27/04/2024

Model for assessing logistics providers performance: a case study in the textile industry


A evolução das relações logísticas trouxe resultados positivos, mas também se tornou fonte de fracassos e desapontamentos para muitas empresas, evidenciando a necessidade de buscar métodos eficazes para medir a eficiência e monitorar o desempenho dos Operadores Logísticos. A Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão - Construtivista (MCDA-C) vem de encontro a esta necessidade, já que possibilita apoiar os decisores em contextos onde reconhecem suas limitações quanto ao entendimento das consequências relevantes de cada alternativa e desejam desenvolver o conhecimento para tomar decisões conscientes e fundamentadas. Nesse contexto, o presente estudo se propõe a construir um modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos, considerando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia com foco nas necessidades dos clientes. Assim, foi desenvolvido um estudo de caso em uma indústria têxtil paranaense de médio porte, utilizando como instrumento de intervenção a MCDA-C, por essa possibilitar: i) a identificação dos aspectos considerados como mais importantes na cadeia logística da empresa em análise; ii) a construção de escalas para mensurar o quanto o operador logístico está contribuindo em cada uma destas propriedades; e iii) ter um processo para o operador aperfeiçoar a sua performance. O modelo de avaliação construído permitiu gerar estratégias de aperfeiçoamento para a cadeia logística da empresa analisada.

Avaliação de desempenho; Apoio à decisão; Operadores logísticos


The evolution of logistics relationships has brought positive results, but it also has become the source of failures and disappointments for many companies highlighting the need to seek effective methods to measure the efficiency and monitor the performance of logistics operators. The Multicriteria Decision Aid - Constructivist (MCDA-C) approach can fulfill this need since it assists decision makers in understanding the relevant consequences of the alternatives of specific complex contexts and choosing adequate decisions. In this context, this study proposes a model to evaluate the performance of Logistic Providers considering the continuing improvement of the logistic chain focusing on customer needs. Hence, a case study was carried out in a Brazilian textile industry using MCDA-C as an intervention tool since it enables: i) the identification of the issues considered the most important in their logistics chain; ii) the construction of scales to measure the contribution of the Logistic Provider to each indicator mentioned in the previous item iii) a process for the operators to improve their performance. The evaluation model proposed allowed the development of strategies to improve the Logistic Providers of the company analyzed.

Performance assessment; Decision aid; Logistics providers


Modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos – um estudo de caso na indústria têxtil

Model for assessing logistics providers performance – a case study in the textile industry

Fábio Cristiano ZamcopéI; Leonardo EnsslinI; Sandra Rolim EnsslinI; Ademar DutraII

IPrograma de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Campus Universitário, Trindade, CP 476, CEP 88040-900, Florianópolis – SC, Brasil, E-mails: fabio@deps.ufsc.brleonardoensslin@terra.com.brsensslin@mbox1.br

IIPrograma de Mestrado em Administração, Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, Av. Pedra Branca, 25, Cidade Universitária Pedra Branca, CEP 88137-270, Palhoça – SC, Brasil, E-mail: ademar.dutra@unisul.br

RESUMO

A evolução das relações logísticas trouxe resultados positivos, mas também se tornou fonte de fracassos e desapontamentos para muitas empresas, evidenciando a necessidade de buscar métodos eficazes para medir a eficiência e monitorar o desempenho dos Operadores Logísticos. A Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista (MCDA-C) vem de encontro a esta necessidade, já que possibilita apoiar os decisores em contextos onde reconhecem suas limitações quanto ao entendimento das consequências relevantes de cada alternativa e desejam desenvolver o conhecimento para tomar decisões conscientes e fundamentadas. Nesse contexto, o presente estudo se propõe a construir um modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos, considerando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia com foco nas necessidades dos clientes. Assim, foi desenvolvido um estudo de caso em uma indústria têxtil paranaense de médio porte, utilizando como instrumento de intervenção a MCDA-C, por essa possibilitar: i) a identificação dos aspectos considerados como mais importantes na cadeia logística da empresa em análise; ii) a construção de escalas para mensurar o quanto o operador logístico está contribuindo em cada uma destas propriedades; e iii) ter um processo para o operador aperfeiçoar a sua performance. O modelo de avaliação construído permitiu gerar estratégias de aperfeiçoamento para a cadeia logística da empresa analisada.

Palavras-chave: Avaliação de desempenho. Apoio à decisão. Operadores logísticos.

ABSTRACT

The evolution of logistics relationships has brought positive results, but it also has become the source of failures and disappointments for many companies highlighting the need to seek effective methods to measure the efficiency and monitor the performance of logistics operators. The Multicriteria Decision Aid - Constructivist (MCDA-C) approach can fulfill this need since it assists decision makers in understanding the relevant consequences of the alternatives of specific complex contexts and choosing adequate decisions. In this context, this study proposes a model to evaluate the performance of Logistic Providers considering the continuing improvement of the logistic chain focusing on customer needs. Hence, a case study was carried out in a Brazilian textile industry using MCDA-C as an intervention tool since it enables: i) the identification of the issues considered the most important in their logistics chain; ii) the construction of scales to measure the contribution of the Logistic Provider to each indicator mentioned in the previous item iii) a process for the operators to improve their performance. The evaluation model proposed allowed the development of strategies to improve the Logistic Providers of the company analyzed.

Keywords: Performance assessment. Decision aid. Logistics providers.

1 Introdução

De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (INSTITUTO...; ASSOCIAÇÃO..., 2007) na Revista Brasil Têxtil, o Brasil é hoje o sexto maior produtor mundial de têxteis e vestuário. O setor reúne cerca de 26.000 empresas e emprega 1,53 milhões de pessoas em toda a cadeia, qualificando-se como o segundo maior empregador formal da indústria de transformação. A indústria têxtil e de confecções participa com 5,2% do faturamento total da indústria de transformação. Esses dados demonstram a importância do setor no qual a pesquisa foi realizada.

Nos últimos anos, o setor têxtil tem sido penalizado com a desvalorização cambial e consequente aumento das importações de produtos asiáticos. Para manter a participação no mercado, as empresas desse setor foram obrigadas a se tornarem ágeis, flexíveis e inovadoras. Nesse contexto, a logística configura-se como uma área de grande potencial para promover o diferencial competitivo requerido, por sua significativa participação no atendimento das demandas dos clientes. Hoje, a logística é considerada elemento chave para a estratégia competitiva da organização e a avaliação dos Operadores Logísticos – empresas responsáveis pela armazenagem, gerenciamento de estoques e entrega dos produtos – passou a ser vital para a sustentação da parceria cliente-PSL (prestador de serviço logístico).

Para Sink, Langley e Gibson (1996), o crescimento do outsourcing (terceirização) de serviços logísticos se deve, entre outros fatores, à concentração dos esforços das empresas em suas atividades centrais (core competence), atividades críticas para sua sobrevivência. Tal mudança na estratégia empresarial estimulou a demanda por serviços logísticos externos, que passaram a ser providos pelos prestadores de serviços logísticos. Desta forma, por meio do outsourcing de serviços logísticos é possível atingir novos mercados e oferecer um melhor nível de serviço aos clientes. Ao ser terceirizado o serviço, avaliar a eficiência dos Operadores Logísticos e a satisfação dos clientes torna-se uma atividade crítica para o sucesso dos integrantes da cadeia.

Tompkins et al. (2005) identifica que os erros mais comuns ao terceirizar são: i) decisões pobres de terceirização - focadas em um ou dois objetivos, não necessariamente os mais importantes; ii) medidas de performance inadequadas – mede o que está disponível, não o que é mais importante. Entre as decisões pobres de terceirização, pode-se destacar que grande parte das organizações que terceirizam suas operações logísticas o faz apenas em busca de redução de custos, deixando de buscar outras vantagens competitivas. Para trazer benefícios, a terceirização deve ser baseada no processo de conhecimento do negócio, na troca de experiência e principalmente na identificação e gerenciamento dos fatores críticos de sucesso dos operadores logísticos. Novaes (2007) argumenta que uma das causas do fracasso das empresas que terceirizam suas operações logísticas tem sido a falta de entendimento do processo de avaliação do terceirizado.

Diante do exposto, o presente estudo tem por finalidade responder à seguinte pergunta: como avaliar o desempenho do prestador de serviço logístico, buscando o aperfeiçoamento contínuo da cadeia logística, tendo como foco as necessidades dos clientes?

O objetivo da pesquisa é construir um modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos, tendo em vista o aperfeiçoamento contínuo da cadeia logística, com foco nas necessidades dos clientes. Esse entendimento irá permitir a identificação dos aspectos críticos para o sucesso dos Operadores Logísticos e da cadeia como um todo, gerando oportunidades para a transparência da relação cliente-PSL e para definição de estratégias de atendimento das necessidades dos clientes.

A fim de atingir o objetivo proposto foi desenvolvido um estudo de caso utilizando como instrumento de intervenção a metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista (MCDA-C), aplicada em uma empresa paranaense de médio porte do setor têxtil, com 520 funcionários, com vendas realizadas em todo o país e que atua na região norte e nordeste do Brasil com operadores logísticos.

A pesquisa possui caráter exploratório e se constitui em um estudo de caso que objetiva aprimorar o gerenciamento dos Operadores Logísticos e da cadeia como um todo, gerando recomendações para melhoria de seu desempenho. No que tange à construção do modelo, a fonte de coleta dos dados é de natureza primária e secundária, pelo fato de os dados terem sido coletados diretamente com o gerente comercial, responsável pelos operadores logísticos, e também coletados junto aos documentos internos. A abordagem metodológica utilizada pode ser classificada como qualiquantitativa, uma vez que as escalas em sua construção passaram por todas as suas fases: nominais ordinais e de intervalo.

A vinculação da pesquisa à MCDA-C é por esta ser uma metodologia que busca construir o entendimento do contexto pelos atores, de forma que possam identificar, organizar, mensurar e integrar os aspectos por eles percebidos como importantes no contexto. Este conhecimento permite aos atores visualizarem as consequências das alternativas nos aspectos julgados por eles como importantes (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001). Como resultado da pesquisa, foi possível aperfeiçoar o conhecimento dos requisitos necessários para a avaliação do desempenho dos operadores logísticos e gerar oportunidades de melhoria de performance, na identificação do que é importante para o desempenho de Operadores Logísticos segundo a percepção do decisor.

