e à complexidade do tema. Outra fonte de divergência entre os pesquisadores é a definição de qual tipo de indicador é importante. O estudo de Chow mostrou ainda que os inúmeros estudos sobre indicadores de desempenho versam sobre as atividades logísticas, sobre as funções logísticas ou sobre o desempenho das empresas.

Segundo Holmberg (2000), as empresas ainda utilizam indicadores internos para avaliar o desempenho de suas atividades logísticas, sendo necessário desenvolver uma nova forma de avaliação de desempenho para a cadeia de suprimentos, utilizando-se, conjuntamente, indicadores externos e internos para se avaliar o desempenho de toda a cadeia, de modo que, trabalhando em conjunto, as empresas consigam atingir o melhor retorno do negócio da cadeia de suprimentos a que pertencem.

Como a competição é tipificada menos por empresa contra empresa e mais por cadeia de suprimento contra cadeia de suprimento, os líderes da cadeia de suprimentos estão buscando formas eficazes de melhor coordenar e integrar a cadeia de suprimentos, ou fazer o gerenciamento da cadeia como corporações virtuais, ou seja, por meio de uma configuração de modelo integrado de parceria na cadeia de suprimento. As formas de melhor coordenar a cadeia de suprimentos depende da relação entre as estratégias traçadas pelos elos fortes da cadeia para atingir sua integração, e os indicadores de desempenho utilizados para mensurar, como e de que maneira, os elos contribuem para a coordenação e integração da cadeia de suprimentos.

2.3 Relação entre estratégias e indicadores de desempenho

As estratégias servem como guia para as empresas desenvolverem e utilizarem recursos chaves, para se atingir os objetivos desejados em um ambiente dinâmico e competitivo (Fawcett et. al., 1997). O ponto crítico é a identificação das estratégias prioritárias, que fornecerão a direção para o desenvolvimento da organização. Uma vez identificadas e selecionadas, seu impacto na operação é determinado pela maneira como elas são comunicadas para a organização, assim como a freqüência e a sistemática de avaliação e medição delas. Os esforços para se desenvolver uma excelência operacional, tendo como suporte as estratégias, são influenciados potencialmente pelos indicadores que monitoram as atividades que agregam valor ao negócio. Dessa forma, os indicadores têm grande influência no comportamento de toda a organização, permitindo ainda analisar se os objetivos previamente traçados pelo planejamento estratégico foram realizados.

Uma das razões da complexidade do gerenciamento e avaliação da cadeia de suprimentos é a dificuldade em se definir as fronteiras do sistema a ser mensurado.

Outro problema que merece atenção é a falta de ligação entre estratégia e indicadores de desempenho (Holmberg, 2000). Inúmeras iniciativas de medição não são derivadas da estratégia, não fornecendo suporte às estratégias da organização. Um número surpreendente de empresas não consegue mensurar as variáveis descritas em suas estratégias. Por causa dessa falta de ligação, as atividades de medição de desempenho são focadas nas funções internas das organizações, ao invés de serem no desempenho de toda a empresa e nas necessidades dos clientes. Uma atenção substancial será necessária na articulação da relação logística das estratégias das empresas e no desenvolvimento de novos indicadores de desempenho logístico. As lacunas existentes entre as estratégias e os indicadores de desempenho indicam uma necessidade de se repensar a estratégia organizacional e sua implementação (Fawcett et al., 1997).

Já no âmbito da avaliação da cadeia de suprimentos como um todo, muitas organizações não obtiveram êxito na maximização do potencial de suas cadeias de suprimento, porque falharam em desenvolver indicadores ou sistemas necessários para integrar e maximizar sua eficiência (Gunasekaran et al., 2004).

As características básicas para um bom sistema de medição do desempenho na cadeia de suprimentos são (Handfield e Nichols 1999): (i) medir o desempenho da cadeia de suprimentos como um todo, ao invés de medir isoladamente o desempenho dos participantes da cadeia; (ii) ter um foco central na melhoria contínua e serviço ao cliente final; e (iii) permitir que gerentes não somente identifiquem, mas também eliminem as causas dos problemas operacionais e estratégicos da cadeia de suprimentos.

Outras características básicas dos sistemas de medição de desempenho na cadeia de suprimentos que devem ser incluídas são: (i) alterações nas médias de volume dos estoques mantidos e a freqüência de giro de estoque por meio da cadeia de suprimentos (Fawcett e Clinton, 1997); (ii) adaptabilidade da cadeia de suprimento, como um todo, em atender às necessidades emergentes dos clientes (Gilliland e Bello, 1997); e (iii) a extensão de que o relacionamento da cadeia de suprimentos é baseado em confiança mútua (Fawcett e Clinton, 1997).

3. Metodologia

A pesquisa teve como escopo o estudo dos seguintes elos da cadeia de refrigerantes: 1) supermercado; 2) atacado; 3) indústria de refrigerantes; e 4) fornecedor de embalagem para refrigerantes. Além desses quatro elos, a pesquisa também avaliou, de forma indireta, o desempenho logístico de mais dois elos da cadeia: 1) fornecedor de ingredientes para a fabricação de refrigerante; e 2) fornecedor de matéria-prima para a fabricação das embalagens para refrigerante. A avaliação foi indireta porque esses dois elos não responderam ao questionário, mas o serviço logístico de ambos foi avaliado pelas indústrias e pelos fornecedores de embalagem, respectivamente. A pesquisa utilizou a metodologia de survey eletrônico.

Figura 1 apresenta os elos participantes da pesquisa e as avaliações realizadas.


A pesquisa selecionou na literatura (Chow et al., 1994; Fawcett et al., 1997; Daugherty et al., 1996; Neely 1999; Van Hoek, 1998; Stank et al., 1999; Holmberg 2000; Gunasekaran et al., 2001; Gunasekaran et al., 2004), os indicadores relevantes de medição de desempenho da logística, abrangendo as dimensões da logística interna e externa da empresa.

Um questionário estruturado foi enviado por correio eletrônico às empresas. A avaliação do desempenho foi baseada nas respostas dos profissionais da logística das empresas da cadeia de refrigerantes, sendo realizada uma avaliação da logística interna e do serviço logístico prestado pelos seus fornecedores da cadeia de refrigerantes (logística externa). A logística interna compreende os custos de pedido, custos de estoques e armazenagem, custo de transporte, giro de estoques em dias, produtos perdidos (avaria ou data de validade vencida) e produtos faltantes, sendo que, nesse caso, a pesquisa não identificou se a ruptura de estoque significava venda perdida ou postergada. Já a logística externa compreende as entregas realizadas dentro do prazo pelo elo fornecedor, as entregas devolvidas, parcial ou integralmente, o recebimento de produto de acordo com as especificações de qualidade e validade, o atendimento do pedido e o tempo de entrega do fornecedor em dias.

Nas empresas em que havia um departamento de logística, os respondentes da pesquisa foram os diretores ou gerentes de logística. Naquelas em que a logística estava subordinada a outros departamentos, como os departamentos de marketing ou planejamento da produção, os respondentes da pesquisa foram os diretores ou gerentes daquelas áreas.

Segundo Simsek (1999), o survey eletrônico tem como vantagens a economia de custo e a velocidade na realização da pesquisa. No presente estudo, a metodologia de survey eletrônico se mostrou a mais adequada, para os propósitos da pesquisa de descrever e explicar o desempenho logístico das empresas participantes da cadeia de suprimentos de refrigerantes, porque ela permitiu construir um conjunto de indicadores que, coletivamente, capturou a maior parte possível, senão todas, das mais importantes dimensões do desempenho logístico. Além disso, em comparação ao estudo de caso único ou múltiplo, o survey, enquanto instrumento metodológico, permite generalizar, de forma mais abrangente, os resultados da pesquisa, dado que, para se obter validação da pesquisa, é necessário um número estatisticamente representativo do universo das empresas pesquisadas. Outra vantagem do survey é que a escolha das empresas, que participaram da pesquisa, foi feita de maneira aleatória, garantindo assim o poder de generalização dos resultados encontrados.

Foram selecionados onze indicadores de desempenho, que serviram como base para a avaliação da logística, utilizando-se a escala de Likert, que variou de 1 (péssimo) a 5 (ótimo). O questionário foi enviado por e-mail e disponibilizado na internet para as empresas responderem.

Diante do objetivo da pesquisa de avaliar o desempenho logístico da cadeia de suprimentos da indústria de refrigerantes, buscou-se selecionar os indicadores logísticos capazes de avaliar a logística interna e externa, os quais são monitorados periodicamente pelas empresas, de maneira formalizada. Durante a fase de pré-teste do questionário, a importância dos indicadores utilizados na pesquisa foi avaliada e ratificada pelas empresas.

O objetivo da presente pesquisa foi de avaliar a logística no nível operacional das empresas, trabalhando com indicadores que podem ou devem ser controlados periodicamente pelas organizações. Dessa forma, a própria avaliação do desempenho logístico passa a ser mais tangível para o respondente, uma vez que está relacionada diretamente com variáveis como tempo, número ou porcentagem.

Os indicadores utilizados na pesquisa foram selecionados com o objetivo de abranger as principais atividades logísticas das empresas pertencentes à cadeia estudada.

Os indicadores utilizados para avaliar a logística interna das empresas foram: I.1) custo de pedido; I.2) custo de estoque e armazenagem; I.3) custo de transporte; I.4) giro de estoque em dias; I.5) produtos perdidos (quebra ou manuseio inadequado); e I.6) produtos faltantes no estoque (ruptura de estoque).

