24/08/2015

Brasil, Éden desmoronado: desastres naturais no Brasil contemporâneo




RESUMO
O presente artigo discute a permanência de antigos mitos edênicos na sociedade brasileira assim como a relação destes, com o ambiente, a sociedade e as explicações utilizadas para diferentes desastres naturais ocorridos no início do século XXI, em território brasileiro. A perspectiva se justifica a partir das relações que se estabelecem entre homem e natureza, relações mediadas pela postura do primeiro, construída cultural e socialmente. O artigo propõe a entender, também, a origem histórica e cultural do mito do Éden – paraíso terrestre – e como este foi projetado pelos portugueses no momento da conquista do Novo Mundo. Esta perspectiva nos permite uma melhor compreensão da atual relação homem/natureza na sociedade brasileira, configurada, agora, por processos contemporâneos de mudança ambiental global e, pelos novos riscos e vulnerabilidades deles decorrentes tendo como área de estudo a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte Paulista.
Palavras-Chave: Ambiente; Mudança ambiental global; Sociedade; Mito; Risco.

RESUMEN
Este artículo discute la permanencia de antiguos mitos edénicos, en la sociedad brasileña y su relación con el ambiente, la sociedad y las explicaciones utilizadas para los diferentes desastres naturales ocurridos en inicio de este siglo, en territorio brasileño. La visión se justifica a partir de las relaciones establecidas entre hombre y naturaleza, mediatizadas por el primero y construidas social y culturalmente. El articulo también se propone a entender el origen histórico y cultural del mito del Edén – paraíso terrestre – y la forma como fue proyectado por los portugueses en el momento de la conquista del Nuevo Mundo. Esta perspectiva nos permite un mejor entendimiento de la relación actual hombre/naturaleza en la sociedad brasileña, ahora, configurada por procesos contemporáneos de mudanza ambiental global y por los nuevos riesgos y vulnerabilidades, de ellos decurrentes. El área de estudio es la Región Metropolitana del Valle del Río Paraíba y Litoral Norte del Estado de São Paulo, Brasil.
Palabra clave: Medio ambiente; Cambio ambiental global; Sociedad; Mito; Riesgo.



Introdução
As terras brasílicas encontradas pelos portugueses em 1500 significaram o coroamento de um projeto pela busca da terra edênica, representação do tão sonhado paraíso terrestre. Impulsionada pelo viés econômico, aguçado pelo desejo por riquezas naturais, a epopeia expansionista europeia foi, sem dúvida, regada pelo imaginário edenista. A busca de terras e riquezas fica evidente quando se lê a carta de Caminha, admirado pela natureza e abastança das terras do Novo Mundo.
Esse discurso ecoou pelo tempo, ganhando amplitude histórica, mesmo quando as evidências do presente mostram o contrário. Em 2007, dados do EM-DAT (2007) mostraram 150 registros de desastres naturais no Brasil, no período de 1900 a 2006 (MARCELINO, 2007).
Inundações, vendavais, tornados, granizos, escorregamentos e até terremotos tem sido constantes nos noticiários brasileiros. Do total de ocorrências, segundo estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 84% foram computados a partir da década de 1970, demonstrando um aumento considerável de desastres nas últimas décadas, com 8.183 vítimas fatais e um prejuízo de aproximadamente 10 bilhões de dólares (Idem).
No entanto, parece que o mito edênico anestesiou a percepção a ponto de termos a convicção que as terras brasileiras, além de "bonita por natureza", são "abençoadas por Deus". Os efeitos generalizantes dessa ideia edênica marcam um entendimento muito particular das questões ambientais no Brasil. Este discurso estabelece efeitos de verdade, normas e princípios reguladores, mesmo com a evidência da exposição da população brasileira aos impactos naturais, em decorrência das mudanças climáticas, conforme edição do relatório Risco Mundial 2013, em Bonn, na Alemanha, financiado pela Fundação Meio Ambiente e Desenvolvimento da Renânia do Norte-Vestfália.
Aceitar que o Brasil está sujeito a riscos naturais significa o primeiro passo para prover soluções aos desafios provocados pelos desastres naturais. Mas isso implica, necessariamente, em abandonar o mito do éden que habita o imaginário social brasileiro e encarar a difícil realidade que até o éden está suscetível aos desastres naturais na contemporaneidade.