Embora outros estudos tratem do tema abordado (SCHERER; MARTINS, 2004; GONÇALVES, 2005; CÔRTES, 2006; SANTOS; VIEIRA; PASA, 2009), o presente trabalho difere e agrega valor por sua metodologia estruturada (MCDA-C), que propõe auxiliar na modelagem do contexto de Apoio à Decisão, a partir da consideração de convicções e valores dos indivíduos envolvidos, de tal forma que permita a construção de um modelo no qual se baseiam-se as decisões em favor do que se acredita ser o mais adequado (ROY, 1990). Ao empregar a visão construtivista, a metodologia MCDA-C foca sua ação na estruturação do contexto, constrói entendimento da situação e dos objetivos envolvidos, como uma forma de mensurá-los (GIFFHORN, 2007). Esta forma de proceder possibilita o domínio da situação e os seguintes benefícios (ENSSLIN, 2002):

  • Identifica oportunidades;

  • Guia o pensamento estratégico;

  • Tira vantagens das decisões interconectadas;

  • Orienta o processo de busca de informações;

  • Facilita o processo de negociação com outros atores;

  • Melhora o processo de justificar e comunicar as decisões;

  • Avalia numericamente o desempenho de alternativas;

  • Descobre objetivos ocultos; e

  • Cria novas alternativas.

Conforme Roy (1996), a utilização de procedimentos científicos ao processo de Apoio à Decisão permite:

  • Externalizar o que é mais objetivo em relação ao que é menos objetivo;

  • Separar as conclusões robustas das frágeis;

  • Dissipar certas formas de mal-entendimentos na comunicação;

  • Evitar a armadilha ilusória da intuição;

  • Enfatizar, uma vez entendidos, resultados contraditórios; e

  • Projetar um software de Apoio à Decisão.

No entanto, deve ser reconhecido que há determinadas limitações ou restrições em sua utilização. Devido ao processo empregado pelo MCDA-C ser interativo, requer a participação e legitimação de todas as etapas pelo decisor, o que exige dedicação e esforço mental por parte dele (GIFFHORN, 2007).

Por ser utilizada a metodologia MCDA-C, os resultados desta pesquisa somente serão adequados para o contexto específico no qual foi desenvolvida. Isso se deve à personalização dos aspectos considerados na construção do modelo de avaliação pelo decisor.

O trabalho está estruturado da seguinte forma: introdução, na qual é apresentado o tema, bem como a problemática de pesquisa; referencial teórico, apresentando a revisão bibliográfica sobre Operadores Logísticos e MCDA-C; apresentação do enquadramento metodológico da pesquisa e do instrumento de intervenção utilizado; apresentação do estudo de caso e análise dos dados; e conclusões.

2 Referencial teórico

Esta seção trata dos pressupostos teóricos em que serão abordados aspectos relevantes sobre Operadores Logísticos e sobre a metodologia MCDA-C.

2.1 Operadores logísticos

A Logística vem apresentando contínua evolução desde a Segunda Guerra Mundial, sendo hoje considerada elemento fundamental na formulação das estratégias das organizações. De acordo com Novaes (2007), no início a Logística era confundida com o transporte e a armazenagem de produtos; atualmente é responsável por agregar valor de lugar (produto colocado no local desejado pelo consumidor), de tempo (entrega do produto dentro do prazo combinado), de qualidade (associada à operação logística) e de informação (rastreamento do pedido) à cadeia produtiva.

Além disso, a Logística moderna procura eliminar do processo tudo que não agregue valor para o cliente. Conforme a definição do Council of Supply Chain Management Professionals norte-americano (WILSON, 2005), a Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.

Luna (2006) afirma que o atual crescimento da indústria de serviços logísticos não deve ser visto como resultado de um simples aumento do número de empresas que transferem atividades para terceiros. O relacionamento cliente-PSL também evoluiu, particularmente quanto às suas etapas de seleção do terceiro. O processo de negociação é precedido pela identificação, organização, mensuração e integração dos fatores críticos de sucesso da cadeia logística específica. A transferência de atividades e monitoramento da terceirização é realizada com a explicitação do que e como será avaliada. O operador logístico (em inglês conhecido como third-party logistics, 3PL ou logistics providers), na definição de Luna (2007), é o prestador de serviços logísticos que tem competência reconhecida em atividades logísticas, desempenhando funções que podem englobar todo o processo logístico de uma empresa cliente ou somente parte dele. Independente da amplitude da terceirização, o processo deve ser tratado de maneira integrada, de maneira a permitir a visão de todo o fluxo.

A ABML (Associação Brasileira de Movimentação e Logística) define que operador logístico é o fornecedor de serviços logísticos especializado em gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas nas várias fases da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor ao produto, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes (LUNA, 2007).

Conforme Colin e Fabbe-Costes (1995), a natureza das atividades logísticas oferecidas pelos prestadores de serviços logísticos podem ser classificados da seguinte forma:

  • Transporte, envolvendo os diferentes modos e serviços auxiliares, no caso do transporte internacional;

  • Armazenagem de produtos;

  • Manipulação de produtos, incluindo embalagem, elaboração de kits, etc.;

  • Operações industriais, incluindo intervenções intrínsecas no produto, como montagem final, testes de qualidade, etc.;

  • Operações comerciais, como recebimento e tratamento de pedidos, de pagamentos, propaganda, etc.;

  • Serviços informacionais, como administração de estoques, rastreamento de veículos, etc.; e

  • Consultoria de engenharia e administração logística.

Para descrever o conjunto de atividades logísticas realizadas pelos prestadores de serviços logísticos é necessário combinar três critérios: i) a natureza das atividades (acima relacionadas); ii) características de circulação dos produtos: canais de distribuição, restrições físicas (peso, volume, temperatura) e restrições de gestão (frequência, valor dos produtos, rotatividade de estoques); iii) área geográfica servida.

A evolução das relações logísticas tem trazido resultados positivos, mas também se tornou fonte de fracassos e desapontamentos para muitas empresas. O insucesso, num processo de terceirização, segundo Lambert, Emmelhainz e Gardner (1999), envolve não somente os custos diretos da implementação e do gerenciamento da parceria, como também os custos de oportunidade, por não ter implementado outra possível relação de maior sucesso.

Luna (2007) afirma que a busca por um menor custo do serviço deixou de ser o aspecto principal e único da decisão de terceirizar as operações logísticas. Custos de implantação de ferramentas que permitam a avaliação da satisfação do cliente final devem ser considerados quando os funcionários da própria empresa perdem o contato direto com o consumidor, casos em que a visibilidade do processo completo do serviço ao cliente deve ser orçada, assumindo que a informação deverá ser obtida a partir de terceiros e dos próprios clientes. Desta forma, as empresas devem buscar formas eficientes de monitorar o desempenho dos operadores logísticos, para não correrem riscos de perder mercado devido à má qualidade dos serviços prestados aos seus clientes.

Para Maltz (1995), utilizar procedimentos adequados maximiza a probabilidade de selecionar um operador logístico mais adaptado às necessidades da empresa e permite que aqueles que participam do processo decisório possam contribuir com a decisão final. Na identificação das características e competências que devem satisfazer os requisitos para contratação do PSL, deve-se levar em conta a compatibilidade de sistemas de informação, referências de outros clientes, reputação da empresa, estabilidade financeira, tempo que atua no mercado (experiência), compatibilidade da cultura das empresas, facilidade de comunicação entre as empresas, localização e escopo geográfico e preço dos serviços oferecidos.

Depois de selecionado o Operador Logístico, deverão ser identificadas ferramentas gerenciais a serem utilizadas na parceria, com a participação de ambas as partes (LUNA, 2007). O contrato logístico constitui a principal ferramenta para boa gestão da parceria logística, assumindo a função de definir como o processo de implementação será conduzido, pela identificação das ferramentas de controle e das medidas de desempenho a serem utilizadas para avaliação dos resultados obtidos, além da definição dos dispositivos de incentivo e de sanção na fase de elaboração do contrato.

A confiança entre os parceiros é um conceito importante ao longo do ciclo de vida de um acordo, mas o excesso de confiança pode ser uma armadilha para os envolvidos. Neste contexto, Fabbe-Costes e Brulhart (1999) definem que a confiança supõe vigilância entre os parceiros, de forma a evitar que se afastem dos objetivos fixados inicialmente. A difusão crescente da tecnologia da informação veio permitir o monitoramento das atividades desenvolvidas pelas empresas contratadas a custos baixos e esta troca consistente de informações é considerada um fator crítico para o sucesso dos contratos logísticos, com a tendência de prazos mais longos e relações mais transparentes.

Novaes (2007) afirma que as atividades logísticas, dentro dos modernos conceitos do Supply Chain Management, ganharam conotação estratégica essencial, colaborando efetivamente para a conquista de novos mercados, para a melhoria da competitividade e para o aumento da participação de mercado das organizações participantes da cadeia de suprimento. Assim, medir a eficiência e monitorar permanentemente o desempenho das empresas passam a ser atividades de grande importância nesse contexto.

2.2 Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão–Construtivista (MCDA–C)

A avaliação de desempenho é a base para a apreciação de um fato, de uma ideia, de um objetivo ou de um resultado e também a base para a tomada de decisão sobre qualquer situação que envolva escolha (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001). Deste modo, definir a metodologia a ser utilizada na avaliação de desempenho consiste em uma tarefa complexa, pois este processo integra estruturas físicas e subjetivas concomitantes.

De acordo com Ensslin, Dutra e Ensslin (2000), existem modelos formais para: i) apoiar a decisão (MCDA-C); e ii) para tomar a decisão. A dicotomia se torna explícita quando da definição das regras de trabalho a serem utilizadas, as quais irão definir o que é ou não válido realizar, quais métodos podem ser utilizados, qual objetivo desejado e qual problema a ser resolvido.

Mintzberg (1976) afirma que, em um processo decisório não há necessariamente um fluxo de decisão em etapas pré-determinadas ou organizadas de maneira lógica, em que a existência, conteúdo e sequência de cada uma dessas etapas será afetada pela influência exercida pelos atores no processo. Os atores consistem em um indivíduo ou grupo de indivíduos que influencia o processo decisório direta ou indiretamente por meio de seu sistema de valores (ROY; VANDERPOOTEN, 1996).

Com o intuito de cumprir o objetivo ao qual se propõe, a MCDA–C utiliza-se de atividades de Apoio à Decisão, as quais são subdivididas em três fases: Estruturação, Avaliação e Elaboração das Recomendações (ENSSLIN; DUTRA; ENSSLIN, 2000).

A primeira fase consiste na estruturação dos aspectos inerentes ao contexto decisório, na qual são construídos os mapas cognitivos individuais dos decisores, para posterior agregação e construção do mapa cognitivo congregado. Ainda na fase de estruturação é efetuada a análise do mapa cognitivo a partir da identificação das características estruturais e do conteúdo do mapa e, por fim, é determinada a família de pontos de vista fundamentais (PVFs) que correspondem às dimensões que o decisor julga necessárias e suficientes para avaliar o contexto.