Os indicadores utilizados para avaliar o serviço prestado pelos fornecedores foram: E.(1) entregas realizada dentro do prazo negociado; E.2) entregas devolvidas parcial ou integralmente; E.3) recebimento de produto de acordo com as especificações de qualidade e validade; E.4) atendimento do pedido realizado (produtos entregues versus produtos pedidos); e E.5) tempo de entrega de mercadorias do fornecedor.

O questionário foi enviado para todas as empresas do cadastro, construído a partir da relação das associações nacionais dos fabricantes de embalagem de alumínio (ABAL) e PET (ABEPET), das indústrias de refrigerante (ABIR) e dos atacados e distribuidores (ABAD). No caso do elo supermercadista, foi utilizada a relação das quinhentas maiores empresas do setor, fornecida pela associação brasileira de supermercados (ABRAS), sendo, nesse caso, necessário calcular uma amostra, pelo grande número de empresas. Utilizando-se a técnica de amostragem aleatória sistemática, com um erro de 0.50, desvio de 1,0 e nível de confiança de 95%, a amostra final calculada foi de 62 empresas supermercadistas.

As repostas foram analisadas utilizando-se os testes estatísticos Mann-Whitney Kruskal-Wallis, além de uma análise descritiva dos dados. As empresas avaliaram o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores da logística interna e externa e identificaram a percentagem de uso desses indicadores.

A pesquisa também utilizou os teste de hipóteses, utilizando a análise estatística de comparação de populações, para fazer a comparação entre as avaliações de desempenho logístico interno e externo das empresas.

4. Resultados

4.1 Taxa de resposta

A taxa média de resposta da pesquisa foi de 40,3%, bem superior às taxas de resposta citadas na literatura. A Tabela 1 mostra as taxas de resposta do questionário aplicado a cada elo, assim como a taxa de resposta da pesquisa realizada.

O elo fornecedor apresentou a maior taxa de resposta com 58,3%, seguido pelo elo indústria com 42,2%. O elo atacado apresentou a terceira maior taxa de respostas com 40,9% e o elo supermercado teve a menor taxa de resposta da pesquisa, com 30,6%.

Os profissionais de todas as empresas fornecedoras da população possuíam e-mails pessoais e se mostraram interessados na pesquisa. Talvez seja esse o motivo da elevada taxa de resposta obtida. Na indústria, nem todos os profissionais possuíam e-mail próprio, apesar de todos terem acesso à internet, sendo que a taxa de resposta foi obtida com um número menor de ligações do que as realizadas para o atacado. No caso em que a pessoa responsável por responder ao questionário não estava bem definida no organograma da empresa, foi necessário estabelecer vários contatos por telefone para identificar o perfil do respondente mais adequado aos objetivos da pesquisa e, dessa forma, garantir que as pessoas que estavam respondendo ao questionário estavam de fato respondendo pela organização. Os atacadistas apresentaram uma taxa de resposta elevada, depois de várias ligações e da aplicação do questionário também por fax. Por fim, o setor supermercadista foi o elo de maior dificuldade de obtenção das respostas. Os profissionais da maior parte das empresas desse elo tinham acesso à internet, mas não possuíam e-mails próprios. Além disso, o entendimento da importância e aplicação dos resultados da pesquisa foi mais difícil que nos demais elos. Várias ligações telefônicas foram necessárias para se obter o número de resposta estatisticamente desejado.

Em todos os casos, o questionário teve a preocupação de identificar claramente, dentro da organização, o respondente que poderia representá-la de forma adequada, tanto em termos de conhecimentos formais sobre o tema da pesquisa, quanto em relação à avaliação da organização sobre o desempenho dos elos da cadeia.

4.2 Indicadores logísticos utilizados pelas empresas pesquisadas

Os indicadores logísticos são utilizados para direcionar as atividades das empresas, tendo como base as estratégias organizacionais. Esses controlam e mensuram as atividades realizadas pela empresa, fornecendo dados para a avaliação do desempenho logístico da organização. Os indicadores de desempenho da logística externa estão descritos na Tabela 2 e os da interna, na Tabela 3.

Tabela 2 descreve a porcentagem de empresas que utilizam os indicadores de desempenho do serviço logístico, prestado pelos fornecedores da cadeia de refrigerantes. O cálculo da porcentagem foi realizado para cada elo da cadeia. Por exemplo: dos sete fornecedores de embalagem que participaram da pesquisa, cinco responderam que utilizam o indicador de entregas realizadas dentro do prazo, sendo a sua utilização de 71% (5/7).

Entre as empresas pesquisadas, a indústria é o elo que mais utiliza os indicadores listados na Tabela 2. Esse elo utiliza 72% dos indicadores logísticos, sendo seguido pelo fornecedor de embalagem (63%), pelo supermercado (59%) e pelo atacado (58%).

O indicador menos utilizado pelas empresas pesquisadas é o de entregas devolvidas, parcial ou integralmente. O indicador mais utilizado é o de tempo de entrega de mercadorias do fornecedor, sendo seguido pelo indicador de recebimento da mercadoria dentro do prazo negociado. O resultado indica o elevado valor dado pelas empresas à velocidade de entrega, ressaltando indiretamente a importância do tempo de ressuprimento (lead time). O desempenho do fornecedor, na entrega das mercadorias, influencia diretamente o estoque da empresa. Quanto pior o desempenho nesse quesito maior é o estoque de segurança necessário para evitar rupturas ou falta de produtos para os seus clientes e, conseqüentemente, maiores os custos logísticos para a empresa e a cadeia, traduzindo-se, finalmente, em maiores custos para o cliente final, comprometendo a competitividade da cadeia, isto é, o nível de serviço oferecido ao cliente final.

Tabela 3 descreve a utilização dos indicadores logísticos de avaliação interna das empresas pesquisadas. O cálculo também foi realizado para cada elo. Por exemplo: dos sete fornecedores de embalagem que participaram da pesquisa, três responderam que utilizam o indicador de custo de pedido, sendo a sua utilização de 43% (3/7).

A indústria (83%) e o fornecedor de embalagens (83%) são os elos que mais utilizam os indicadores listados na Tabela 3, seguido do elo atacadista (69%) e, por fim, o supermercado (66%).

O indicador mais utilizado pelos elos, com exceção da indústria, é o giro de estoque em dias, refletindo a preocupação das empresas com o fluxo de caixa. O mais utilizado pela indústria é o indicador de produtos perdidos e faltantes (95%). Por se tratar de produtos perecíveis com impacto na saúde do consumidor, a indústria despende uma grande importância a esse indicador, visto que, em caso de contaminação ou apreensão de lotes de produtos vencidos pela vigilância sanitária, ele tem um grande peso na imagem de marca da empresa.

O indicador menos utilizado por todos os elos é o custo de pedido, o que reflete a dificuldade dos elos da cadeia em sistematizar e mensurar esse custo, apesar da sua importância nos custos logísticos totais.

Outro aspecto revelado na Tabela 3, é a baixa utilização dos indicadores logísticos (exceto o giro de estoque) pelos elos atacadista e supermercadista, o que pode demonstrar a pouca importância atribuída por esses elos aos indicadores logísticos, assim como a pouca sensibilidade aos esforços para melhor coordenar e integrar toda a cadeia.

Relacionando as Tabelas 2 e 3, verifica-se que os indicadores logísticos de avaliação interna das empresas são mais utilizados por todos os elos pesquisados do que os indicadores de avaliação do serviço prestado pelos fornecedores da cadeia de refrigerantes.

As empresas estão mais preocupadas em medir o desempenho logístico interno do que o externo. Entretanto, o desempenho externo influencia diretamente o interno, pois as ações individuais de cada elo interferem no desempenho da cadeia. As empresas, além de medirem o desempenho da logística interna, devem também medir o serviço logístico prestado pelos seus fornecedores, com o objetivo de melhorar o seu próprio desempenho e o da cadeia.

4.3 Comparação entre as avaliações realizadas

A comparação entre as avaliações das empresas foi realizada utilizando-se testes estatísticos não paramétricos de comparação de duas ou mais populações, para verificar se há diferença de desempenho logístico entre elas, porque os dados não seguiram uma distribuição normal, violando um dos pressupostos para a realização de testes estatísticos paramétricos. Um dos motivos da violação desse pressuposto foi a pequena quantidade de empresas pertencentes aos elos da cadeia estudada e o objetivo da pesquisa de comparar o desempenho logístico entre eles. Dessa forma, os testes que mais se adequaram aos objetivos da pesquisa e aos dados coletados foram os não-paramétricos U de Mann-Whitney, de comparação de duas populações, e o teste Kruskal-Wallis, de comparação de mais de duas populações.

O desempenho logístico da cadeia de suprimentos é constituído pelo desempenho de seus elos. Portanto, o objetivo foi identificar os elos que possuem as melhores e as piores avaliações, quanto à logística interna e quanto aos serviços logísticos prestados para os elos mais a jusante da cadeia (logística externa). As hipóteses testadas estão descritas no Quadro 1.


Embora os elos da cadeia sejam submetidos a forças competitivas diferentes, quando analisamos cada um dos elos isoladamente, face aos seus concorrentes, as hipóteses 1 e 2, se justificam pelo fato que os indicadores da logística externa e interna são importantes tanto do ponto de vista da competição entre empresas do mesmo segmento, quanto do ponto de vista da cadeia de suprimentos. Esses indicadores têm impacto decisivo no resultado operacional das empresas e, portanto, no nível de serviço prestado ao cliente final. Uma outra justificativa para o estabelecimento dessas hipóteses, é que, com os indicadores de desempenho da logística interna e externa selecionados na pesquisa, torna-se possível avaliar os elos por meio de indicadores de desempenho logístico universais, de avaliar o desempenho dos fornecedores por meio da avaliação do desempenho da logística externa, assim como avaliar a utilização pelas empresas dos indicadores da logística interna. Com isso torna-se possível, em função dos resultados obtidos na pesquisa, fazer inferências ou estabelecer conclusões sobre como a coordenação da cadeia poderia ser melhorada.