Brasil, mito de fundação
O achamento da nova terra, além de significar a expansão da riqueza das coroas europeias, representou também a dilatação do Evangelho, proposta pela Igreja, abalada pela crescente onda de protestantismo. Além disso, a Europa enfrentava uma crise generalizada antes do quinhentismo, forte providência para a imaginação, conforme podemos apreender do texto a seguir:
A miséria e a fome criaram um meio propício para a busca de um paraíso terrestre; um paraíso de delícias (Gên. 2,8-14), em que a abundância de recursos vegetais, animais e minerais permitiu uma vida tranquila, sugerida pelo próprio texto bíblico (Gên. 2,7-17). Imagens de um jardim do Éden, idealizado pelo homem, povoam o imaginário europeu que concebe este espaço dentro de uma geografia visionária, que em termos físicos é uma síntese da literatura clássica e das narrativas bíblicas (...). Uma natureza abundante, repleta de árvores frutíferas, rios, fontes e lagos com água límpida, paisagens verdejantes entoadas pelos cantos dos pássaros eram o quando edênico a ser conquistado (ASSUNÇÃO, 2001, p. 35).
A busca de riquezas, que norteou os rumos das navegações quinhentistas e a visão de paraíso, instrumentos da investida no além-mar, foi mergulhada num discurso que, segundo Roland Barthes, podemos chamar de dimensão mítica. De acordo com Barthes, o mito surge a partir de contingências históricas e se impõe, de forma intencional, numa realidade, como espaço de construção, modificado por meio de representações (BARTHES, 1985).
Coroados pelo (re)descobrimento do Novo Mundo, os ibéricos confirmaram os presságios das paradisíacas e sedutoras terras prenunciadas nas Escrituras. A representação que se tinha do paraíso edênico foi transplantada para as terras da América. De mera sugestão metafórica, o mito ganhou força e a crença passou a se tornar ideia fixa.
O impacto da visão narrada na carta de Pero Vaz de Caminha associou mito e realidade. Essa associação acabou dando sustentação ao imaginário criativo. A natureza do lugar, que realçou os olhos no primeiro impacto, deu respaldo à imaginação, obcecada pela idealização da terra. A mente, povoada historicamente pelas narrativas míticas do paraíso terreal, acabou por fazer sentido. O europeu viu o que a matriz mental o permitiu ver.
Com a chegada dos primeiros jesuítas, ainda no século XVI, sedimentava-se na mentalidade europeia a perspectiva em relação à natureza deslumbrante, pura, intocada e bela do paraíso tropical tão idealizado pelos inacianos. Partindo do pressuposto que a Europa seria um "Continente Perdido" contaminado pela "infidelidade", e visando à manutenção de seu caráter evangelizador universalizante, a Igreja Romana abraçou os projetos expansionistas das potências europeias. Assim, o novo mundo oferece-se como campo aberto para esse processo, cabendo, principalmente à Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada por Santo Inácio de Loyola em 1538, promover a obra de cristianização dos índios e colonos, assegurada pela Coroa Portuguesa, por meio da instituição do "catequismo" (NEVES, 2007, p.127).
Os padres da Companhia de Jesus, preocupados com a evangelização dos indígenas, escreviam inúmeras cartas a seus superiores e irmãos europeus, contando em minúcias seus percalços com o processo de cristianização dos silvícolas, narrando o cotidiano colonial e não raras vezes demonstrando admiração e respeito ante uma natureza bravia e indomada.
É bastante conhecida e relativamente famosa uma carta de José de Anchieta endereçada ao Padre Diego Laynes, de Roma. Anchieta escreveu de São Vicente, em maio de 1560, dezessete longas páginas com descrição de bichos, mata, clima e toda natureza das "terras dos Brasis". Em muitas passagens da carta, Anchieta admira-se da diversidade da fauna brasileira:
No interior das terras acham-se cobras de extraordinário tamanho, a que os Índios chamam sucurijuba, que vivem quase sempre nos rios, onde elas apanham para comer os animais terrestres que com frequência os atravessam a nado, mas as vezes saem a terra e os atacam nas veredas por onde costumam passar dum lado para o outro. Não é fácil crer na grossura do seu corpo. Engolem um veado inteiro e ainda maiores animais. Coisa comprovada por todos. E alguns irmãos nossos o viram com espanto; e um deles, vendo uma cobra a nadar, julgou que fosse o mastro de um navio (LEITE, 1954: apêndice VI: VI).
Em outra passagem dessa mesma carta, e após detalhar os caprichos dos ventos e das chuvas, da candura de papagaios, passarinhos e borboletas, ou deter-se na descrição de magníficas onças pintadas e ferozes, Anchieta se rende às maravilhas divinas de uma terra tocada pelas mãos do criador:
Até nas pedras há com que se admirar e, portanto exaltar a onipotência de Deus Nosso Senhor, sobretudo uma, útil para afiar espadas; mas tem de maravilhoso que se presta a ser tratada como maleável, e, qualquer parte que dela se toque, move-se como encaixe, de maneira que não parece uma pedra só, mas muitas, pegadas entre si por diversas junturas (LEITE, 1954: apêndice VI: XVI).