A segunda fase consiste no modelo de avaliação das alternativas, que é composto pela construção do modelo em si, por meio da construção da escala de preferência local de cada PVF e da determinação das taxas de compensação ou substituição, bem como a identificação do perfil de impacto das ações e avaliação global.

A terceira fase consiste nas recomendações e ações de melhoria e aperfeiçoamento dos critérios que não atendem às expectativas dos decisores. Nessa fase são definidas as ações segundo a problemática de referência, a análise da sensibilidade das respostas do modelo frente às variações dos parâmetros utilizados, além da geração de estratégias orientadas a ação e análise de sensibilidade do modelo perante a performance das ações (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001).

A utilização do processo construtivista da MCDA-C na pesquisa deve-se ao fato de se tratar de um problema que abrange múltiplos fatores, a princípio não bem entendidos pelos vários atores envolvidos, cujos interesses podem ser conflitantes. Tais contextos denominados por Landry (1995) de complexos têm encontrado na metodologia MCDA-C um meio para construção do entendimento do que é importante, assim como para sua avaliação e gerenciamento (ENSSLIN; MONTIBELLER; NORONHA, 2001; ENSSLIN, 2000).

3 Metodologia da pesquisa

Esta seção está subdividida em duas partes: uma que trata do enquadramento metodológico da pesquisa e outra que trata do instrumento de intervenção utilizado no estudo.

3.1 Enquadramento metodológico

Com relação ao enquadramento metodológico, a pesquisa adota a visão de conhecimento construtivista, pois considera que o conhecimento é gerado a partir da interação entre o indivíduo e o meio (LANDRY, 1995). Os dois elementos desempenham papéis ativos na geração do conhecimento. Conforme Roy (1990), o objetivo na visão construtivista é a geração de conhecimento aos atores do processo de decisão com sua participação.

O paradigma científico adotado no estudo foi o paradigma da fenomenologia, no qual a realidade é construída pelas interações dos indivíduos com seu mundo social e o maior interesse reside em entender o significado do que as pessoas construíram com suas experiências de vida no contexto em que estão inseridas (MERRIAM, 1993). Os resultados obtidos num estudo fenomenológico não são repetitivos, o que se pode fazer é reaplicar o processo para a obtenção de novos resultados.

Devido à sua estratégia, a pesquisa é particular e obstrusiva, pois não se deseja obter generalizações a partir de seus resultados e um dos pesquisadores integra o quadro de colaboradores da empresa em que foi realizado o experimento de campo. O método de pesquisa é qualiquantitativo, na forma de estudo de caso. Qualitativo devido aos valores considerados relevantes ao decisor serem inicialmente descritivos e quantitativo ao construir as escalas dos descritores. Merriam (1998) afirma que na pesquisa qualitativa, o interesse está em entender qual o significado dos fenômenos vivenciados pela experiência humana; já a pesquisa quantitativa trabalha a descrição dando-lhe acuracidade.

Quanto à importância da pesquisa na forma de estudo de caso, Cooper e Schindler (2003) argumentam que os estudos de caso colocam mais ênfase em uma análise contextual completa de poucos fatos e suas inter-relações. O estudo de caso tem como unidade de análise uma empresa de médio porte do ramo têxtil, com cerca de 520 funcionários, localizada no Estado do Paraná, com vendas em todo o Brasil e em alguns países da América do Sul e Europa. A escolha da empresa ocorreu devido ao fato da empresa necessitar avaliar suas estratégias logísticas para a região norte e nordeste do Brasil, a fim de armazenar e distribuir seus produtos por meio de unidades terceirizadas, para que os pedidos dos clientes possam ser atendidos com maior rapidez, aumentando assim, os pedidos de reposição e, consequentemente, seu faturamento.

Na etapa de coleta de dados para o desenvolvimento do Estudo de Caso, foram empregados como instrumentos, a entrevista aberta com os diretores da empresa e a pesquisa bibliográfica para dar sustentação ao embasamento teórico. Na fase de estruturação, foram criados os mapas cognitivos no Powerpoint e, na fase de avaliação da metodologia MCDA-C, foi empregado o software Macbeth (BANA E COSTA; DE CORTE; VANSNICK, 2005), desenvolvido em 1995 (BANA E COSTA; VANSNICK, 1995), para a construção das escalas e do cálculo das taxas de substituição. O Excel foi utilizado nas matrizes de julgamento (ROBERTS, 1979) e no traçado do perfil de impacto. Para a realização da análise de sensibilidade, foi utilizado o programa Hiview (Krysalis; versão 2.00B, 1995), criado por Barclay (1984).

3.2 Instrumento de intervenção: metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista (MCDA-C)

A MCDA-C encontra suas mais remotas origens a mais de dois séculos. Sua consolidação como instrumento científico de gestão ocorre somente a partir da década de 1980 com os trabalhos de Roy (1985), Landry (1995), Bana e Costa (1992), dentre outros.

Surge como uma ramificação da Metodologia Multicritério em Apoio à Decisão – MCDA, como uma forma para apoiar os decisores em contextos complexos, conflituosos, incertos, em que esses desejavam melhorar seu entendimento da situação. Complexos pelo fato dos decisores, mesmo reconhecendo que devem ter em conta mais de um critério, não terem claramente quais são estes critérios. Conflituosos por se tratarem de situações em que alguns dos critérios podem estar representando preocupações de outros atores do contexto, os quais o decisor não tem interesse de confrontar neste aspecto, mesmo reconhecendo que estes estarão disputando os escassos recursos. Incertos por usar dados tanto qualitativos quanto quantitativos sem a preocupação da acuracidade que outras ciências poderiam oferecer, além de demandar a construção de escalas e sua mensuração muito mais de acordo com a percepção dos atores que segundo os rigorosos instrumentos científicos disponíveis.

E finalmente, contextos em que os decisores reconhecem suas limitações quanto ao entendimento de quais são as consequências relevantes e desejam desenvolver este conhecimento para poder tomar decisões conscientes e fundamentadas.

O presente estudo tem por base a preocupação de auxiliar na tomada de decisão, a partir da consideração das percepções do gerente comercial da empresa analisada no estudo de caso. Assim, a pesquisa afilia-se à Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão-Construtivista (MCDA-C) visando construir conhecimento ao decisor sobre o seu problema.

4 Estudo de caso: construção do modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos

Esta seção apresenta a construção do modelo de avaliação do desempenho de operadores logísticos para aplicar às empresas que atuam como prestadoras de serviços logísticos a uma empresa de médio porte do ramo têxtil, localizada no Estado do Paraná, considerando o sistema de valores, interesses e preferência do decisor com a utilização da Metodologia Multicritério de Apoio à Decisão – Construtivista.

4.1 Identificação do contexto decisório

O desenvolvimento da pesquisa partiu da necessidade apresentada pelo gerente comercial de fundamentar suas decisões de contratação de prestadores de serviços logísticos assentadas em modelos para avaliar, monitorar e aperfeiçoar a cadeia logística. A contratação de operadores logísticos é feita pelo gerente comercial juntamente com o diretor da empresa, com base em documentos cadastrais, pesquisa de informações de crédito e referências comerciais.

A decisão pela aplicação da metodologia MCDA-C na avaliação de desempenho foi devido à necessidade de avaliar os operadores logísticos não somente no início da contratação, mas principalmente porque a MCDA-C possibilita identificar as oportunidades de melhoria de performance quando: i) da seleção do operador; ii) da prestação dos serviços. A preocupação em avaliar constantemente o desempenho e propor ações para melhoria dos serviços prestados reside no fato de que os operadores logísticos estão em contato direto com os clientes e, portanto, representam a fábrica.

Nesta primeira etapa de construção do modelo, é caracterizado o processo decisório em que o Apoio à Decisão irá ocorrer, bem como os atores envolvidos, as ações a serem avaliadas e as diversas formas possíveis de avaliação das ações (HMELJEVSKI, 2007). Na identificação dos atores envolvidos no processo decisório, foi definido como decisor, o gerente comercial da empresa.

Como facilitadores, configuraram-se os autores do presente trabalho, assumindo a função de apoiar o processo de tomada de decisão por meio do modelo construído; como intervenientes, foram identificados os operadores logísticos, os quais prestam serviços logísticos em algumas regiões conforme a necessidade da empresa contratante; e como agidos, os clientes e a sociedade em geral.

A problemática levantada pelo decisor fundamenta-se em que são os operadores que se apresentam perante os clientes como os representantes do produto. São os operadores que interagem com os clientes para perceber e/ou identificar as reações destes aos produtos. São os operadores que irão buscar, nos clientes, as necessidades de oportunidades para o aperfeiçoamento dos produtos. Por tudo isto, a problemática é a de como avaliar os operadores logísticos para continuamente melhorar a performance da cadeia logística.

4.2 Estruturação do problema

Nesta etapa, o primeiro passo foi definir junto ao decisor um rótulo que descrevesse o problema. Devido à preocupação do decisor na objetividade do modelo que seria construído, o rótulo foi definido como "desenvolver um modelo para avaliar o desempenho de operadores logísticos". Com base neste rótulo, partiu-se para a definição dos Elementos Primários de Avaliação (EPA) por meio de um brainstorming (OSBORN, 1993) com o decisor.

Os EPAs são as primeiras preocupações manifestadas pelos decisores, quando estes confrontam a situação (KEENEY, 1992) e, segundo Schaefer (2005), estes elementos são constituídos de objetivos, metas, valores do decisor, ações, opções e alternativas que servirão de base para a construção do mapa cognitivo (ZANELATO, 2008).

Foram levantados 63 EPAs junto ao decisor e, na sequência, estes EPAs foram orientados à ação e transformados em conceitos, nos quais foram identificados os polos presentes (pretendido) e os polos opostos psicológicos (mínimo aceitável pelo decisor). Sendo assim, o mapa, por meio de seus polos presentes, pode fornecer uma indicação de personalidade, atitudes e proposições gerais do decisor, bem como os aspectos culturais da organização (EDEN; JONES; SIMS, 1983). A Quadro 1 exemplifica os últimos 5 EPAs de um total de 63 e seus respectivos onceitos.


O passo seguinte foi organizar juntamente com o decisor, os EPAs e conceitos em grandes áreas. A partir dos conceitos organizados, partiu-se para a construção dos mapas cognitivos, sendo um mapa cognitivo para cada área.

De acordo com Montibeller (2000), um mapa cognitivo é uma hierarquia de conceitos, relacionados por ligações de influência entre meios e fins, e a construção deste mapa fará o decisor explicitar seus valores relacionados com o problema em questão, além de fornecer os meios para atingir os fins desejados. A Figura 1 apresenta o mapa cognitivo da subárea "Saúde Financeira", sendo este um dos 7 mapas desenvolvidos neste estudo.