As avaliações foram realizadas tendo-se como base a escala Likert, de um a cinco, sendo que, nessa escala, o valor extremo à esquerda (um) representa desempenho logístico péssimo e o valor extremo à direita cinco, desempenho logístico ótimo. Os respondentes da pesquisa foram os diretores ou gerentes de logística das empresas pesquisadas, conforme descrito acima.

4.4 Avaliação dos indicadores da logística externa

Tabela 4 apresenta a freqüência, em porcentagem, das avaliações dos indicadores da logística externa realizadas pelas empresas participantes da pesquisa, sendo 1, péssimo, e 5, ótimo.

De acordo com os dados da Tabela 4, os indicadores E.3 e E.4 tiveram maior concentração nas notas quatro e cinco, com uma participação geral de 89,5% (53,5 + 36,0) e 81,3% (52,3 + 29,0), respectivamente. Esse resultado indica que o recebimento de produto, de acordo com as especificações de qualidade e validade, reflete a preocupação das empresas com a saúde do consumidor. Observa-se que esse resultado também foi observado quando da avaliação da logística interna. O atendimento do pedido realizado (produtos entregues versus produtos pedidos – E.4) está, provavelmente, relacionado com a preocupação das empresas com a ruptura de estoques.

Os indicadores E.1 e E.5 tiveram as suas notas concentradas nas notas três, quatro e cinco, com 92,8% (20,9 + 53,5 + 17,4) e 89,5% (25,6 + 43,0 + 20,9), respectivamente. O indicador E.2 foi o que apresentou menor concentração nas avaliações em relação aos demais indicadores, refletindo a divergência dos elos da cadeia quanto a importância do indicador logístico entregas devolvidas integral ou parcialmente.

Com o objetivo de verificar a dispersão das respostas em torno da média dos elos, foi realizada uma análise do desvio-padrão das respostas obtidas. A Tabela 5 apresenta as médias e os desvios-padrão (DP) das avaliações dos indicadores do serviço logístico, prestado pelos diversos elos (avaliador e avaliado) da cadeia de refrigerante.

Observa-se que os elos avaliados obtiveram uma média elevada no indicador logístico E.3, ratificando a importância do aspecto qualidade e validade do produto ou matéria-prima, estando todos os elos sincronizados com essa preocupação.

A relação indústria-supermercado é uma das mais tensas dessa cadeia. A indústria, quando avaliada pelo elo supermercadista obtém uma média baixa no indicador E.2 (entregas devolvidas parcial ou integralmente) e uma média elevada no indicador E.3. Nota-se ainda que todos os avaliados no indicador E.2 obtiveram baixa pontuação. Esse resultado evidencia que todos os elos da cadeia precisam alavancar esforços no sentido de diminuir a quantidade de produtos devolvidos parcial ou integralmente, embora a pesquisa não tenha se aprofundado nos motivos dessas devoluções.

De maneira geral, a Tabela 5 mostra que, na avaliação feita pelos elos da cadeia de suprimentos, como um todo, o indicador E.2 obteve a pior média e o indicador E.3, a melhor, indicando, mais uma vez, a unanimidade de todos os elos, quanto à importância da qualidade e validade da matéria-prima e produto final, como indicador do nível de serviço.

Para verificar se as avaliações foram iguais ou não, foi realizado o teste Kruskal-Wallis (Tabela 9 do ANEXO), com um nível de significância de 0,05. Nenhuma diferença das avaliações dos 5 indicadores entre os elos foi encontrada, pois todos os p-valores foram maiores que 0.05, não havendo evidências para se rejeitar a hipótese H20. Conclui-se que as avaliações dos indicadores da logística externa, entre os elos, são iguais, segundo as respostas dos respondentes.

4.5 Avaliação dos indicadores da logística interna

Tabela 6 apresenta a freqüência, em porcentagem, das avaliações dos indicadores da logística interna, realizadas pelas empresas participantes da pesquisa, sendo 1, péssimo e 5, ótimo.

Todos os indicadores apresentaram maior concentração nas notas 3, 4 e 5: 92,6%, 90,7%, 90,7%, 96,3%, 88,9% e 88,9%, seguindo a ordem dos indicadores (Tabela 7). Esse resultado evidencia a grande ênfase que os elos atribuem aos custos logísticos internos e, conseqüentemente, ao efeito desses custos no desempenho da empresa.

Tabela 7 apresenta as médias e os desvios-padrão (DP) das avaliações dos indicadores da logística interna das empresas.

Para verificar se as avaliações foram iguais ou não, foi realizado o teste Kruskal-Wallis (Tabela 10 do ANEXO), com um nível de significância de 0,05. Foi encontrada diferença entre as médias das avaliações feitas pelos elos do indicador custo (p = 0,023). Há evidências para se rejeitar a hipótese H20, pois as avaliações de desempenho realizadas pelos elos do indicador de custo de estoque não são iguais.

Para verificar em quais elos as avaliações do indicador de custo de estoque são diferentes, foi realizado o teste Mann-Whitney U (Tabela 11 a 16 do ANEXO). Duas diferenças foram encontradas: 1) entre a indústria e o atacado; e 2) entre a indústria e o fornecedor de embalagem. A Tabela 8 descreve as diferenças encontradas na avaliação do indicador de custo de estoque.

Conforme descrito na Tabela 8, pode-se afirmar que a avaliação do indicador de custo de estoque da indústria foi pior (3,26) que a avaliação do custo de estoque do atacado (4,22) e que a do fornecedor de embalagem (4,29). A avaliação desse indicador realizada pelo supermercado foi igual à da indústria, pois não foi encontrada diferença significativa entre as duas.

4.6 Resumo dos resultados das hipóteses

As hipóteses foram testadas utilizando a análise estatística de comparação de populações. O Quadro 2 apresenta o resultado dos testes, com um nível de significância de 0,05.


Os resultados do survey demonstraram que não há evidências para rejeitar a hipótese das avaliações dos indicadores logísticos externos (H10), podendo-se concluir que as empresas da cadeia de refrigerantes avaliaram o desempenho do serviço logístico, prestado pelos fornecedores da cadeia, de forma semelhante, de acordo com a percepção dos profissionais responsáveis pela área de logística.

A hipótese H2foi rejeitada, pois as avaliações de desempenho do indicador de custo de estoque não são iguais. Dentre os onze indicadores analisados, apenas em um indicador foi encontrada diferença entre as avaliações de desempenho realizadas pelos elos.

5. Conclusão

A competição real não acontece entre uma empresa e outra, mas entre cadeias de suprimentos. O novo paradigma competitivo é cadeia de suprimentos concorrendo com cadeia de suprimentos, e o sucesso de qualquer empresa dependerá da maneira como ela gerencia seus fluxos de materiais e de informações (fluxo logístico), ao longo da cadeia. Esse novo paradigma impõe a necessidade de um alto nível de integração e coordenação, entre os processos logísticos de empresas de uma mesma cadeia de suprimentos. Para isso, é necessário avaliar o desempenho logístico da cadeia, por meio de indicadores logísticos internos e externos. A partir dos resultados obtidos, é possível alavancar mecanismos gerenciais que possibilitem a ligação entre os indicadores logísticos dos elos e a estratégia da cadeia de suprimentos como um todo, com o objetivo de oferecer um elevado nível de serviço ao cliente final.

Nesse sentido, a pesquisa mostrou que os elos da cadeia de refrigerantes utilizam mais os indicadores de desempenho, que avaliam a logística interna, do que os que avaliam a logística externa. Esse resultado demonstra claramente a maior preocupação das empresas com o desempenho logístico interno do que com o externo. A pesquisa mostra que os elos da cadeia atribuem uma grande importância à medição e ao gerenciamento dos custos de pedido, do giro de estoque, dos custos de estoque e armazenagem, dos custos de ruptura e de produtos avariados ou com data de validade vencida. Esse resultado pode ser atribuído à grande importância econômica e financeira que os indicadores de desempenho da logística interna assumem em qualquer empresa.

Entretanto, a logística interna é influenciada diretamente pela logística externa, sendo necessário às empresas também avaliarem o serviço prestado pelos seus fornecedores.

A utilização máxima dos indicadores da logística interna foi de 83%, obtida pela indústria e pelo fornecedor de embalagem. As taxas de utilização desses indicadores, encontradas para a cadeia, são relativamente baixas, levando-se em conta que os indicadores utilizados na pesquisa foram selecionados com o objetivo de abranger as principais atividades logísticas das empresas pertencentes à cadeia estudada.

Comparando-se as avaliações da logística interna e externa realizadas, foi encontrada diferença apenas nas avaliações de desempenho do indicador de custo de estoque, entre os elos da cadeia de refrigerantes. O indicador de custo de estoque e armazenagem de mercadoria da indústria foi pior avaliado do que o do atacado e do fornecedor de embalagem.

A partir dos resultados da pesquisa, várias contribuições podem ser levantadas neste artigo: a primeira é que ele possibilitou uma avaliação detalhada de como os elos da cadeia brasileira de suprimentos de refrigerantes valoram os indicadores logísticos; O artigo também permitiu avaliar o desempenho logístico interno e externo das empresas participantes da cadeia de refrigerantes; Outra contribuição foi que ele permitiu comparar, entre os elos da cadeia, as avaliações de desempenho logístico realizadas. Por fim, o artigo permitiu identificar o percentual de empresas que utilizam os indicadores logísticos selecionados na pesquisa, avaliar o desempenho logístico de suas atividades e de avaliar o desempenho logístico de seus fornecedores.