Em outro momento dessa mesma correspondência, o jesuíta dedica espaços para ressaltar as maravilhas da mata, das árvores, enfim, do ambiente. Árvores, raízes e frutos da terra, segundo o jesuíta, teriam vastas propriedades curativas, assinalando um aprendizado assimilado dos indígenas, e uma busca constante de aproximação com uma natureza solidária e generosa:
Das árvores, parece digna de menção (embora haja outras que destilam líquidos semelhantes à resina, úteis para remédios), uma que dá um suco suavíssimo, que querem seja bálsamo. Escorre a princípio como óleo por orifícios abertos pelo caruncho ou também por incisuras feitas por facas e machados, e depois coalha e parece tomar a forma de bálsamo. Exala cheiro não demasiado, mas suavíssimo, e é muitíssimo próprio para curar feridas, de maneira que em pouco tempo nem sinal fica da cicatriz (LEITE, 1954: apêndice VI: XV).
Em seu relato, Anchieta enfatiza a bondade do clima, a suavidade das estações, a abundância das chuvas e amenidade do inverno. No entanto, transparece também em seu discurso, em várias passagens, um sentimento de medo e respeito por uma natureza primitiva, selvagem, capaz de deflagrar tempestades tortuosas em momentos distintos e inusitados:
Não há muitos dias, estando em Piratininga, depois do por do sol, de repente começou a turvar-se o ar, a enevoar-se o céu, a amiudarem-se os trovões e os relâmpagos; o vento sul envolveu a terra até chegar ao nordeste, donde quase sempre costuma vir a tempestade, ganhou tal violência que parecia o Senhor ameaçar com a destruição. Abalou casas, arrebatou telhados, derrubou matos, arrancou pelas raízes grandíssimas árvores, partiu ao meio ou destroçou outras, de maneira que nos matos se taparam os caminhos, sem ficar nenhum (LEITE, 1954: apêndice VI: II).
Torna-se importante enfatizar o quanto de medo e deslumbramento jesuítas e colonizadores vivenciaram em relação à natureza inóspita dos trópicos, ou das "terras dos Brasis", conforme a fala da época. Religiosos e viajantes, cada qual a seu modo, buscavam decifrar as incógnitas de um mundo único, princípio edênico que, tanto na América Portuguesa quanto na América Espanhola foi capaz de traduzir as expectativas desses ocupantes "estrangeiros".
Cada Coroa europeia, a sua maneira, imprimiu no espaço do Novo Mundo a sua marca. Cidades organizadas, planejadas e estruturalmente pensadas marcaram o zelo minucioso e previdente da colonização espanhola na América (HOLANDA, 1969, p. 62). Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, revela o cuidado que os conquistadores castelhanos tiveram na fundação das cidades na América:
Na procura do lugar que se fosse povoar cumpria, antes de tudo, verificar com cuidado as regiões mais saudáveis, pela abundância de homens velhos e moços, de boa compleição, disposição e cor, e sem enfermidades; de animais sãos e de competente tamanho, frutos e mantimentos sadios; onde não houvesse coisas peçonhentas e nocivas; de boa e feliz constelação; o céu claro e benigno, o ar puro e suave. Se fosse na marinha, era preciso ter em consideração o abrigo, a profundidade, e a capacidade de defesa do porto e, quando possível, que o mar não batesse da parte do sul ou do poente. Para as povoações de terra dentro, não se escolhessem lugares demasiado altos, expostos aos ventos e de acesso difícil; nem muito baixos, que costumam ser enfermiços, mas sim os que se achassem a altura mediana, descobertos para os ventos de norte e sul. Se houvesse serras, que fosse pela banda do levante e poente. Caso recaísse a escolha sobre localidade à beira de um rio, ficasse ela de modo que, ao sair o sol, desse primeiro na povoação e só depois nas águas (HOLANDA, 1969, p. 63).
Por outro lado, a nudez e a inocência indígena deram aos portugueses direitos de concretização da posse. Baseados na fé cristã, os portugueses se estabeleciam, munidos de prerrogativas, base essencial para que o éden fosse explorado. O delírio dos primeiros momentos determinou a cultura de exploração, ofuscando a sensatez e a consciência dos proprietários na lida com a terra. Otimistas, os portugueses seguiram sua forma de produzir, convictos da inesgotável imensidão das terras e na perenidade de sua fertilidade. Contrariados por uma realidade, nossa economia agrário-exportadora seguiu seu curso permeada por crises, revelando as sementes de sua decadência (STEIN, 1990, p. 253).