Com os mapas cognitivos prontos, partiu-se para sua análise avançada, neles foram identificados os clusters e, em cada cluster, os ramos de acordo com as linhas de argumentação de cada mapa.

Estes ramos são constituídos por uma ou mais linhas de argumentação que demonstrem preocupações similares sobre o contexto decisório (ENSSLIN; MONTIBELLER, 1998). É essencialmente uma análise de conteúdo que leva em conta as ideias expressas nos conceitos. Sobre cada um dos ramos do mapa foi feita a pesquisa visando identificar os pontos de vista que o decisor desejava levar em conta no modelo multicritério.

O modelo multicritério utiliza-se de uma estrutura arborescente de valor (BELTON, 1990) e a transição de um mapa cognitivo para um modelo multicritério acontece pela identificação das dimensões identificadas pelo decisor como necessárias e suficientes para representar o problema. A este conjunto de dimensões denomina-se família de pontos de vistas fundamentais.

4.3 Estruturação do modelo multicritério

Os pontos de vista fundamentais (PVFs) explicitam os valores que o decisor considera importantes naquele contexto, definindo ao mesmo tempo as características das ações que são de interesse do decisor (GIFFHORN, 2007). A estrutura de árvore utiliza a lógica de decomposição, em que um critério mais complexo de ser mensurado é decomposto em subcritérios de mais fácil mensuração.

A partir dos PVFs e, de acordo com a decomposição, identificando os Pontos de Vista Elementares (PVEs) juntamente com o decisor, seguiu-se para a criação dos descritores. De acordo com Ensslin (2002), um descritor é definido como um conjunto de níveis de impacto que servem como base para avaliar a performance das ações potenciais em termos de cada Ponto de Vista (PV). Cada nível de impacto representará o desempenho de uma ação potencial neste objetivo. Foram construídos 37 descritores, conforme os PVFs levantados. A Tabela 1 demonstra o descritor "Preços" e seus níveis de impacto.

Os descritores foram construídos e foram definidos para cada um deles, dois níveis de impacto de referência, sendo o nível superior chamado bom e o nível inferior chamado neutro. Estes níveis são importantes para verificar a independência preferencial e também para determinar as taxas de substituição (BANA E COSTA et al., 1999). Para melhor visualização da performance do estado atual (status quo) foi traçado um perfil de impacto nos eixos de avaliação do modelo, no qual graficamente pôde ser representando no eixo horizontal os 37 critérios e no eixo vertical o desempenho atual em cada critério. A Figura 2 apresenta os descritores do Ponto de Vista "Saúde Financeira", que foi subdividido em dois Pontos de Vista Elementares, chamados de "Rentabilidade" e "Sustentabilidade". A linha pontilhada traça o desempenho atual (nível de impacto) nos descritores "Preços", "Custo de Capital", "Retorno s/ Investimento", "Sistema Integrado", "Gerenciamento de Estoques", "Frota e Armazenagem" e "Carga", sendo estes um dos 37 critérios de avaliação de cada operador logístico.


Após a definição dos descritores, foi realizado o julgamento de quanto a performance de cada ação é atrativa, definindo assim, uma função de valor associada ao descritor, ou seja, transformando o descritor (escala ordinal) em um critério de mensuração ( escala de intervalo) segundo o sistema de valor do decisor.

Uma função de valor é uma ferramenta aceita pelos decisores para auxiliar a articulação de suas preferências (KEENEY; RAIFFA, 1993) e é usada para ordenar a intensidade de preferência entre pares de níveis de impacto. Estas funções foram construídas de acordo com o decisor, com a finalidade de avaliar as ações segundo os respectivos pontos de vista. O método utilizado para a construção das funções de valor foi o método do julgamento semântico, no qual a função de valor é obtida pelas comparações par a par da diferença de atratividade entre as ações potenciais (BEINAT, 1995).

As comparações foram feitas conforme o que o decisor expressou qualitativamente, por meio de uma escala ordinal semântica, a intensidade de preferência de uma ação sobre a outra. Para isto, foi utilizado o software Macbeth (Measuring Attractiveness by a Categorial Based Evaluation Technique) (BANA e COSTA; VANSNICK, 1995. Os critérios de mensuração permitiram avaliar a performance local da ações. A Figura 3 retrata a função de valor do Critério "Sistema Integrado", representando o nível de desempenho na escala cardinal, transformando o critério qualitativo em quantitativo.


Para determinar a performance global de cada ação, partiu-se para a determinação das taxas de substituição dos critérios. As taxas de substituição de um modelo multicritério de avaliação irão expressar, segundo o julgamento dos decisores, a perda de performance que uma ação potencial sofrerá em um critério para compensar o ganho de desempenho em outro (KEENEY, 1992; KEENEY; RAIFFA, 1993; ROY, 1996).

O método utilizado para determinar as taxas de substituição foi o método da comparação par a par, em que foi ordenada a preferência dos critérios com o auxílio de matriz de ordenação (ROBERTS, 1979) e, em seguida, utilizou-se o software Macbeth para, por meio de julgamentos semânticos, calcular as taxas de substituição que melhor representavam numericamente os julgamentos.

4.4 Avaliação das ações potenciais

Com o modelo de avaliação estruturado, o passo seguinte foi utilizá-lo para avaliar a performance das ações e gerar alternativas junto ao decisor. Para tanto, utilizou-se do Hiview (BARCLAY, 1984), que é um software para a análise, avaliação e justificação de decisões complexas, que pode ser usado em processos de Apoio à Decisão, particularmente na avaliação de modelos obtidos por Metodologias Multicritério de Apoio à Decisão que usam uma função de agregação aditiva (ENSSLIN; NORONHA, 1997). Este aplicativo confronta situações em que existem múltiplas escolhas e em que se pretende selecionar a melhor opção.

Uma vez que os pontos de vista foram construídos e testados quanto à independência preferencial ordinal e cardinal pode-se representar a performance global por meio do modelo de agregação aditiva (modelo compensatório), conforme proposto pela Equação 1:

em que:

V(a) = valor global da ação potencial "a";

V1(a), V2(a), V3(a), ..., Vn(a) = valor parcial dos critérios 1, 2, 3, ..., n , da ação potencial "a";

W1, W2, W3, ..., Wn = taxas de substituição dos critérios 1, 2, 3, ..., n; e

n = número de critérios utilizados no modelo

A Equação 1 fornece a soma ponderada dos valores parciais obtidos por uma determinada ação "a" nos diversos critérios, sendo a ponderação feita pelas taxas de substituição de cada critério. Ao utilizar esta fórmula para calcular a situação atual (status quo) chegou-se a um total de 28,29 pontos:

V(a) = 0,31 x {0,27 x [0,38 x (0,45 x 100 + 0,33 x 0 + 0,22 x 60) + 0,62 x (0,12 x 100 + 0,21 x 0 + 0,29 x 50 + 0,38 x 40)] + 0,40 x [0,55 x (0,29 x 50 + 0,19 x – 66,7 + 0,09 x – 40 + 0,43 x – 33,3) + 0,45 x (0,40 x 100 + 0,60 x – 42,9)] + 0,33 x [0,57 x (0,38 x 100 + 0,62 x 0) + 0,43 x (0,38 x – 75 + 0,33 x 0 + 0,29 x 50)]} + 0,44 x [0,40 x (0,63 x 100 + 0,37 x – 50) + 0,60 x (0,36 x l00 + 0,64 x 50)] + 0,25 x {0,20 x [0,58 x (0,33 x 100 + 0,67 x 50) + 0,42 x (0,58 x 100 + 0,42 x – 75)] + 0,35 x [0,39 x (0,37 x – 60 + 0,47 x – 40 + 0,16 x 60) + 0,29 x (0,64 x 100 + 0,36 x – 42,9) + 0,35 x (0,62 x 100 + 0,38 x – 60)] + 0,45 x [0,23 x 100 + 0,32 x – 60 + 0,27 x – 50 + 0,18 x – 37,5]}

V(a)=28,29

De acordo com Goodwin e Wright (1991), pode haver conflito entre os resultados analíticos gerados pelo modelo multicritério e os intuitivos, em que o decisor não se utiliza de um modelo formal para tomar a decisão. Estes conflitos devem ser cuidadosamente analisados e é crucial que o modelo seja visto como legítimo pelo decisor (LANDRY et al. , 1996). Assim, o facilitador e o decisor devem compreender as razões das diferenças entre os resultados e fazer os ajustes no modelo multicritério, caso seja necessário. Neste ponto do processo de Apoio à Decisão, foi possível identificar as alternativas mais atrativas de acordo com o sistema de valor do decisor.

4.5 Análise dos resultados do modelo e recomendações

As imprecisões dos dados do contexto, assim como as incertezas do decisor na construção do modelo multicritério, fazem com que se torne importante realizar uma análise de sensibilidade, a fim de testar a robustez do modelo diante das variações de seus diversos parâmetros. A análise de sensibilidade permite que se conheça a variação que uma alteração na taxa de compensação de um critério ou na performance de uma ação poderá causar na avaliação das ações potenciais.

A análise de sensibilidade é uma fase importante na aplicação de qualquer modelo porque contribui para superar a falta de precisão na determinação dos valores parametrizados, para gerar conhecimento sobre o problema e também aumentar a confiança nos resultados obtidos (DIAS; COSTA; CLIMACO, 1997). Desta forma, com a construção do modelo e sua transcrição para o aplicativo Hiview, foi possível analisar as taxas de substituição, tanto local quanto globalmente. Após a análise, o decisor resolveu rever as funções de valor dos descritores e solicitou que fosse alterado o valor da ação status quo (situação atual) no descritor "Custo de Capital", alegando que, na situação atual, a empresa analisada estaria no terceiro nível da escala (66,67) e não no segundo nível (0,00) como ele havia estabelecido primeiramente, e que, de acordo com a sua nova visão, não estava com a precisão desejada.

Com esta alteração, o valor global da ação status quo ficou em 29 pontos. Analisando os critérios em que o impacto da ação potencial seria maior, o facilitador mostrou ao decisor o que aconteceria caso elevasse o nível na escala cardinal dos descritores, referente aos 4 critérios com maior impacto no valor global, ação esta definida como "proposta 1", afirmando que a pontuação de 29 iria atingir 51 pontos. A ação seria buscar elevar dois níveis nos critérios "Entrega", "Comunicação de Falhas", "Planejamento Entrega" e elevar um nível no critério "Atendimento".

Já na ação "proposta 2", em que o decisor havia escolhido 4 critérios que considerava como os mais importantes antes de ter conhecimento da avaliação global (critérios "Treinamento", "Controle das Operações", "Auditorias" e "Organização Espaço Físico"), em que a elevação de dois níveis na escala cardinal dos respectivos descritores elevaria a pontuação desta ação de 29 para 36 pontos, representando elevar apenas 7 pontos na análise global.