Uma possibilidade de pesquisa futura é aprofundar a relação entre os indicadores de desempenho da logística interna e externa e a estratégia das empresas e da cadeia como um todo.

Recebido em 30/6/2004

Aceito em 25/11/2004

ANEXOS

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Datas de Publicação

  •  Publicação nesta coleção
    11 Mar 2005
  •  Data do Fascículo
    Dez 2004

Histórico

  •  Recebido
    30 Jun 2004
  •  Aceito
    25Universidade Federal de São CarlosDepartamento de Engenharia de Produção , Caixa Postal 676 , 13.565-905 São Carlos SP Brazil, Tel.: +55 16 3351 8471 - São Carlos - SP - Brazil
E-mail: gp@dep.ufscar.br

27/04/2024

Model for assessing logistics providers performance: a case study in the textile industry


A evolução das relações logísticas trouxe resultados positivos, mas também se tornou fonte de fracassos e desapontamentos para muitas empresas, evidenciando a necessidade de buscar métodos eficazes para medir a eficiência e monitorar o desempenho dos Operadores Logísticos. A Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão - Construtivista (MCDA-C) vem de encontro a esta necessidade, já que possibilita apoiar os decisores em contextos onde reconhecem suas limitações quanto ao entendimento das consequências relevantes de cada alternativa e desejam desenvolver o conhecimento para tomar decisões conscientes e fundamentadas. Nesse contexto, o presente estudo se propõe a construir um modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos, considerando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia com foco nas necessidades dos clientes. Assim, foi desenvolvido um estudo de caso em uma indústria têxtil paranaense de médio porte, utilizando como instrumento de intervenção a MCDA-C, por essa possibilitar: i) a identificação dos aspectos considerados como mais importantes na cadeia logística da empresa em análise; ii) a construção de escalas para mensurar o quanto o operador logístico está contribuindo em cada uma destas propriedades; e iii) ter um processo para o operador aperfeiçoar a sua performance. O modelo de avaliação construído permitiu gerar estratégias de aperfeiçoamento para a cadeia logística da empresa analisada.

Avaliação de desempenho; Apoio à decisão; Operadores logísticos


The evolution of logistics relationships has brought positive results, but it also has become the source of failures and disappointments for many companies highlighting the need to seek effective methods to measure the efficiency and monitor the performance of logistics operators. The Multicriteria Decision Aid - Constructivist (MCDA-C) approach can fulfill this need since it assists decision makers in understanding the relevant consequences of the alternatives of specific complex contexts and choosing adequate decisions. In this context, this study proposes a model to evaluate the performance of Logistic Providers considering the continuing improvement of the logistic chain focusing on customer needs. Hence, a case study was carried out in a Brazilian textile industry using MCDA-C as an intervention tool since it enables: i) the identification of the issues considered the most important in their logistics chain; ii) the construction of scales to measure the contribution of the Logistic Provider to each indicator mentioned in the previous item iii) a process for the operators to improve their performance. The evaluation model proposed allowed the development of strategies to improve the Logistic Providers of the company analyzed.

Performance assessment; Decision aid; Logistics providers


Modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos – um estudo de caso na indústria têxtil

Model for assessing logistics providers performance – a case study in the textile industry

Fábio Cristiano ZamcopéI; Leonardo EnsslinI; Sandra Rolim EnsslinI; Ademar DutraII

IPrograma de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Campus Universitário, Trindade, CP 476, CEP 88040-900, Florianópolis – SC, Brasil, E-mails: fabio@deps.ufsc.brleonardoensslin@terra.com.brsensslin@mbox1.br

IIPrograma de Mestrado em Administração, Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, Av. Pedra Branca, 25, Cidade Universitária Pedra Branca, CEP 88137-270, Palhoça – SC, Brasil, E-mail: ademar.dutra@unisul.br

RESUMO

A evolução das relações logísticas trouxe resultados positivos, mas também se tornou fonte de fracassos e desapontamentos para muitas empresas, evidenciando a necessidade de buscar métodos eficazes para medir a eficiência e monitorar o desempenho dos Operadores Logísticos. A Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista (MCDA-C) vem de encontro a esta necessidade, já que possibilita apoiar os decisores em contextos onde reconhecem suas limitações quanto ao entendimento das consequências relevantes de cada alternativa e desejam desenvolver o conhecimento para tomar decisões conscientes e fundamentadas. Nesse contexto, o presente estudo se propõe a construir um modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos, considerando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia com foco nas necessidades dos clientes. Assim, foi desenvolvido um estudo de caso em uma indústria têxtil paranaense de médio porte, utilizando como instrumento de intervenção a MCDA-C, por essa possibilitar: i) a identificação dos aspectos considerados como mais importantes na cadeia logística da empresa em análise; ii) a construção de escalas para mensurar o quanto o operador logístico está contribuindo em cada uma destas propriedades; e iii) ter um processo para o operador aperfeiçoar a sua performance. O modelo de avaliação construído permitiu gerar estratégias de aperfeiçoamento para a cadeia logística da empresa analisada.

Palavras-chave: Avaliação de desempenho. Apoio à decisão. Operadores logísticos.

ABSTRACT

The evolution of logistics relationships has brought positive results, but it also has become the source of failures and disappointments for many companies highlighting the need to seek effective methods to measure the efficiency and monitor the performance of logistics operators. The Multicriteria Decision Aid - Constructivist (MCDA-C) approach can fulfill this need since it assists decision makers in understanding the relevant consequences of the alternatives of specific complex contexts and choosing adequate decisions. In this context, this study proposes a model to evaluate the performance of Logistic Providers considering the continuing improvement of the logistic chain focusing on customer needs. Hence, a case study was carried out in a Brazilian textile industry using MCDA-C as an intervention tool since it enables: i) the identification of the issues considered the most important in their logistics chain; ii) the construction of scales to measure the contribution of the Logistic Provider to each indicator mentioned in the previous item iii) a process for the operators to improve their performance. The evaluation model proposed allowed the development of strategies to improve the Logistic Providers of the company analyzed.

Keywords: Performance assessment. Decision aid. Logistics providers.

1 Introdução

De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (INSTITUTO...; ASSOCIAÇÃO..., 2007) na Revista Brasil Têxtil, o Brasil é hoje o sexto maior produtor mundial de têxteis e vestuário. O setor reúne cerca de 26.000 empresas e emprega 1,53 milhões de pessoas em toda a cadeia, qualificando-se como o segundo maior empregador formal da indústria de transformação. A indústria têxtil e de confecções participa com 5,2% do faturamento total da indústria de transformação. Esses dados demonstram a importância do setor no qual a pesquisa foi realizada.

Nos últimos anos, o setor têxtil tem sido penalizado com a desvalorização cambial e consequente aumento das importações de produtos asiáticos. Para manter a participação no mercado, as empresas desse setor foram obrigadas a se tornarem ágeis, flexíveis e inovadoras. Nesse contexto, a logística configura-se como uma área de grande potencial para promover o diferencial competitivo requerido, por sua significativa participação no atendimento das demandas dos clientes. Hoje, a logística é considerada elemento chave para a estratégia competitiva da organização e a avaliação dos Operadores Logísticos – empresas responsáveis pela armazenagem, gerenciamento de estoques e entrega dos produtos – passou a ser vital para a sustentação da parceria cliente-PSL (prestador de serviço logístico).

Para Sink, Langley e Gibson (1996), o crescimento do outsourcing (terceirização) de serviços logísticos se deve, entre outros fatores, à concentração dos esforços das empresas em suas atividades centrais (core competence), atividades críticas para sua sobrevivência. Tal mudança na estratégia empresarial estimulou a demanda por serviços logísticos externos, que passaram a ser providos pelos prestadores de serviços logísticos. Desta forma, por meio do outsourcing de serviços logísticos é possível atingir novos mercados e oferecer um melhor nível de serviço aos clientes. Ao ser terceirizado o serviço, avaliar a eficiência dos Operadores Logísticos e a satisfação dos clientes torna-se uma atividade crítica para o sucesso dos integrantes da cadeia.

Tompkins et al. (2005) identifica que os erros mais comuns ao terceirizar são: i) decisões pobres de terceirização - focadas em um ou dois objetivos, não necessariamente os mais importantes; ii) medidas de performance inadequadas – mede o que está disponível, não o que é mais importante. Entre as decisões pobres de terceirização, pode-se destacar que grande parte das organizações que terceirizam suas operações logísticas o faz apenas em busca de redução de custos, deixando de buscar outras vantagens competitivas. Para trazer benefícios, a terceirização deve ser baseada no processo de conhecimento do negócio, na troca de experiência e principalmente na identificação e gerenciamento dos fatores críticos de sucesso dos operadores logísticos. Novaes (2007) argumenta que uma das causas do fracasso das empresas que terceirizam suas operações logísticas tem sido a falta de entendimento do processo de avaliação do terceirizado.

Diante do exposto, o presente estudo tem por finalidade responder à seguinte pergunta: como avaliar o desempenho do prestador de serviço logístico, buscando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia logística, tendo como foco as necessidades dos clientes?

O objetivo da pesquisa é construir um modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos, tendo em vista o aperfeiçoamento contínuo da cadeia logística, com foco nas necessidades dos clientes. Esse entendimento irá permitir a identificação dos aspectos críticos para o sucesso dos Operadores Logísticos e da cadeia como um todo, gerando oportunidades para a transparência da relação cliente-PSL e para definição de estratégias de atendimento das necessidades dos clientes.

A fim de atingir o objetivo proposto foi desenvolvido um estudo de caso utilizando como instrumento de intervenção a metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista (MCDA-C), aplicada em uma empresa paranaense de médio porte do setor têxtil, com 520 funcionários, com vendas realizadas em todo o país e que atua na região norte e nordeste do Brasil com operadores logísticos.