Os estudiosos, tentando entender esse fenômeno, atribuíram a crise do café do século XIX às antigas práticas de desflorestamento, conjugadas às visitas periódicas de formigas, gafanhotos e outras pragas aos cafezais. Atrelada a esses fatores podemos acrescentar à lista dos motivos que levaram ao colapso do café, a insuficiência da força de trabalho escrava e sua consequente valorização; bem como as flutuações do preço do café no mercado internacional e o endividamento dos produtores.
Mas foi, sobretudo, o esgotamento das terras produtivas e o "conjunto dos métodos de cultivo empregados que minaram progressivamente o suporte material e ambiental dessa produção" (PETRUCCELLI, 1994, p. 23). No entanto, os agricultores dos novecentos, ofuscados pela força do mito edênico "procuravam a razão do declínio (da produção) no valor dos juros dos empréstimos agrícolas ou na falta de máquinas de tratamento dos grãos de café" (idem). Certamente esses foram fatores determinantes. No entanto, os aturdidos produtores não conseguiam enxergar que o mais categórico dos motivos estava na forma de destruição do meio ambiente (idem).
Os métodos inalterados de cultivo manual eram aplicados na forma de tentativa e erro. Tentaram-se e erraram-se sucessivas vezes, notadamente porque a forma de explorar e ocupar a terra se fundamentou no empirismo. Os métodos agrícolas utilizados no Brasil foram baseados em costumes locais. Os mais experientes aconselhavam: "se o tornozelo e a metade da barriga da perna afundam no humo debaixo da árvore, o solo é bom" (STEIN, 1990, p. 58). Já os menos preocupados advertiam: "fiz as coisas dessa maneira, deixe que a próxima geração faça como lhe agradar" (STEIN, 1990, p. 256). Essa visão, juntamente com a propriedade, era transferida às novas gerações.
As palmeiras imperiais, símbolo de opulência, obscureciam a lucidez do manejo. A baronesa do Paty sarcasticamente observou nos idos de 1862 que as ideias do filho ainda eram as do pai, a quem o avô persuadiu (apud STEIN, 1990, p. 78). Lucidamente observou a baronesa em seu inventário em 1868: "podemos ainda ver estabelecimentos, erguidos há mais de 60 anos, dirigidos pelos mesmos métodos que deixam à natureza e à lenta ação do tempo o trabalho da produção" (STEIN, 1990, p. 78). O interessante é que essa percepção revelava que poucas foram as ações tomadas para adequar as formas de produção ao novo status mercantil das terras, a partir da Lei de 1850. Nesse momento, as terras passaram a fazer parte oficialmente do circuito mercantil, com estabelecimento das fronteiras das propriedades.
No entanto, apesar da valorização das terras e da delimitação das fronteiras geográficas não houve mudanças na concepção de explorar as terras. A disposição dos cafezais em colunas verticais ainda era praticada. O desastre ocasionado pelas chuvas torrenciais em 1878 permitiu a um observador notar que, "Cada vez que chove (...), uma cascata desce até a base de cada fileira de cafeeiros, ajudada na sua descida pelos montes de capim deixados pelos escravos em sua capina entre as fileiras de café. Imagine com o que deve parecer se o morro for íngreme e elevado e o solo, arenoso" (STEIN, 1990, p. 259).
Não foi preciso imaginarmos. Vimos com nossos próprios olhos, embalados pela celebração do Novo Ano inaugurado em 2009, "a revolta da natureza". Santa Catarina terminou o ano de 2008 em destroços. Os dados alarmantes deram conta que desde setembro de 2008 até o começo de 2009, 135 pessoas morreram no Estado por causa das chuvas. Mais de 97% das mortes ocorreram por soterramentos, afetando um terço do território e atingindo mais de 2 milhões de pessoas (34% da população total). Considerando a magnitude do desastre de 2008/2009 (Figura 1), a Defesa Civil concluiu que este foi o pior da história de Santa Catarina (senado.leg.br/comissões CMMC/AP/AP20090814_Def_Civil_SC). Em Minas Gerais, os estragos, no mesmo ano, bem menores, foram também preocupantes, 25 pessoas perderam suas vidas.


O Relatório do CREA (2011/09) divulgou dados da tragédia ocorrida na Região Serrana em janeiro/2011, onde morreram mais de 900 pessoas, e restaram milhares de desabrigados. Em dezembro de 2013, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi um dos municípios mais atingidos pelo temporal. Cerca de 70% das ocorrências foram relacionadas a deslizamentos de encostas, segundo a defesa civil (O Fluminense, 11/12/2013).