O gráfico da Figura 4 confirma que, na avaliação global do modelo, a proposta 1 (item 2 no gráfico, com 51 pontos) apresenta resultado superior à proposta 2 (item 3 no gráfico, com 36 pontos), em comparação com o status quo (item 1 no gráfico, representante da situação atual com 29 pontos). Diante destas análises, foi possível afirmar que, se o decisor trabalhar os critérios com maior representatividade no valor global, os resultados serão significativamente melhores pelo fato do decisor estar concentrando-se nas ações que representarão maiores contribuições para agregar valor à empresa.


Além disto, foi identificado pelo gráfico de sensibilidade que, nos critérios das áreas "Financeiro" e "Clientes", a proposta 1 será sempre superior, independentemente da taxa de substituição. Já na área "Desenvolvimento", a proposta 2 tende a ser superior à medida que se consegue melhorar o desempenho, atingindo níveis superiores nos critérios da ação escolhida.

Desta forma, após análise dos resultados das propostas, o decisor adquiriu melhor entendimento do problema, o que permitiu a elaboração de uma estratégia visando melhorar o desempenho dos operadores logísticos, iniciando pelas ações da proposta 1 e logo que tiver obtido os resultados desejados, também iniciar as ações referentes à proposta 2.

A metodologia multicritério empregada neste estudo adotou uma abordagem construtivista, na qual o modelo construído teve como propósito aumentar o entendimento do decisor sobre a cadeia logística e seus operadores. Esta maior compreensão permitiu ao decisor identificar, organizar e mensurar os aspectos críticos, bem como visualizar o perfil da situação atual por meio dos indicadores. A partir desse entendimento, foi possível melhor gerenciar os operadores logísticos. A construção das alternativas "proposta 1" e "proposta 2" e a compreensão da superioridade da primeira, somente foram possíveis com este entendimento adicional.

5 Considerações finais

Para superar os desafios gerados pela alta concorrência no setor têxtil, as empresas passaram a buscar na logística o diferencial competitivo para se manterem no mercado. Isto fez a logística ganhar conotação estratégica nas organizações e a avaliação de desempenho dos Operadores Logísticos tornou-se essencial para a sustentabilidade da cadeia logística.

Com base nessa perspectiva, a seção 4 "Estudo de caso: construção do modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos" apresentou o procedimento que responde à pergunta da pesquisa, uma vez que a metodologia sugerida teve a capacidade de construir entendimento do contexto, possibilitando identificar, organizar, mensurar e integrar as preocupações do decisor e os aspectos por ele percebidos como importantes.

Assim, o objetivo da pesquisa de construir um modelo para avaliar o desempenho de Operadores Logísticos, considerando o aperfeiçoamento contínuo da cadeira logística com foco nas necessidades dos clientes, foi alcançado, permitindo que o desempenho dos Operadores Logísticos com os quais a empresa trabalha seja avaliado constantemente em busca de melhorias.

A metodologia MCDA-C possibilitou não somente avaliar o desempenho, como também identificar oportunidades para aperfeiçoamento do serviço prestado pelos operadores logísticos. Dentre essas oportunidades, pode-se destacar a estratégia identificada pelo modelo que possibilitou propor alternativas que fizeram a avaliação global passar de 29 para 51 pontos. Antes de fazer a análise de sensibilidade do modelo, as mudanças sugeridas pelo decisor iriam impactar somente no aumento de 7 pontos, passando de 29 para 36 pontos, fato que evidenciou a potencialidade do instrumento apresentado no presente estudo.

Partindo do pressuposto de que o problema não está claramente definido e nem bem estruturado, na metodologia MCDA-C, acredita-se que todas as fases da evolução do problema merecem igual atenção e cuidado, desde a estruturação do problema até a fase de avaliação e recomendações, o que possibilitou avaliar numericamente o desempenho de alternativas e melhorou o processo de justificativa e comunicação da decisão.

Destaca-se que devido a pesquisa ser Fenomenológica, Construtivista, Particular sob a forma de Estudo de Caso, o modelo de avaliação construído é de aplicação específica para a empresa em que foi desenvolvido o trabalho, o que não impede a utilização do processo em outros contextos.

Como recomendação para futuras pesquisas, pode-se apontar o desenvolvimento de um banco de dados específicos para o modelo de avaliação desenvolvido, bem como o desenvolvimento de ferramentas computacionais que integrem os diversos softwares utilizados para a construção do modelo. Esta pesquisa poderá servir de apoio para o desenvolvimento de outros modelos de avaliação de desempenho, além de colaborar com o aumento do conhecimento sobre a metodologia MCDA-C.

Recebido em 4/6/2008 — Aceito em 10/9/2010

Suporte financeiro: Nenhum.

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Datas de Publicação

  •  Publicação nesta coleção
    28 Jan 2011
  •  Data do Fascículo
    Dez 2010

Histórico

  •  Aceito
    10 Set 2010
  •  Recebido
    04 Jun 200Universidade Federal de São CarlosDepartamento de Engenharia de Produção , Caixa Postal 676 , 13.565-905 São Carlos SP Brazil, Tel.: +55 16 3351 8471 - São Carlos - SP - Brazil
E-mail: gp@dep.ufscar.br

24/04/2024

5 DÉCADAS DE LOGÍSTICA EMPRESARIAL


Este artigo científico que já completa 13 anos, é muito coeso com os fatos atuais, 2014.

Os créditos aos pesquisadores abaixo.

Cinco décadas de logística empresarial e administração da cadeia de suprimentos no Brasil

ARTIGOS

ARTIGO CONVIDADO

Cinco décadas de logística empresarial e administração da cadeia de suprimentos no Brasil

Claude Machline

Professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getulio Vargas - São Paulo - SP, Brasil claude.machline@fgv.br

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da logística empresarial e da administração da cadeia de suprimentos no Brasil transcorreu de modo semelhante à sua evolução nos Estados Unidos, com alguns anos de defasagem em relação aos progressos norte-americanos. Em síntese, o tópico transporte, que era o foco do interesse nas décadas de 1950 e 1960, foi ampliado nas décadas de 1970 e 1980, transformandose em nova área de saber, a logística empresarial. Essa função administrativa, numa visão mais abrangente do que a que antes vigorava, incorporava ao transporte a gestão dos estoques, o armazenamento, os depósitos, a informação e a comunicação. Por sua vez, a partir dos anos 1990, em novo salto conceitual, prevaleceu a visão da cadeia de suprimentos, que constituía um alargamento (e também um alongamento) da noção de logística empresarial, estendendo essa última a toda a cadeia de fornecedores, a montante, e a toda a cadeia de clientes, a jusante da empresa.

TRANSPORTE DOS MATERIAIS

O transporte dos materiais - matérias-primas, produtos em fabricação e produtos acabados - sempre mereceu atenção por parte dos responsáveis pela gestão industrial, por ser assunto estreitamente ligado ao leiaute e à estrutura física do prédio e por ter implicações na produtividade, na qualidade, na segurança no local de trabalho e nos custos da operação. Todos os manuais de administração da produção da época (Maynard, Ireson e Grant) dedicavam vários capítulos ao prédio industrial, ao arranjo físico e ao transporte interno dos materiais (material handling).

Em vista dos imperativos operacionais e dos custos envolvidos, o transporte das matérias-primas, dos componentes e dos demais insumos, desde suas fontes até a fábrica, sempre foi tópico essencial da administração da produção e constituiu um dos fatores mais relevantes para a localização da indústria. Pelas mesmas razões, o escoamento dos produtos acabados até os centros de consumo (distribuição) também erigia-se numa consideração de máxima importância para a escolha da localização da empresa.

A escala crescente das operações nas décadas do pós-guerra, de 1945 em diante; o advento de novos equipamentos e tecnologias de transporte, tais como a empilhadeira de garfos, o transelevador, a paletização, as correias transportadoras, o contêiner; e os graus crescentes de mecanização e automação exigiam que se desse um nível de atenção sempre maior ao transporte, tanto de entrada (input) quanto interno e de saída (output). A engenharia de produção e a engenharia econômica, que analisam os equipamentos e permitem determinar os mais adequados, técnica e economicamente, encontravam, na área de transporte, um fértil campo de aplicações.

O crescimento econômico do País, sua modernização, a oficialização do nascimento da indústria automobilística nacional (1957), a construção das primeiras estradas de rodagem (via Anchieta, via Dutra) chamavam a atenção do público para uma área carente, a deficiente infraestrutura rodoviária.

A advertência do Presidente Washington Luiz, pronunciada 30 anos antes, começou finalmente a ser ouvida pelos governos federal e estaduais: "Governar é abrir estradas".

Atendendo à demanda do mercado, a Editora Abril lançou, em 1963, a primeira revista técnica dedicada ao setor, Transporte Moderno.

Algumas empresas privadas investiram, nos anos 1960, em iniciativas pioneiras na área de transportes. A Viação Cometa montou linhas de ônibus modernos, rápidos, limpos, confortáveis, entre algumas capitais do País. Os motoristas eram cuidadosamente selecionados, inclusive no aspecto psicológico. Para evitar que dormissem nos longos percursos noturnos, eram obrigados a se recolher em dormitórios da empresa algumas horas antes de cada viagem. A Cometa também foi pioneira no controle do consumo de combustível, lubrificante, pneus e peças de cada veículo, calculando seu desempenho e custo individual. A Real Aerovias e a Varig demonstraram às demais empresas de transporte a necessidade e as vantagens de uma bem-organizada manutenção. Estimuladas por esses exemplos, as transportadoras começaram a adotar essas boas práticas gerenciais, antes inéditas na cultura das empresas. Mais tarde, empresas públicas de transporte, como a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo de São Paulo (CMTC), com sua frota de 10 mil ônibus, tornaram-se adeptos modelares dos melhores sistemas de manutenção e controle de frotas.

Outras iniciativas precursoras da década de 1960 foram: a criação do autotrem, isto é, uma composição na qual, colocados sobre vagões-plataformas, os caminhões são transportados por trem, uma inovação do empresário Walter Lorch, controlador da Translor; a tentativa de transportar automóveis zero-quilômetro de São Bernardo do Campo para as demais regiões do País por navios de cabotagem roll-on roll-off; a façanha de distribuir regularmente botijões de gás de petróleo liquefeito de porta a porta para centenas de milhares de domicílios.

São Paulo estava se tornando a terceira maior cidade do mundo. Empresas tinham que distribuir diariamente milhares de produtos a milhões de pessoas. O mero vulto dessas operações, realizadas apesar de obstáculos de todo tipo, representava uma façanha administrativa, independentemente da obtenção de padrões aceitáveis de frequência, pontualidade e regularidade.