A pesquisa possui caráter exploratório e se constitui em um estudo de caso que objetiva aprimorar o gerenciamento dos Operadores Logísticos e da cadeia como um todo, gerando recomendações para melhoria de seu desempenho. No que tange à construção do modelo, a fonte de coleta dos dados é de natureza primária e secundária, pelo fato de os dados terem sido coletados diretamente com o gerente comercial, responsável pelos operadores logísticos, e também coletados junto aos documentos internos. A abordagem metodológica utilizada pode ser classificada como qualiquantitativa, uma vez que as escalas em sua construção passaram por todas as suas fases: nominais ordinais e de intervalo.

A vinculação da pesquisa à MCDA-C é por esta ser uma metodologia que busca construir o entendimento do contexto pelos atores, de forma que possam identificar, organizar, mensurar e integrar os aspectos por eles percebidos como importantes no contexto. Este conhecimento permite aos atores visualizarem as consequências das alternativas nos aspectos julgados por eles como importantes (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001). Como resultado da pesquisa, foi possível aperfeiçoar o conhecimento dos requisitos necessários para a avaliação do desempenho dos operadores logísticos e gerar oportunidades de melhoria de performance, na identificação do que é importante para o desempenho de Operadores Logísticos segundo a percepção do decisor.

Embora outros estudos tratem do tema abordado (SCHERER; MARTINS, 2004; GONÇALVES, 2005; CÔRTES, 2006; SANTOS; VIEIRA; PASA, 2009), o presente trabalho difere e agrega valor por sua metodologia estruturada (MCDA-C), que propõe auxiliar na modelagem do contexto de Apoio à Decisão, a partir da consideração de convicções e valores dos indivíduos envolvidos, de tal forma que permita a construção de um modelo no qual se baseiam-se as decisões em favor do que se acredita ser o mais adequado (ROY, 1990). Ao empregar a visão construtivista, a metodologia MCDA-C foca sua ação na estruturação do contexto, constrói entendimento da situação e dos objetivos envolvidos, como uma forma de mensurá-los (GIFFHORN, 2007). Esta forma de proceder possibilita o domínio da situação e os seguintes benefícios (ENSSLIN, 2002):

  • Identifica oportunidades;

  • Guia o pensamento estratégico;

  • Tira vantagens das decisões interconectadas;

  • Orienta o processo de busca de informações;

  • Facilita o processo de negociação com outros atores;

  • Melhora o processo de justificar e comunicar as decisões;

  • Avalia numericamente o desempenho de alternativas;

  • Descobre objetivos ocultos; e

  • Cria novas alternativas.

Conforme Roy (1996), a utilização de procedimentos científicos ao processo de Apoio à Decisão permite:

  • Externalizar o que é mais objetivo em relação ao que é menos objetivo;

  • Separar as conclusões robustas das frágeis;

  • Dissipar certas formas de mal-entendimentos na comunicação;

  • Evitar a armadilha ilusória da intuição;

  • Enfatizar, uma vez entendidos, resultados contraditórios; e

  • Projetar um software de Apoio à Decisão.

No entanto, deve ser reconhecido que há determinadas limitações ou restrições em sua utilização. Devido ao processo empregado pelo MCDA-C ser interativo, requer a participação e legitimação de todas as etapas pelo decisor, o que exige dedicação e esforço mental por parte dele (GIFFHORN, 2007).

Por ser utilizada a metodologia MCDA-C, os resultados desta pesquisa somente serão adequados para o contexto específico no qual foi desenvolvida. Isso se deve à personalização dos aspectos considerados na construção do modelo de avaliação pelo decisor.

O trabalho está estruturado da seguinte forma: introdução, na qual é apresentado o tema, bem como a problemática de pesquisa; referencial teórico, apresentando a revisão bibliográfica sobre Operadores Logísticos e MCDA-C; apresentação do enquadramento metodológico da pesquisa e do instrumento de intervenção utilizado; apresentação do estudo de caso e análise dos dados; e conclusões.

2 Referencial teórico

Esta seção trata dos pressupostos teóricos em que serão abordados aspectos relevantes sobre Operadores Logísticos e sobre a metodologia MCDA-C.

2.1 Operadores logísticos

A Logística vem apresentando contínua evolução desde a Segunda Guerra Mundial, sendo hoje considerada elemento fundamental na formulação das estratégias das organizações. De acordo com Novaes (2007), no início a Logística era confundida com o transporte e a armazenagem de produtos; atualmente é responsável por agregar valor de lugar (produto colocado no local desejado pelo consumidor), de tempo (entrega do produto dentro do prazo combinado), de qualidade (associada à operação logística) e de informação (rastreamento do pedido) à cadeia produtiva.

Além disso, a Logística moderna procura eliminar do processo tudo que não agregue valor para o cliente. Conforme a definição do Council of Supply Chain Management Professionals norte-americano (WILSON, 2005), a Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.

Luna (2006) afirma que o atual crescimento da indústria de serviços logísticos não deve ser visto como resultado de um simples aumento do número de empresas que transferem atividades para terceiros. O relacionamento cliente-PSL também evoluiu, particularmente quanto às suas etapas de seleção do terceiro. O processo de negociação é precedido pela identificação, organização, mensuração e integração dos fatores críticos de sucesso da cadeia logística específica. A transferência de atividades e monitoramento da terceirização é realizada com a explicitação do que e como será avaliada. O operador logístico (em inglês conhecido como third-party logistics, 3PL ou logistics providers), na definição de Luna (2007), é o prestador de serviços logísticos que tem competência reconhecida em atividades logísticas, desempenhando funções que podem englobar todo o processo logístico de uma empresa cliente ou somente parte dele. Independente da amplitude da terceirização, o processo deve ser tratado de maneira integrada, de maneira a permitir a visão de todo o fluxo.

A ABML (Associação Brasileira de Movimentação e Logística) define que operador logístico é o fornecedor de serviços logísticos especializado em gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas nas várias fases da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor ao produto, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes (LUNA, 2007).

Conforme Colin e Fabbe-Costes (1995), a natureza das atividades logísticas oferecidas pelos prestadores de serviços logísticos podem ser classificados da seguinte forma:

  • Transporte, envolvendo os diferentes modos e serviços auxiliares, no caso do transporte internacional;

  • Armazenagem de produtos;

  • Manipulação de produtos, incluindo embalagem, elaboração de kits, etc.;

  • Operações industriais, incluindo intervenções intrínsecas no produto, como montagem final, testes de qualidade, etc.;

  • Operações comerciais, como recebimento e tratamento de pedidos, de pagamentos, propaganda, etc.;

  • Serviços informacionais, como administração de estoques, rastreamento de veículos, etc.; e

  • Consultoria de engenharia e administração logística.

Para descrever o conjunto de atividades logísticas realizadas pelos prestadores de serviços logísticos é necessário combinar três critérios: i) a natureza das atividades (acima relacionadas); ii) características de circulação dos produtos: canais de distribuição, restrições físicas (peso, volume, temperatura) e restrições de gestão (frequência, valor dos produtos, rotatividade de estoques); iii) área geográfica servida.

A evolução das relações logísticas tem trazido resultados positivos, mas também se tornou fonte de fracassos e desapontamentos para muitas empresas. O insucesso, num processo de terceirização, segundo Lambert, Emmelhainz e Gardner (1999), envolve não somente os custos diretos da implementação e do gerenciamento da parceria, como também os custos de oportunidade, por não ter implementado outra possível relação de maior sucesso.

Luna (2007) afirma que a busca por um menor custo do serviço deixou de ser o aspecto principal e único da decisão de terceirizar as operações logísticas. Custos de implantação de ferramentas que permitam a avaliação da satisfação do cliente final devem ser considerados quando os funcionários da própria empresa perdem o contato direto com o consumidor, casos em que a visibilidade do processo completo do serviço ao cliente deve ser orçada, assumindo que a informação deverá ser obtida a partir de terceiros e dos próprios clientes. Desta forma, as empresas devem buscar formas eficientes de monitorar o desempenho dos operadores logísticos, para não correrem riscos de perder mercado devido à má qualidade dos serviços prestados aos seus clientes.

Para Maltz (1995), utilizar procedimentos adequados maximiza a probabilidade de selecionar um operador logístico mais adaptado às necessidades da empresa e permite que aqueles que participam do processo decisório possam contribuir com a decisão final. Na identificação das características e competências que devem satisfazer os requisitos para contratação do PSL, deve-se levar em conta a compatibilidade de sistemas de informação, referências de outros clientes, reputação da empresa, estabilidade financeira, tempo que atua no mercado (experiência), compatibilidade da cultura das empresas, facilidade de comunicação entre as empresas, localização e escopo geográfico e preço dos serviços oferecidos.

Depois de selecionado o Operador Logístico, deverão ser identificadas ferramentas gerenciais a serem utilizadas na parceria, com a participação de ambas as partes (LUNA, 2007). O contrato logístico constitui a principal ferramenta para boa gestão da parceria logística, assumindo a função de definir como o processo de implementação será conduzido, pela identificação das ferramentas de controle e das medidas de desempenho a serem utilizadas para avaliação dos resultados obtidos, além da definição dos dispositivos de incentivo e de sanção na fase de elaboração do contrato.

A confiança entre os parceiros é um conceito importante ao longo do ciclo de vida de um acordo, mas o excesso de confiança pode ser uma armadilha para os envolvidos. Neste contexto, Fabbe-Costes e Brulhart (1999) definem que a confiança supõe vigilância entre os parceiros, de forma a evitar que se afastem dos objetivos fixados inicialmente. A difusão crescente da tecnologia da informação veio permitir o monitoramento das atividades desenvolvidas pelas empresas contratadas a custos baixos e esta troca consistente de informações é considerada um fator crítico para o sucesso dos contratos logísticos, com a tendência de prazos mais longos e relações mais transparentes.

