28/08/2026

O pior desastre no Nepal desde o terremoto de 2015

 Enchentes repentinas devastam fronteira entre Nepal e Tibete


O pior desastre no Nepal desde o terremoto de 2015



Na manhã de quarta-feira, 26 de agosto de 2026, uma enchente repentina seguida de deslizamento de terra atingiu a região montanhosa do distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, próximo à fronteira com o Tibete (China). O desastre já é classificado como o mais devastador no país desde o terremoto de 2015, que matou quase 9 mil pessoas.


O que aconteceu


Segundo informações preliminares, o desastre foi desencadeado por um tremor de terra que provocou uma avalanche no Himalaia. O degelo resultante caiu no rio Bhote Koshi, que corre do Tibete para o Nepal, provocando o transbordamento do curso d'água e uma violenta corrente de lama que arrastou casas, veículos e infraestrutura inteira nos vilarejos ao longo do vale.


Vídeos que circularam nas redes sociais mostram a água invadindo repentinamente comunidades na região, com moradores correndo para fugir da correnteza. Distritos como Nuwakot também foram fortemente atingidos, com bairros como Trishuli Bazar e Devghat parcialmente submersos em lama.


Do lado chinês da fronteira, a mídia estatal informou que um deslizamento de terra atingiu um centro comercial na região do Tibete, causando vítimas cujo número exato ainda não foi divulgado por Pequim.


Balanço de vítimas


Os números têm aumentado a cada atualização:


- Pelo menos **157 mortos** confirmados pela polícia nepalesa, além de 3 óbitos relatados pela emissora estatal chinesa CCTV do lado do Tibete.

- Mais de **570 feridos**.

- Cerca de **400 pessoas desaparecidas**, sendo aproximadamente 341 delas estrangeiras.

- Entre os desaparecidos, 133 seriam peregrinos indianos que se dirigiam ao Monte Kailash, no Tibete, local sagrado para os hindus.

- Também constam entre os desaparecidos cidadãos dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá, além de cerca de 26 policiais nepaleses.


Resposta e resgate


O Exército do Nepal mobilizou helicópteros e equipes de resgate para as áreas afetadas, e o primeiro-ministro Balendra Shah convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres. Até o momento, dezenas de pessoas já foram resgatadas, mas as buscas seguem em ambos os lados da fronteira.


O impacto na infraestrutura foi severo: a principal rodovia de acesso a Katmandu foi interditada, e a Autoridade de Eletricidade do Nepal informou que cerca de 430 megawatts de capacidade de geração — incluindo usinas hidrelétricas e solares — foram danificados, provocando cortes no fornecimento de energia na região.


A enchente também afetou uma das principais passagens terrestres entre o Nepal e a China, rota usada por peregrinos e turistas que se deslocam ao Tibete.


Reação internacional


O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a mobilização de todos os meios disponíveis para buscar desaparecidos, socorrer feridos e reduzir o número de vítimas. Segundo analistas, Xi normalmente só se pronuncia publicamente após catástrofes quando o número de vítimas é elevado, o que reforça a gravidade do episódio.


## Contexto


O Nepal é um país recorrentemente afetado por desastres naturais durante a estação das monções, combinando chuvas intensas, degelo de geleiras e terreno montanhoso instável. Em 2024, inundações e deslizamentos já haviam matado mais de 220 pessoas no país. O episódio atual, no entanto, se destaca pela escala da destruição e pelo elevado número de estrangeiros desaparecidos, o que ampliou a repercussão internacional do desastre.


As operações de busca e resgate continuam, e as autoridades alertam que o número de mortos deve aumentar nos próximos dias à medida que equipes conseguem acesso às áreas mais remotas e isoladas pela destruição de estradas e pontes.


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