Em 1965, o governo cria, no Ministério dos Transportes, a Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes (Geipot), um think tank dos macroproblemas nacionais de transporte, cujos conceituados estudos tornaram-na uma referência nacional no assunto.

NASCIMENTO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL

Nos Estados Unidos, na década de 1960, uma nova visão gerencial estava alterando a percepção anteriormente dominante acerca da área de transporte. Notava-se que a tarefa de entregar o produto na quantidade certa, no local certo, na hora certa, incluía mais do que o transporte em si. A integração da gestão dos estoques, do armazenamento, das compras, da produção, da comunicação e da informação seria necessária para abastecer corretamente, ao mínimo custo possível. Em vez da única variável transporte, a equação do abastecimento necessitava a introdução de mais variáveis. Os militares, de longa data, vinham utilizando o termo logística para designar o suprimento de munições e provisões às tropas nos campos de batalha. Os resultados da logística militar, que havia contribuído decisivamente para a vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial, incitavam as empresas a adotar seus ensinamentos. Também influiu na aceitação da nova visão logística a divulgação das técnicas de pesquisa operacional. Essa área propunha a quantificação da gestão, por meio da criação de modelos matemáticos para solução dos problemas administrativos complexos, como, em especial, os de transporte. Um problema típico era, por exemplo: que fábricas ou que filiais deveriam abastecer quais mercados, para minimizar os custos totais da operação?

As técnicas quantitativas usavam algoritmos, como em gestão de estoques, programação linear, teoria de filas de espera, programação de projetos; heurísticas, como em programação da produção, roteirização de frotas, alocação de recursos; ou simulação de modelos, para problemas complexos demais para poderem ser resolvidos por algoritmos.

A teoria dos sistemas popularizara o conceito de otimização do sistema, visto como um todo, por oposição à subotimização de uma ou algumas de suas partes. Se um sistema for composto de duas partes, digamos: transporte e estoques, e se o gestor só pensar na otimização do transporte, reduzindo, por exemplo, o custo do transporte, mas aumentando o estoque, ele estará subotimizando, em vez de otimizar. Os trabalhos de Jay Forrester, no Massachussets Institute of Technology (MIT), relativos à dinâmica dos sistemas, divulgados a partir de 1958, analisavam a influência da alteração da demanda do consumidor final sobre a disponibilidade dos produtos na fábrica. Exerceram forte influência sobre a divulgação da nova abordagem logística, em que as variáveis estão interligadas.

Os títulos dos livros publicados mostram a evolução do pensamento gerencial, do transporte para a nova área, que, por tradição, guardou a designação de logística, mas, por necessidade de diferenciação do campo militar, denominou-se logística empresarial (business logistics). Em 1957, os professores George P. Baker e Gayton F. Germane escreveram um livro de 523 páginas, Case Problems in Transportation Management. Entre 1960 e 1966, o professor Karl M. Ruppenthal, da Graduate School of Business da Stanford University, editou cinco volumes de trabalhos relativos a transporte, demoninados Revolution in Transportation, Challenge in Transportation, Transportation Frontiers, Issues in Transportation Economics e Transportation and Tomorrow, num total de 1.126 páginas. Todavia, em 1963, editou um volume de 173 páginas, com o título New Dimensions in Business Logistics; e outro, em 1968, Business Logistics in American Industry, de 403 páginas. A expressão business logistics estava fazendo sua entrada em cena.

Em 1963, J. L. Heskett, igualmente da Stanford University, editava uma obra de 146 páginas sobre Business Logistics: Appraisal and Prospect.

Em 1964, veio à luz o primeiro livro didático sobre o tópico em foco, de autoria de J. L. Heskett, Robert M. Ivie e Nicholas A. Glaskowsky Jr, os dois últimos da Ohio State University, com o título Business Logistics, Management of Physical Supply and Distribution.

Os livros de logística empresarial sucedem-se. Em 1968, aparece o conhecido livro-texto de John F. Magee, Industrial Logistics; Analysis and Management of Physical Supply and Distribution Systems.

Ronald H. Ballou produz, em 1978, seu Basic Business Logistics, Transportation, Materials Management, Physical Distribution.

O primeiro livro nacional de logística, da autoria do então professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo Reginald Uelze, saiu do prelo em 1974, com o título Logística Empresarial, uma Introdução à Administração dos Transportes. Deve-se creditar também ao professor Uelze, secundado por colegas de Departamento de Produção e Operações Industriais da FGV-EAESP, notadamente os professores Kurt E. Weil e Wolfgang Schoeps, a iniciativa de convidar os professores Germane e Ruppenthal para ministrar palestras, no ano de 1972, sobre logística empresarial, em São Paulo. Foram as primeiras conferências proferidas no Brasil sobre o tema.

Entre as diversas instituições que começaram a efetuar pesquisas, consultorias e publicações nessa fase, destacam-se o Instituto de Movimentação e Armazenamento de Materiais (IMAM), em São Paulo, e o Centro de Estudos em Logística (CEL), do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração de Empresas (Coppead), fundado em 1991, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

CADEIA DE SUPRIMENTOS

Assim como a logística empresarial ampliou o conceito de transporte, adicionando-lhe as dimensões de compras, gestão de estoques, armazenamento, comunicação, informação e administração, assim também uma nova concepção, chamada cadeia de suprimentos (supply chain), surgiu na comunidade empresarial e veio enriquecer o ponto de vista logístico.

Embora se debata ainda intensamente se a noção de cadeia de suprimento acrescenta algo substantivo ao conteúdo da logística, a definição dada pelo Supply Chain Council (2002) joga alguma luz sobre a matéria: "cadeia de suprimento abrange todos os esforços envolvidos na produção e na entrega de um produto final desde o fornecedor do fornecedor até o cliente do cliente".

Enquanto a logística concentra-se nas operações da própria empresa, a cadeia de suprimentos olha desde o início até os elos finais da corrente de fornecedores e clientes. E com uma visão mais ampla e panorâmica do que a visão logística. Além da preocupação de todas as empresas com o que ocorre ao longo de toda a sua cadeia, é necessário um intenso grau de colaboração entre empresas ao longo da cadeia de suprimentos para que se atinja maior eficiência. Reuniões periódicas entre cliente - por exemplo, um supermercado - e seus fornecedores-fabricantes de mantimentos são efetuadas a fim de promover essa integração, sobretudo compartilhando informações relativas à demanda e aos estoques e adotando uma atitude amigável em vez de uma postura de confronto.

Essa filosofia tem recebido o nome de Efficient Consumer Response (ECR) e seu objetivo oficial é aumentar o lucro da operação ao longo da cadeia, resultando também na redução do custo do produto para o consumidor final. Os esforços colaborativos são ainda mais cruciais nas promoções e nos lançamentos de novos produtos. Pretende-se aumentar o giro dos estoques, reduzir as faltas nas prateleiras e facilitar as entregas.

A globalização, que se intensificou nas últimas décadas do século XX, força as empresas a aceitar a ideia de que estão inseridas numa cadeia de suprimentos, de extensão geográfica considerável.

A literatura técnica relativa a cadeias de suprimentos torna-se expressiva. Livros e artigos que anteriormente só traziam o termo transporte no seu título, agora, sempre nele incluem as palavras logística e supply chain. Um exemplo é um livro-texto clássico: Logistical Management; the Integrated Supply Chain Process, de Donald J. Bowersox e David J. Closs (1996), da Michigan State University, uma instituição de ensino proeminente nessa esfera de saber.

Proliferam revistas técnicas que tratam de transporte, logística e cadeias de suprimentos, podendo-se citar, entre outras, a Revista Tecnologística (1995); a Global, Comércio Exterior e Logística (2002); a Today Logistics and Supply Chain (2006). São criadas numerosas associações profissionais, tais como a Associação Brasileira de Logística (Aslog - 1989) e a Associação Brasileira de Movimentação e Logística (ABML - 1997).

Multiplicam-se cursos de administração de logística e cadeias de suprimentos.

A FGV-EAESP cria, em 2005, um Centro de Excelência em Logística e Cadeias de Abastecimento (Celog), para realização de pesquisas e publicações na área.

O Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais (Simpoi), da FGV-EAESP, escolheu, para designar o tema do seu evento anual, em 2008, o título "Cadeias de Suprimentos Sustentáveis", associando dois temas administrativos da maior relevância, cadeias de suprimento e sustentabilidade.

As empresas nacionais ainda se encontram no limiar dessa era de colaboração entre os membros da cadeia de suprimentos. Receiam desvendar dados confidenciais aos fornecedores, que podem espalhálos aos seus concorrentes. Como declarou um participante das reuniões de grupo congregando elos da cadeia supermercadista: "Se é difícil o entendimento dentro da empresa, entre compras, vendas, produção, finanças, logística e outros setores, como vamos conseguir nos entender entre empresas?" Outro participante, instado a expor ao grupo sua metodologia de previsão de demanda, explicou sua reticência nas seguintes palavras: "Como posso falar abertamente? Tenho um fornecedor sentado na minha frente, um cliente à esquerda, um concorrente atrás de mim e meu chefe à direita".

As Figuras de 1 a 4 mostram graficamente a evolução dos conceitos aqui expostos, desde a era do transporte (Figura 1) até a era das redes de suprimentos (Supply NetworkFigura 4), passando pela era da logística empresarial (Figura 2) e pela era da cadeia de suprimentos (Figura 3), numa visão sempre mais ampla, sistêmica e global.





CONCLUSÃO

Os tópicos de logística e cadeias de suprimentos estão entre os que mais têm recebido atenção por parte de administradores. Assuntos tradicionalmente ensinados sob os nomes de gestão de materiais, armazenamento, administração de almoxarifados, transportes hoje são englobados sob a denominação genérica de logística ou cadeias de suprimento. Apesar de essa tendência já se ter manifestado por várias décadas, muitos estudiosos consideram que os novos termos não passam de uma criação semântica, que a expressão cadeia de suprimento é apenas um elegante sinônimo de logística e que logística, por sua vez, é um lindo modismo para dizer transporte. Outros, esquecidos de que a logística abrange a entrada de materiais na empresa (inputs), o transporte interno (material handling), a saída (outputs) e a reversa, ou seja, a reciclagem (reverse), reduzem a logística à distribuição dos bens finais.

Algumas empresas de grande porte estão criando o cargo de Diretor de Cadeias de Suprimento, com total responsabilidade sobre o abastecimento da empresa e o fornecimento aos clientes. Entenderam, como se acabou descrevendo neste breve histórico, que os nomes de logística e cadeia de suprimento não constituem apenas modas terminológicas, mas encerram conceitos inovadores de integração de funções e interligação entre empresas.

  • BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2001.
  • BALLOU, R. H. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 2010.
  • BARBIERI, J. C; MACHLINE, C. Logística hospitalar, teoria e prática 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
  • CORRÊA, H. L. Changes in the role of production and operations management in the new economy. Journal of Operations and Supply Chain Management (JOSCM), v. 1, n. 1, p. 1-11, 2008.
  • DIAS, M. A. P. Administração de materiais, uma abordagem logística 5. ed. São Paulo: Atlas, 2006.
  • FIGUEIREDO, K. F; FLEURY, P. F; WANKE, P. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento do fluxo de produtos e dos recursos. São Paulo: Atlas, 2003.
  • MAGEE, J. F. Logística industrial: análise e administração dos sistemas de suprimentos e distribuição. São Paulo: Pioneira, 2001.
  • NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição Rio de Janeiro: Campus, 2001.
  • PIRES, S. R. I. Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, práticas e casos. São Paulo: Atlas, 2004.

Datas de Publicação

  •  Publicação nesta coleção
    27 Jun 2011
  •  Data do Fascículo
    Jun 2011

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Aumenta o número de sinistro no transporte de cargas na região Sudeste

 

Roubo de cargas cresce 10,5% no Sudeste e região segue na liderança de ocorrências

 

 

 

 

 

Em 2023, o Brasil registrou mais de 17,1 mil roubos de carga, um crescimento de 4,8% na comparação com o ano anterior. Segundo cálculos da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, o prejuízo anual ultrapassa R$ 1,2 bilhão. Conforme dados divulgados nesta semana na “Análise anual de roubo de cargas nstech”, o Sudeste continua na liderança dos prejuízos e ocorrências de roubo de cargas. O relatório completo está disponível.

A região registrou crescimento de 10,5% em relação a 2022. Em contrapartida, o Nordeste reduziu a participação no cenário de roubos — em 2022, a região teve o maior crescimento nos roubos, uma alta de 37% em relação a 2021 e reverteu o cenário, passando de 15% em 2022 para 8,3% em 2023. 

Conforme o relatório, o Sul apareceu como terceiro colocado no ranking por região, subindo de 3% em 2022 para 6,5% em 2023. Já o Centro- Oeste reduziu em 50% os prejuízos com o roubo de cargas. Destaque para o Norte, que caiu de 1,5% para 0,1% na comparação entre 2022 e 2023. 

“No final do dia, 99,9% das cargas no Brasil têm seguro em virtude da alta criminalidade, da alta concentração que temos de roubo de cargas. Nos últimos 20 anos, o Brasil vem figurando sempre na relação de países com maior criticidade para roubo de cargas no mundo. Então, trazemos esses dados para enriquecer a qualidade das operadoras e para que os embarcadores e transportadores possam tomar medidas antes para evitar, prevenir realmente o risco, fazer uma gestão preditiva”, explicou o VP de Inteligência e Relacionamento de Mercado da nstech, Mauricio Ferreira. 

TIPO DE CARGA 

As operações com cargas fracionadas e produtos alimentícios permaneceram entre as mais visadas pelas quadrilhas de roubo de cargas. Juntos, estes tipos de carga representaram 66,5% dos prejuízos. Em 2023, os cigarros ocuparam a terceira posição no ranking, com um aumento de 3,2 pontos percentuais em relação à 2022 – quando ocupavam o sexto lugar, com 4,6% dos sinistros. 

As bebidas registraram queda de 80% no prejuízo com roubo de cargas. Já os prejuízos em ocorrências envolvendo medicamentos saltaram de 3,3% em 2022 para 7,2% em 2023 

ÁREAS URBANAS X RODOVIAS 

Segundo a pesquisa, os trechos urbanos permanecem na liderança dos locais campeões em abordagem de criminosos. As áreas com maiores prejuízos foram nas rotas SP X SP (50,9%) e RJ X RJ (8%). Nos trechos urbanos, as mercadorias mais visadas foram as cargas diversas, cigarros, medicamentos, alimentícios e eletrônicos. Juntos, representaram 89,2% do prejuízo. 

Conforme dados da análise, entre as rodovias, destaque para a BR-050, com 7% do prejuízo total em 2023. O trecho mais vulnerável foi o que liga Goiás e São Paulo, com 31,3% dos prejuízos. Na BR-050, as ocorrências foram concentradas às quartas-feiras, com 34,1% dos prejuízos registrados no período da tarde e as cargas mais visadas foram as fracionadas, com 80,7% dos prejuízos. 

 A BR-116, reconhecida pela tradicional vulnerabilidade, registrou 6% dos prejuízos com roubo de cargas em 2023. Em 2022, esse percentual era de 13%. 

Nas rodovias, as cargas diversas somaram 58,1% do prejuízo, seguida por produtos alimentícios (20,4%) e químicos (8,5%). As ocorrências foram concentradas no período da madrugada, com destaque para as terças-feiras (28,1%) e sextas-feiras (20,6%). 

DESEMPENHO DOS ESTADOS 

Segundo o levantamento da nstech, as três primeiras posições do ranking de prejuízos por estado não sofreram alterações em 2023 na comparação com 2022. Conforme percentual por valor de prejuízo, São Paulo ocupa a primeira colocação com 50,2%, seguido do Rio de Janeiro (18,2%) e Minas Gerais (12,9%).  

Em compensação, o Paraná registrou aumento de 2,4 pontos percentuais e subiu da nona posição para o quarto lugar. Outros estados que tiveram crescimento nos prejuízos entre os anos de 2022 e 2023 foram Santa Catarina (de 0,4% para 1,9%), Espírito Santo (de 0% para 1,3%), Mato Grosso do Sul (0,3% para 0,6%) e Alagoas (0,2% para 0,6%). Os estados em queda foram BA, PE, GO, RS, MA, PI, CE, MT, PA, PB, AM, RN e TO. 

INVESTIMENTOS EM GERENCIAMENTO DE RISCO 

A análise também aponta que em 2023 as três gerenciadoras de risco do grupo nstech gerenciaram mais de R$ 1,9 trilhão em cargas nas mais de 15 milhões de viagens realizadas pelos clientes. Os indicadores contemplam sinistros evitados, sinistros recuperados e sinistros nos quais as quadrilhas lograram êxito. 

Em 2023, considerando a média das três gerenciadoras de risco do ecossistema nstech (BRK, Buonny e Opentech), foi registrado o maior e melhor índice de sinistros evitados/recuperados: 74%. Segundo a statup, esse percentual corresponde a mais de R$ 340 milhões em sinistros evitados ou recuperados em 2023. 

De acordo com o  CEO e fundador da nstech, Vasco Oliveira, apesar de ainda ter um caminho extenso pela frente, 2023 foi um ano importante para demonstrar que os esforços feitos pelo mercado em direção à segurança rodoviária estão se refletindo positivamente.  

"Na nstech, temos realizado o gerenciamento de risco efetivo e constantes investimentos em inovação, fortalecendo a tríade de soluções que oferecemos para a segurança logística: cadastro, monitoramento e gestão de contratos. Precisamos nos unir cada vez mais para continuar desenvolvendo recursos que minimizem o cenário progressivamente. Para isso, a colaboração é a melhor saída", disse. 

PANORAMA DOS ÚLTIMOS ANOS  

De acordo com o VP de Inteligência e Relacionamento de Mercado da nstech, Mauricio Ferreira, a tendência de prejuízos de roubos de cargas no Brasil flutuou entre R$ 1,2 e R$ 1,5 bilhões nos últimos 10 anos. Em relação à quantidade, estava reduzindo, apesar de um pico máximo em 2017, mas de 2021 para 2022 houve um leve aumento, em torno de 600 ocorrências a mais. 

Ainda conforme explicação do executivo, no ano passado piorou: saiu de cerca de 14 mil para cerca de 17 mil a mais. “Ou seja, em quantidade voltou a crescer e em valores ele manteve. O que mudou? Primeiro, a complexidade de logística, principalmente às questões relacionadas ao e-commerce. As indústrias querem estar mais perto e atender o cliente do jeito que ele quer. E nós, clientes finais, queremos receber mais rápido, aumentando o transporte rodoviário”, explicou.   

PARTICIPAÇÃO DO PODER PRIVADO 

Na avaliação de Mauricio Ferreira, o roubo de carga não é combatido pelo poder público. "O poder público não combate. Na nossa visão, quem faz a diferença e quem traz o controle no roubo de carga é o poder privado. São as empresas, são as transportadoras e são investimentos 100% privados nas gerenciadoras e em todo o ecossistema de tecnologia que mantém sob controle a criminalidade. Somente nós evitamos um prejuízo de R$ 340 milhões. Com as três gerenciadoras de riscos, temos 50% do mercado", ressaltou. 

 

23/04/2024

Como alcançar a receita de sucesso para melhorar a eficiência e a competitividade


No setor dinâmico e altamente competitivo de transporte e logística, onde a eficiência e a pontualidade são cruciais, é preciso encontrar formas para melhorar a eficiência operacional, reduzir custos e aumentar a satisfação do cliente. 

Nesse contexto, uma metodologia tem se destacado como uma abordagem poderosa para atingir esses objetivos de forma sistemática e sustentável. 

Provavelmente você já deve ter ouvido falar da metodologia Lean e se ela ainda não faz parte da gestão da empresa onde trabalha, então, ela corre o sério risco de ficar para trás diante dos seus competidores. 

O objetivo da metodologia Lean é minimizar desperdícios em todos os processos e maximizar o valor para o cliente, tornando as rotinas de trabalho mais dinâmicas e melhorando significativamente a eficiência operacional. 

Ao eliminar desperdícios e simplificar processos, fica viável produzir mais com menos recursos, reduzindo custos e aumentando a capacidade de atender à demanda do mercado de forma rápida e eficaz. Isso não apenas melhora a rentabilidade a curto prazo, mas também aumenta a capacidade da empresa de se adaptar a mudanças nas condições do mercado a longo prazo. 

Na logística, na prática, tudo isso envolve identificar e eliminar desperdícios em todas as etapas da cadeia de suprimentos, desde o armazenamento até a entrega final. Como resultado, deve-se buscar a redução do tempo de espera nos armazéns, a otimização das rotas de transporte, a minimização do tempo de inatividade dos veículos e a melhoria da precisão no processamento de pedidos. 

A metodologia também pode contribuir com tempos de entrega mais rápidos, menor consumo de combustível, uso mais eficiente dos recursos e, consequentemente, maior lucratividade. 