Novaes (2007) afirma que as atividades logísticas, dentro dos modernos conceitos do Supply Chain Management, ganharam conotação estratégica essencial, colaborando efetivamente para a conquista de novos mercados, para a melhoria da competitividade e para o aumento da participação de mercado das organizações participantes da cadeia de suprimento. Assim, medir a eficiência e monitorar permanentemente o desempenho das empresas passam a ser atividades de grande importância nesse contexto.

2.2 Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão–Construtivista (MCDA–C)

A avaliação de desempenho é a base para a apreciação de um fato, de uma ideia, de um objetivo ou de um resultado e também a base para a tomada de decisão sobre qualquer situação que envolva escolha (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001). Deste modo, definir a metodologia a ser utilizada na avaliação de desempenho consiste em uma tarefa complexa, pois este processo integra estruturas físicas e subjetivas concomitantes.

De acordo com Ensslin, Dutra e Ensslin (2000), existem modelos formais para: i) apoiar a decisão (MCDA-C); e ii) para tomar a decisão. A dicotomia se torna explícita quando da definição das regras de trabalho a serem utilizadas, as quais irão definir o que é ou não válido realizar, quais métodos podem ser utilizados, qual objetivo desejado e qual problema a ser resolvido.

Mintzberg (1976) afirma que, em um processo decisório não há necessariamente um fluxo de decisão em etapas pré-determinadas ou organizadas de maneira lógica, em que a existência, conteúdo e sequência de cada uma dessas etapas será afetada pela influência exercida pelos atores no processo. Os atores consistem em um indivíduo ou grupo de indivíduos que influencia o processo decisório direta ou indiretamente por meio de seu sistema de valores (ROY; VANDERPOOTEN, 1996).

Com o intuito de cumprir o objetivo ao qual se propõe, a MCDA–C utiliza-se de atividades de Apoio à Decisão, as quais são subdivididas em três fases: Estruturação, Avaliação e Elaboração das Recomendações (ENSSLIN; DUTRA; ENSSLIN, 2000).

A primeira fase consiste na estruturação dos aspectos inerentes ao contexto decisório, na qual são construídos os mapas cognitivos individuais dos decisores, para posterior agregação e construção do mapa cognitivo congregado. Ainda na fase de estruturação é efetuada a análise do mapa cognitivo a partir da identificação das características estruturais e do conteúdo do mapa e, por fim, é determinada a família de pontos de vista fundamentais (PVFs) que correspondem às dimensões que o decisor julga necessárias e suficientes para avaliar o contexto.

A segunda fase consiste no modelo de avaliação das alternativas, que é composto pela construção do modelo em si, por meio da construção da escala de preferência local de cada PVF e da determinação das taxas de compensação ou substituição, bem como a identificação do perfil de impacto das ações e avaliação global.

A terceira fase consiste nas recomendações e ações de melhoria e aperfeiçoamento dos critérios que não atendem às expectativas dos decisores. Nessa fase são definidas as ações segundo a problemática de referência, a análise da sensibilidade das respostas do modelo frente às variações dos parâmetros utilizados, além da geração de estratégias orientadas a ação e análise de sensibilidade do modelo perante a performance das ações (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001).

A utilização do processo construtivista da MCDA-C na pesquisa deve-se ao fato de se tratar de um problema que abrange múltiplos fatores, a princípio não bem entendidos pelos vários atores envolvidos, cujos interesses podem ser conflitantes. Tais contextos denominados por Landry (1995) de complexos têm encontrado na metodologia MCDA-C um meio para construção do entendimento do que é importante, assim como para sua avaliação e gerenciamento (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001; ENSSLIN, 2000).

3 Metodologia da pesquisa

Esta seção está subdividida em duas partes: uma que trata do enquadramento metodológico da pesquisa e outra que trata do instrumento de intervenção utilizado no estudo.

3.1 Enquadramento metodológico

Com relação ao enquadramento metodológico, a pesquisa adota a visão de conhecimento construtivista, pois considera que o conhecimento é gerado a partir da interação entre o indivíduo e o meio (LANDRY, 1995). Os dois elementos desempenham papéis ativos na geração do conhecimento. Conforme Roy (1990), o objetivo na visão construtivista é a geração de conhecimento aos atores do processo de decisão com sua participação.

O paradigma científico adotado no estudo foi o paradigma da fenomenologia, no qual a realidade é construída pelas interações dos indivíduos com seu mundo social e o maior interesse reside em entender o significado do que as pessoas construíram com suas experiências de vida no contexto em que estão inseridas (MERRIAM, 1993). Os resultados obtidos num estudo fenomenológico não são repetitivos, o que se pode fazer é reaplicar o processo para a obtenção de novos resultados.

Devido à sua estratégia, a pesquisa é particular e obstrusiva, pois não se deseja obter generalizações a partir de seus resultados e um dos pesquisadores integra o quadro de colaboradores da empresa em que foi realizado o experimento de campo. O método de pesquisa é qualiquantitativo, na forma de estudo de caso. Qualitativo devido aos valores considerados relevantes ao decisor serem inicialmente descritivos e quantitativo ao construir as escalas dos descritores. Merriam (1998) afirma que na pesquisa qualitativa, o interesse está em entender qual o significado dos fenômenos vivenciados pela experiência humana; já a pesquisa quantitativa trabalha a descrição dando-lhe acuracidade.

Quanto à importância da pesquisa na forma de estudo de caso, Cooper e Schindler (2003) argumentam que os estudos de caso colocam mais ênfase em uma análise contextual completa de poucos fatos e suas inter-relações. O estudo de caso tem como unidade de análise uma empresa de médio porte do ramo têxtil, com cerca de 520 funcionários, localizada no Estado do Paraná, com vendas em todo o Brasil e em alguns países da América do Sul e Europa. A escolha da empresa ocorreu devido ao fato da empresa necessitar avaliar suas estratégias logísticas para a região norte e nordeste do Brasil, a fim de armazenar e distribuir seus produtos por meio de unidades terceirizadas, para que os pedidos dos clientes possam ser atendidos com maior rapidez, aumentando assim, os pedidos de reposição e, consequentemente, seu faturamento.

Na etapa de coleta de dados para o desenvolvimento do Estudo de Caso, foram empregados como instrumentos, a entrevista aberta com os diretores da empresa e a pesquisa bibliográfica para dar sustentação ao embasamento teórico. Na fase de estruturação, foram criados os mapas cognitivos no Powerpoint e, na fase de avaliação da metodologia MCDA-C, foi empregado o software Macbeth (BANA E COSTA; DE CORTE; VANSNICK, 2005), desenvolvido em 1995 (BANA E COSTA; VANSNICK, 1995), para a construção das escalas e do cálculo das taxas de substituição. O Excel foi utilizado nas matrizes de julgamento (ROBERTS, 1979) e no traçado do perfil de impacto. Para a realização da análise de sensibilidade, foi utilizado o programa Hiview (Krysalis; versão 2.00B, 1995), criado por Barclay (1984).

3.2 Instrumento de intervenção: metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista (MCDA-C)

A MCDA-C encontra suas mais remotas origens a mais de dois séculos. Sua consolidação como instrumento científico de gestão ocorre somente a partir da década de 1980 com os trabalhos de Roy (1985), Landry (1995), Bana e Costa (1992), dentre outros.

Surge como uma ramificação da Metodologia Multicritério em Apoio à Decisão – MCDA, como uma forma para apoiar os decisores em contextos complexos, conflituosos, incertos, em que esses desejavam melhorar seu entendimento da situação. Complexos pelo fato dos decisores, mesmo reconhecendo que devem ter em conta mais de um critério, não terem claramente quais são estes critérios. Conflituosos por se tratarem de situações em que alguns dos critérios podem estar representando preocupações de outros atores do contexto, os quais o decisor não tem interesse de confrontar neste aspecto, mesmo reconhecendo que estes estarão disputando os escassos recursos. Incertos por usar dados tanto qualitativos quanto quantitativos sem a preocupação da acuracidade que outras ciências poderiam oferecer, além de demandar a construção de escalas e sua mensuração muito mais de acordo com a percepção dos atores que segundo os rigorosos instrumentos científicos disponíveis.

E finalmente, contextos em que os decisores reconhecem suas limitações quanto ao entendimento de quais são as consequências relevantes e desejam desenvolver este conhecimento para poder tomar decisões conscientes e fundamentadas.

O presente estudo tem por base a preocupação de auxiliar na tomada de decisão, a partir da consideração das percepções do gerente comercial da empresa analisada no estudo de caso. Assim, a pesquisa afilia-se à Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão-Construtivista (MCDA-C) visando construir conhecimento ao decisor sobre o seu problema.

4 Estudo de caso: construção do modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos

Esta seção apresenta a construção do modelo de avaliação do desempenho de operadores logísticos para aplicar às empresas que atuam como prestadoras de serviços logísticos a uma empresa de médio porte do ramo têxtil, localizada no Estado do Paraná, considerando o sistema de valores, interesses e preferência do decisor com a utilização da Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista.

4.1 Identificação do contexto decisório

O desenvolvimento da pesquisa partiu da necessidade apresentada pelo gerente comercial de fundamentar suas decisões de contratação de prestadores de serviços logísticos assentadas em modelos para avaliar, monitorar e aperfeiçoar a cadeia logística. A contratação de operadores logísticos é feita pelo gerente comercial juntamente com o diretor da empresa, com base em documentos cadastrais, pesquisa de informações de crédito e referências comerciais.

A decisão pela aplicação da metodologia MCDA-C na avaliação de desempenho foi devido à necessidade de avaliar os operadores logísticos não somente no início da contratação, mas principalmente porque a MCDA-C possibilita identificar as oportunidades de melhoria de performance quando: i) da seleção do operador; ii) da prestação dos serviços. A preocupação em avaliar constantemente o desempenho e propor ações para melhoria dos serviços prestados reside no fato de que os operadores logísticos estão em contato direto com os clientes e, portanto, representam a fábrica.

Nesta primeira etapa de construção do modelo, é caracterizado o processo decisório em que o Apoio à Decisão irá ocorrer, bem como os atores envolvidos, as ações a serem avaliadas e as diversas formas possíveis de avaliação das ações (HMELJEVSKI, 2007). Na identificação dos atores envolvidos no processo decisório, foi definido como decisor, o gerente comercial da empresa.

Como facilitadores, configuraram-se os autores do presente trabalho, assumindo a função de apoiar o processo de tomada de decisão por meio do modelo construído; como intervenientes, foram identificados os operadores logísticos, os quais prestam serviços logísticos em algumas regiões conforme a necessidade da empresa contratante; e como agidos, os clientes e a sociedade em geral.

A problemática levantada pelo decisor fundamenta-se em que são os operadores que se apresentam perante os clientes como os representantes do produto. São os operadores que interagem com os clientes para perceber e/ou identificar as reações destes aos produtos. São os operadores que irão buscar, nos clientes, as necessidades de oportunidades para o aperfeiçoamento dos produtos. Por tudo isto, a problemática é a de como avaliar os operadores logísticos para continuamente melhorar a performance da cadeia logística.

4.2 Estruturação do problema

Nesta etapa, o primeiro passo foi definir junto ao decisor um rótulo que descrevesse o problema. Devido à preocupação do decisor na objetividade do modelo que seria construído, o rótulo foi definido como "desenvolver um modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos". Com base neste rótulo, partiu-se para a definição dos Elementos Primários de Avaliação (EPA) por meio de um brainstorming (OSBORN, 1993) com o decisor.

Os EPAs são as primeiras preocupações manifestadas pelos decisores, quando estes confrontam a situação (KEENEY, 1992) e, segundo Schaefer (2005), estes elementos são constituídos de objetivos, metas, valores do decisor, ações, opções e alternativas que servirão de base para a construção do mapa cognitivo (ZANELATO, 2008).

Foram levantados 63 EPAs junto ao decisor e, na sequência, estes EPAs foram orientados à ação e transformados em conceitos, nos quais foram identificados os polos presentes (pretendido) e os polos opostos psicológicos (mínimo aceitável pelo decisor). Sendo assim, o mapa, por meio de seus polos presentes, pode fornecer uma indicação de personalidade, atitudes e proposições gerais do decisor, bem como os aspectos culturais da organização (EDEN; JONES; SIMS, 1983). A Quadro 1 exemplifica os últimos 5 EPAs de um total de 63 e seus respectivos onceitos.


O passo seguinte foi organizar juntamente com o decisor, os EPAs e conceitos em grandes áreas. A partir dos conceitos organizados, partiu-se para a construção dos mapas cognitivos, sendo um mapa cognitivo para cada área.

De acordo com Montibeller (2000), um mapa cognitivo é uma hierarquia de conceitos, relacionados por ligações de influência entre meios e fins, e a construção deste mapa fará o decisor explicitar seus valores relacionados com o problema em questão, além de fornecer os meios para atingir os fins desejados. A Figura 1 apresenta o mapa cognitivo da subárea "Saúde Financeira", sendo este um dos 7 mapas desenvolvidos neste estudo.


Com os mapas cognitivos prontos, partiu-se para sua análise avançada, neles foram identificados os clusters e, em cada cluster, os ramos de acordo com as linhas de argumentação de cada mapa.

Estes ramos são constituídos por uma ou mais linhas de argumentação que demonstrem preocupações similares sobre o contexto decisório (ENSSLIN; MONTIBELLER, 1998). É essencialmente uma análise de conteúdo que leva em conta as ideias expressas nos conceitos. Sobre cada um dos ramos do mapa foi feita a pesquisa visando identificar os pontos de vista que o decisor desejava levar em conta no modelo multicritério.

O modelo multicritério utiliza-se de uma estrutura arborescente de valor (BELTON, 1990) e a transição de um mapa cognitivo para um modelo multicritério acontece pela identificação das dimensões identificadas pelo decisor como necessárias e suficientes para representar o problema. A este conjunto de dimensões denomina-se família de pontos de vistas fundamentais.

4.3 Estruturação do modelo multicritério

Os pontos de vista fundamentais (PVFs) explicitam os valores que o decisor considera importantes naquele contexto, definindo ao mesmo tempo as características das ações que são de interesse do decisor (GIFFHORN, 2007). A estrutura de árvore utiliza a lógica de decomposição, em que um critério mais complexo de ser mensurado é decomposto em subcritérios de mais fácil mensuração.

A partir dos PVFs e, de acordo com a decomposição, identificando os Pontos de Vista Elementares (PVEs) juntamente com o decisor, seguiu-se para a criação dos descritores. De acordo com Ensslin (2002), um descritor é definido como um conjunto de níveis de impacto que servem como base para avaliar a performance das ações potenciais em termos de cada Ponto de Vista (PV). Cada nível de impacto representará o desempenho de uma ação potencial neste objetivo. Foram construídos 37 descritores, conforme os PVFs levantados. A Tabela 1 demonstra o descritor "Preços" e seus níveis de impacto.

Os descritores foram construídos e foram definidos para cada um deles, dois níveis de impacto de referência, sendo o nível superior chamado bom e o nível inferior chamado neutro. Estes níveis são importantes para verificar a independência preferencial e também para determinar as taxas de substituição (BANA E COSTA et al., 1999). Para melhor visualização da performance do estado atual (status quo) foi traçado um perfil de impacto nos eixos de avaliação do modelo, no qual graficamente pôde ser representando no eixo horizontal os 37 critérios e no eixo vertical o desempenho atual em cada critério. A Figura 2 apresenta os descritores do Ponto de Vista "Saúde Financeira", que foi subdividido em dois Pontos de Vista Elementares, chamados de "Rentabilidade" e "Sustentabilidade". A linha pontilhada traça o desempenho atual (nível de impacto) nos descritores "Preços", "Custo de Capital", "Retorno s/ Investimento", "Sistema Integrado", "Gerenciamento de Estoques", "Frota e Armazenagem" e "Carga", sendo estes um dos 37 critérios de avaliação de cada operador logístico.


Após a definição dos descritores, foi realizado o julgamento de quanto a performance de cada ação é atrativa, definindo assim, uma função de valor associada ao descritor, ou seja, transformando o descritor (escala ordinal) em um critério de mensuração ( escala de intervalo) segundo o sistema de valor do decisor.

Uma função de valor é uma ferramenta aceita pelos decisores para auxiliar a articulação de suas preferências (KEENEY; RAIFFA, 1993) e é usada para ordenar a intensidade de preferência entre pares de níveis de impacto. Estas funções foram construídas de acordo com o decisor, com a finalidade de avaliar as ações segundo os respectivos pontos de vista. O método utilizado para a construção das funções de valor foi o método do julgamento semântico, no qual a função de valor é obtida pelas comparações par a par da diferença de atratividade entre as ações potenciais (BEINAT, 1995).

As comparações foram feitas conforme o que o decisor expressou qualitativamente, por meio de uma escala ordinal semântica, a intensidade de preferência de uma ação sobre a outra. Para isto, foi utilizado o software Macbeth (Measuring Attractiveness by a Categorial Based Evaluation Technique) (BANA e COSTA; VANSNICK, 1995. Os critérios de mensuração permitiram avaliar a performance local da ações. A Figura 3 retrata a função de valor do Critério "Sistema Integrado", representando o nível de desempenho na escala cardinal, transformando o critério qualitativo em quantitativo.


Para determinar a performance global de cada ação, partiu-se para a determinação das taxas de substituição dos critérios. As taxas de substituição de um modelo multicritério de avaliação irão expressar, segundo o julgamento dos decisores, a perda de performance que uma ação potencial sofrerá em um critério para compensar o ganho de desempenho em outro (KEENEY, 1992; KEENEY; RAIFFA, 1993; ROY, 1996).

O método utilizado para determinar as taxas de substituição foi o método da comparação par a par, em que foi ordenada a preferência dos critérios com o auxílio de matriz de ordenação (ROBERTS, 1979) e, em seguida, utilizou-se o software Macbeth para, por meio de julgamentos semânticos, calcular as taxas de substituição que melhor representavam numericamente os julgamentos.

4.4 Avaliação das ações potenciais

Com o modelo de avaliação estruturado, o passo seguinte foi utilizá-lo para avaliar a performance das ações e gerar alternativas junto ao decisor. Para tanto, utilizou-se do Hiview (BARCLAY, 1984), que é um software para a análise, avaliação e justificação de decisões complexas, que pode ser usado em processos de Apoio à Decisão, particularmente na avaliação de modelos obtidos por Metodologias Multicritério de Apoio à Decisão que usam uma função de agregação aditiva (ENSSLIN; NORONHA, 1997). Este aplicativo confronta situações em que existem múltiplas escolhas e em que se pretende selecionar a melhor opção.