Outro ponto importante referente à metodologia Lean é o fato de promover uma cultura de melhoria contínua, estimulando a inovação dentro da organização. Ao enfatizar a importância da identificação e eliminação de desperdícios, encoraja os funcionários a procurar constantemente maneiras de fazer as coisas melhor e mais eficientemente. Isso não apenas aumenta a motivação e o engajamento dos funcionários como também leva a ganhos na produtividade e na qualidade. 

Por fim, outro aspecto fundamental do Lean é o foco no valor agregado para o cliente. Ao eliminar atividades que não agregam valor ao produto ou serviço final, as empresas podem oferecer produtos de melhor qualidade a preços mais competitivos. Além disso, a abordagem centrada no cliente do Lean também ajuda as empresas a entender melhor as necessidades e preferências dos clientes, permitindo-lhes desenvolver produtos e serviços que atendam melhor às suas expectativas. 

Contudo, devo alertar que implementar a metodologia Lean não é uma tarefa simples. Demanda tempo e requer um compromisso da liderança, investimento em treinamento e desenvolvimento de funcionários e uma mudança cultural significativa em toda a organização. Além disso, a implementação do Lean não deve ser visto como um processo único, mas sim um esforço contínuo. 

Agora que ficaram claros a importância do Lean e de seus benefícios, quero compartilhar alguns  exemplos práticos que ocorreram na BBM Logística, apenas dois meses depois da metodologia ser implementada na empresa. 

Na área administrativa, após um amplo mapeamento, redesenho e internalização do processo, o custo de envio e recebimento de correspondência foi reduzido em 80%, zerando a ocorrência de desvios de documentos no setor administrativo. 

Já na área operacional, o tempo do checklist de manutenção de veículos de transporte foi diminuído em 60%. Antes, os 100 pontos de checagem da manutenção consumiam uma hora e 45 minutos em cada veículo. Ao final de três dias de mapeamento, treinamento, discussões, adequações do quadro de ferramentas e definição do fluxo contínuo, foi possível reduzir o tempo do checklist para 40 minutos por veículo. 

Em resumo, se sua empresa não quer ficar para trás e precisa achar novas formas para melhorar a eficiência operacional, reduzir custos, aumentar a satisfação do cliente e promover uma cultura de melhoria contínua, então, a abordagem da filosofia Lean deve fazer parte da gestão. 

Embora sua implementação seja desafiadora, seus benefícios a longo prazo fazem dela uma ferramenta inestimável para as empresas se manterem competitivas em um mercado em constante mudança, garantindo sua relevância e sucesso a longo prazo. 


* Antonio Wrobleski é presidente da BBM Logística. 

20/04/2024

Banco BRADESCO

O **Banco Bradesco** teve sua origem em **1943**, quando foi fundado em **Marília**, no interior de São Paulo, com o nome de **Banco Brasileiro de Descontos**. Sua estratégia inicial consistia em atrair o pequeno comerciante, o funcionário público e pessoas de posses modestas. Isso era diferente dos bancos da época, que focavam apenas nos grandes proprietários de terras¹. O Bradesco foi um dos primeiros a estimular o uso de cheques por seus correntistas, orientando-os a preencher as folhas nas próprias agências. Em **1946**, a matriz do banco foi transferida para a capital paulista, na **Rua Álvares Penteado**, no centro da cidade. Com apenas oito anos de existência, em **1951**, o Bradesco já se tornava o **maior banco privado do Brasil**. Durante essa década, o banco expandiu sua atuação para o norte rural do Paraná e também decidiu erguer sua nova sede em **Osasco**. A construção da matriz levou seis anos para ser concluída. Além disso, em **1956**, foi criada a **Fundação Bradesco**, com o objetivo de oferecer educação gratuita a crianças, jovens e adultos carentes¹. Desde então, o Bradesco continuou a crescer e se tornou uma instituição financeira líder no Brasil, com uma trajetória marcada por inovações e pioneirismo em serviços bancários e tecnologia².

18/04/2024

A importância dos Belts na metodologia Seis Sigma

Introdução

A metodologia Seis Sigma é amplamente conhecida no mundo empresarial como uma abordagem eficaz para melhorar a qualidade e eficiência dos processos. Uma das características distintivas dessa metodologia é a utilização dos chamados "Belts", que representam diferentes níveis de conhecimento e habilidades em relação à aplicação da metodologia.

Os diferentes níveis de Belts

A metodologia Seis Sigma utiliza um sistema de Belts, semelhante às faixas de graduação no judô ou caratê. Existem seis faixas distintas: White Belt, Yellow Belt, Green Belt, Black Belt e Master Black Belt. Cada faixa representa um nível crescente de conhecimento e habilidades em relação à metodologia.

White Belt

O White Belt é a faixa mais básica na metodologia Seis Sigma. Esse profissional possui conhecimento básico sobre a metodologia, mas ainda não está preparado para liderar projetos de melhoria. Ele entende os fundamentos da metodologia, mas não possui conhecimento detalhado sobre as ferramentas necessárias para implementar projetos de melhoria.

Yellow Belt

O Yellow Belt possui um conhecimento mais aprofundado sobre a metodologia Seis Sigma. Além de entender os fundamentos da metodologia e os passos de um roteiro de melhoria, o Yellow Belt também é capaz de liderar projetos de baixa complexidade em sua área de atuação. Ele possui conhecimento sobre ferramentas de análise de processos e dados, mas em um nível mais básico.

Green Belt

O Green Belt possui um conhecimento mais avançado sobre a metodologia Seis Sigma. Além de dominar os fundamentos da metodologia e os passos de um roteiro de melhoria, o Green Belt é capaz de liderar projetos de média complexidade. Ele possui um amplo conhecimento sobre as ferramentas de análise de processos e dados e é capaz de realizar análises estatísticas mais avançadas.

Black Belt

O Black Belt é um nível acima do Green Belt e possui um conhecimento profundo sobre a metodologia Seis Sigma. Além de dominar todos os fundamentos da metodologia e os passos de um roteiro de melhoria, o Black Belt é capaz de liderar projetos de alta complexidade. Ele possui um amplo conhecimento sobre ferramentas estatísticas e é capaz de aplicá-las de forma eficaz em projetos de melhoria. Além disso, o Black Belt possui uma visão sistêmica e é capaz de identificar quais processos necessitam de melhorias em uma organização.

Master Black Belt

O Master Black Belt é o nível mais alto na hierarquia dos Belts da metodologia Seis Sigma. Além de dominar profundamente a metodologia, o Master Black Belt é capaz de liderar projetos de alta complexidade e orientar outros Belts. Ele possui um conhecimento avançado sobre todas as ferramentas estatísticas e de processos e é capaz de aplicá-las de forma eficaz em qualquer área da organização. Além disso, o Master Black Belt é responsável por promover uma cultura de melhoria contínua na organização e disseminar a metodologia para outros profissionais.

Considerações finais

A metodologia Seis Sigma utiliza o sistema de Belts para representar os diferentes níveis de conhecimento e habilidades em relação à metodologia. Cada Belt possui um papel importante na implementação de projetos de melhoria e na disseminação da cultura de melhoria contínua na organização. É essencial que cada profissional desenvolva suas habilidades e conhecimentos dentro da metodologia Seis Sigma, a fim de contribuir para o sucesso dos projetos de melhoria e o crescimento da organização.

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17/04/2024

Entendendo a Certificação em Six Sigma

O que é a certificação em Six Sigma?

A certificação em Six Sigma é um assunto bastante discutido e muitas vezes polêmico. Muitas pessoas falam sobre isso sem ter embasamento teórico ou prática para distinguir o que é verdade e o que é mito. Neste vídeo, vamos esclarecer tudo isso de forma clara.

A importância da certificação

Antes de mais nada, é importante ressaltar a importância da certificação em Six Sigma. Ter uma certificação pode abrir portas e oportunidades para os profissionais que desejam se destacar na área. No entanto, é preciso entender que a certificação em Six Sigma não é apenas um treinamento, é muito mais do que isso.

A certificação em Six Sigma é uma forma de comprovar que você possui conhecimentos e habilidades práticas na metodologia. É uma maneira de mostrar que você é capaz de aplicar os conceitos e ferramentas do Six Sigma em projetos reais, entregando resultados significativos para a organização.

As duas vertentes da certificação

Existem duas vertentes possíveis quando falamos sobre a certificação em Six Sigma. A primeira vertente é aquela em que você realiza um treinamento na metodologia e comprova seus conhecimentos por meio de uma avaliação formal e da aplicação de um projeto piloto. Esse projeto piloto pode ser didático, mas é importante que demonstre que você aplicou os conhecimentos na prática.

A segunda vertente é aquela em que as empresas exigem que você execute um projeto real, mostrando o quanto você conseguiu entregar de resultado com as ferramentas do Six Sigma. É necessário seguir os conceitos e etapas da metodologia, desde a definição do problema até a implementação e controle das melhorias.

O papel do controle na certificação

Um ponto importante a ser destacado é o papel do controle na certificação em Six Sigma. Não basta apenas entregar resultados, é preciso garantir que as melhorias se sustentem ao longo do tempo. No módulo de controle, é obrigatório controlar a melhoria e garantir que ela seja duradoura.

O processo de certificação em Six Sigma

Para obter a certificação em Six Sigma, é necessário passar por um processo de avaliação e desenvolvimento de um projeto piloto. Se você realiza um treinamento em uma instituição acreditada, você receberá um certificado ao completar a avaliação. Além disso, é necessário desenvolver um projeto piloto na prática e enviar um relatório detalhado para comprovar sua aplicação dos conceitos.

Para aqueles que estão buscando recolocação no mercado ou não possuem a possibilidade de desenvolver um projeto real no momento, é recomendado realizar um projeto piloto didático. Esse projeto deve simular o máximo de variabilidade possível para que você possa aplicar as ferramentas do Six Sigma. No entanto, após a conclusão do projeto piloto, é necessário realizar um projeto real para obter a certificação definitiva.

A prova de certificação pode ser realizada em instituições acreditadas ou com empresas certificadoras. O importante é que a prova seja prática e demonstre suas habilidades na aplicação do Six Sigma.

Conclusão

A certificação em Six Sigma é uma forma de comprovar seus conhecimentos e habilidades práticas na metodologia. É uma maneira de mostrar que você é capaz de aplicar os conceitos e ferramentas do Six Sigma em projetos reais, entregando resultados significativos. Seja através da realização de um projeto piloto ou de um projeto real, a certificação em Six Sigma pode abrir portas e oportunidades na carreira profissional.

Se você está interessado em obter a certificação em Six Sigma, lembre-se de buscar um treinamento adequado e seguir os conceitos e etapas da metodologia. Além disso, é importante manter-se atualizado e continuar praticando as habilidades aprendidas. Com dedicação e esforço, você poderá se tornar um profissional certificado em Six Sigma e se destacar no mercado de trabalho.

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