Uma vez que os pontos de vista foram construídos e testados quanto à independência preferencial ordinal e cardinal pode-se representar a performance global por meio do modelo de agregação aditiva (modelo compensatório), conforme proposto pela Equação 1:

em que:

V(a) = valor global da ação potencial "a";

V1(a), V2(a), V3(a), ..., Vn(a) = valor parcial dos critérios 1, 2, 3, ..., n , da ação potencial "a";

W1, W2, W3, ..., Wn = taxas de substituição dos critérios 1, 2, 3, ..., n; e

n = número de critérios utilizados no modelo

A Equação 1 fornece a soma ponderada dos valores parciais obtidos por uma determinada ação "a" nos diversos critérios, sendo a ponderação feita pelas taxas de substituição de cada critério. Ao utilizar esta fórmula para calcular a situação atual (status quo) chegou-se a um total de 28,29 pontos:

V(a) = 0,31 x {0,27 x [0,38 x (0,45 x 100 + 0,33 x 0 + 0,22 x 60) + 0,62 x (0,12 x 100 + 0,21 x 0 + 0,29 x 50 + 0,38 x 40)] + 0,40 x [0,55 x (0,29 x 50 + 0,19 x – 66,7 + 0,09 x – 40 + 0,43 x – 33,3) + 0,45 x (0,40 x 100 + 0,60 x – 42,9)] + 0,33 x [0,57 x (0,38 x 100 + 0,62 x 0) + 0,43 x (0,38 x – 75 + 0,33 x 0 + 0,29 x 50)]} + 0,44 x [0,40 x (0,63 x 100 + 0,37 x – 50) + 0,60 x (0,36 x l00 + 0,64 x 50)] + 0,25 x {0,20 x [0,58 x (0,33 x 100 + 0,67 x 50) + 0,42 x (0,58 x 100 + 0,42 x – 75)] + 0,35 x [0,39 x (0,37 x – 60 + 0,47 x – 40 + 0,16 x 60) + 0,29 x (0,64 x 100 + 0,36 x – 42,9) + 0,35 x (0,62 x 100 + 0,38 x – 60)] + 0,45 x [0,23 x 100 + 0,32 x – 60 + 0,27 x – 50 + 0,18 x – 37,5]}

V(a)=28,29

De acordo com Goodwin e Wright (1991), pode haver conflito entre os resultados analíticos gerados pelo modelo multicritério e os intuitivos, em que o decisor não se utiliza de um modelo formal para tomar a decisão. Estes conflitos devem ser cuidadosamente analisados e é crucial que o modelo seja visto como legítimo pelo decisor (LANDRY et al. , 1996). Assim, o facilitador e o decisor devem compreender as razões das diferenças entre os resultados e fazer os ajustes no modelo multicritério, caso seja necessário. Neste ponto do processo de Apoio à Decisão, foi possível identificar as alternativas mais atrativas de acordo com o sistema de valor do decisor.

4.5 Análise dos resultados do modelo e recomendações

As imprecisões dos dados do contexto, assim como as incertezas do decisor na construção do modelo multicritério, fazem com que se torne importante realizar uma análise de sensibilidade, a fim de testar a robustez do modelo diante das variações de seus diversos parâmetros. A análise de sensibilidade permite que se conheça a variação que uma alteração na taxa de compensação de um critério ou na performance de uma ação poderá causar na avaliação das ações potenciais.

A análise de sensibilidade é uma fase importante na aplicação de qualquer modelo porque contribui para superar a falta de precisão na determinação dos valores parametrizados, para gerar conhecimento sobre o problema e também aumentar a confiança nos resultados obtidos (DIAS; COSTA; CLIMACO, 1997). Desta forma, com a construção do modelo e sua transcrição para o aplicativo Hiview, foi possível analisar as taxas de substituição, tanto local quanto globalmente. Após a análise, o decisor resolveu rever as funções de valor dos descritores e solicitou que fosse alterado o valor da ação status quo (situação atual) no descritor "Custo de Capital", alegando que, na situação atual, a empresa analisada estaria no terceiro nível da escala (66,67) e não no segundo nível (0,00) como ele havia estabelecido primeiramente, e que, de acordo com a sua nova visão, não estava com a precisão desejada.

Com esta alteração, o valor global da ação status quo ficou em 29 pontos. Analisando os critérios em que o impacto da ação potencial seria maior, o facilitador mostrou ao decisor o que aconteceria caso elevasse o nível na escala cardinal dos descritores, referente aos 4 critérios com maior impacto no valor global, ação esta definida como "proposta 1", afirmando que a pontuação de 29 iria atingir 51 pontos. A ação seria buscar elevar dois níveis nos critérios "Entrega", "Comunicação de Falhas", "Planejamento Entrega" e elevar um nível no critério "Atendimento".

Já na ação "proposta 2", em que o decisor havia escolhido 4 critérios que considerava como os mais importantes antes de ter conhecimento da avaliação global (critérios "Treinamento", "Controle das Operações", "Auditorias" e "Organização Espaço Físico"), em que a elevação de dois níveis na escala cardinal dos respectivos descritores elevaria a pontuação desta ação de 29 para 36 pontos, representando elevar apenas 7 pontos na análise global.

O gráfico da Figura 4 confirma que, na avaliação global do modelo, a proposta 1 (item 2 no gráfico, com 51 pontos) apresenta resultado superior à proposta 2 (item 3 no gráfico, com 36 pontos), em comparação com o status quo (item 1 no gráfico, representante da situação atual com 29 pontos). Diante destas análises, foi possível afirmar que, se o decisor trabalhar os critérios com maior representatividade no valor global, os resultados serão significativamente melhores pelo fato do decisor estar concentrando-se nas ações que representarão maiores contribuições para agregar valor à empresa.


Além disto, foi identificado pelo gráfico de sensibilidade que, nos critérios das áreas "Financeiro" e "Clientes", a proposta 1 será sempre superior, independentemente da taxa de substituição. Já na área "Desenvolvimento", a proposta 2 tende a ser superior à medida que se consegue melhorar o desempenho, atingindo níveis superiores nos critérios da ação escolhida.

Desta forma, após análise dos resultados das propostas, o decisor adquiriu melhor entendimento do problema, o que permitiu a elaboração de uma estratégia visando melhorar o desempenho dos operadores logísticos, iniciando pelas ações da proposta 1 e logo que tiver obtido os resultados desejados, também iniciar as ações referentes à proposta 2.

A metodologia multicritério empregada neste estudo adotou uma abordagem construtivista, na qual o modelo construído teve como propósito aumentar o entendimento do decisor sobre a cadeia logística e seus operadores. Esta maior compreensão permitiu ao decisor identificar, organizar e mensurar os aspectos críticos, bem como visualizar o perfil da situação atual por meio dos indicadores. A partir desse entendimento, foi possível melhor gerenciar os operadores logísticos. A construção das alternativas "proposta 1" e "proposta 2" e a compreensão da superioridade da primeira, somente foram possíveis com este entendimento adicional.

5 Considerações finais

Para superar os desafios gerados pela alta concorrência no setor têxtil, as empresas passaram a buscar na logística o diferencial competitivo para se manterem no mercado. Isto fez a logística ganhar conotação estratégica nas organizações e a avaliação de desempenho dos Operadores Logísticos tornou-se essencial para a sustentabilidade da cadeia logística.

Com base nessa perspectiva, a seção 4 "Estudo de caso: construção do modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos" apresentou o procedimento que responde à pergunta da pesquisa, uma vez que a metodologia sugerida teve a capacidade de construir entendimento do contexto, possibilitando identificar, organizar, mensurar e integrar as preocupações do decisor e os aspectos por ele percebidos como importantes.

Assim, o objetivo da pesquisa de construir um modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos, considerando o aperfeiçoamento contínuo da cadeira logística com foco nas necessidades dos clientes, foi alcançado, permitindo que o desempenho dos Operadores Logísticos com os quais a empresa trabalha seja avaliado constantemente em busca de melhorias.

A metodologia MCDA-C possibilitou não somente avaliar o desempenho, como também identificar oportunidades para aperfeiçoamento do serviço prestado pelos operadores logísticos. Dentre essas oportunidades, pode-se destacar a estratégia identificada pelo modelo que possibilitou propor alternativas que fizeram a avaliação global passar de 29 para 51 pontos. Antes de fazer a análise de sensibilidade do modelo, as mudanças sugeridas pelo decisor iriam impactar somente no aumento de 7 pontos, passando de 29 para 36 pontos, fato que evidenciou a potencialidade do instrumento apresentado no presente estudo.

Partindo do pressuposto de que o problema não está claramente definido e nem bem estruturado, na metodologia MCDA-C, acredita-se que todas as fases da evolução do problema merecem igual atenção e cuidado, desde a estruturação do problema até a fase de avaliação e recomendações, o que possibilitou avaliar numericamente o desempenho de alternativas e melhorou o processo de justificativa e comunicação da decisão.

Destaca-se que devido a pesquisa ser Fenomenológica, Construtivista, Particular sob a forma de Estudo de Caso, o modelo de avaliação construído é de aplicação específica para a empresa em que foi desenvolvido o trabalho, o que não impede a utilização do processo em outros contextos.

Como recomendação para futuras pesquisas, pode-se apontar o desenvolvimento de um banco de dados específicos para o modelo de avaliação desenvolvido, bem como o desenvolvimento de ferramentas computacionais que integrem os diversos softwares utilizados para a construção do modelo. Esta pesquisa poderá servir de apoio para o desenvolvimento de outros modelos de avaliação de desempenho, além de colaborar com o aumento do conhecimento sobre a metodologia MCDA-C.

Recebido em 4/6/2008 — Aceito em 10/9/2010

Suporte financeiro: Nenhum.

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Datas de Publicação

  •  Publicação nesta coleção
    28 Jan 2011
  •  Data do Fascículo
    Dez 2010

Histórico

  •  Aceito
    10 Set 2010
  •  Recebido
    04 Jun 200Universidade Federal de São CarlosDepartamento de Engenharia de Produção , Caixa Postal 676 , 13.565-905 São Carlos SP Brazil, Tel.: +55 16 3351 8471 - São Carlos - SP - Brazil
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