Poderíamos estender esses exemplos a outras áreas. Quem poderia imaginar o Nordeste, região árida do Brasil, coberta de água? Em 27 de janeiro de 2011, uma forte chuva fez transbordar o canal do rio Granjeiro, no Crato, Cariri cearense. "O sertão vai virar mar", desejo cantado em prosa, se profetizou. Isso faz-nos lembrar da composição Súplica cearense (1964), considerada hino do nordestino, imortalizada por Luiz Gonzaga. Na canção, o exagero do pedido ou a força da fé sobrepõem às outras condições, ligadas à relação empírica homem/natureza.
Súplica cearense
Luiz Gonzaga
Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há
Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão
Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração
Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar
Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará
O Brasil feito em mito revelava sua outra face, contrariando Rocha Pitta, considerado o primeiro historiador do Brasil, convicto das potencialidades naturais do país, em 1930 pronunciava:
em nenhuma outra região se mostra o céu mais sereno, nem madruga mais bela a aurora; o sol em nenhum outro hemisfério tem raios tão dourados, nem os reflexos noturnos tão brilhantes; as estrelas são mais benignas e se mostram sempre alegres (...) as águas são mais puras; é enfim o Brasil Terreal Paraíso descoberto, onde tem nascimento e curso os maiores rios; domina salutífero o clima; influem benignos astros e respiram auras suavíssimas, que o fazem fértil e povoado de inumeráveis habitadores (CHAUÍ, 2004, p. 6).
A representação positiva das paisagens do Brasil, tão alardeada aos quatro cantos, surtiu grande efeito. Nos idos de 1995 uma pesquisa de opinião revelava a representação da homogeneidade do discurso. Dos entrevistados, 60% dos brasileiros sentiam orgulho do país. Dos motivos da soberba, a natureza liderava o ranque (Cf. CHAUÍ, 2004, p. 6). A estatística simplesmente demonstrou que o mito fundador se conserva presente no imaginário do brasileiro, porém, ressignificado. A grande maioria das respostas classificadas como "natureza" coincidia com as características da tradição edênica. Alguns exemplos são claros, ao mencionar a terra maravilhosa, o céu, o ar puro, a beleza das praias, as matas, a Amazônia, a fertilidade do solo, o país abençoado, o tamanho, as riquezas naturais, o clima, a ausência de terremotos e furacões. Esta visão paradisíaca do país, lembra Carvalho, também foi estigmatizada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues quando proferiu: "Ah, o Brasil não é uma pátria, não é uma nação, não é um povo, mas uma paisagem" (CARVALHO, 2007).
Apesar da longa distância do mito de origem, o Brasil ainda continua sendo concebido como "um dom de Deus e da natureza" (CHAUÍ, 2004, p. 8). O lema da terra abençoada, em plena ditadura militar, ganhou força com o grupo musical Os Incríveis. Representado por Dom e Ravel, o hit entoava: "O Céu do meu Brasil tem mais estrelas, O sol do meu país, mais esplendor; A mão de Deus abençoou; Em terras brasileiras vou plantar amor". O imaginário fundador continuava embasando nossa forma de lidar com as nossas potencialidades naturais e cada vez mais se acreditava que ''em se plantando tudo dá''. Essa convicção, apesar de senso comum, não era um consenso no país. Graciliano Ramos, por exemplo, conta-nos consternado, em suas memórias de infância, os resultados de uma triste rotina secular:
Mergulhei numa comprida manhã de inverno. O açude apojado, a roça verde, amarela e vermelha, os caminhos estreitos mudados em riachos, ficaram-me na alma. Depois veio a seca. Árvores pelaram-se, bichos morreram, o sol cresceu, bebeu as águas, e ventos mornos espalharam na terra queimada uma poeira cinzenta. Olhando-me por dentro, percebo com desgosto a segunda paisagem. Devastação, calcinação. Nesta via lenta sinto-me coagido entre duas situações contraditórias – uma longa noite, um dia imenso e enervante, favorável à modorra (apud NEVES, 2006, p. 16).
Infelizmente, as vozes daqueles que alertavam sobre a rua de mão única se esvaíram frente à secular forma de exploração das terras. O que permaneceu foi a convicção de que tínhamos nas mãos as bênçãos da fundação. Como entender a manutenção dessa ideia? Como entender a representação positiva da nossa imagem frente a tantas evidências contrárias, na nossa contemporaneidade? Como entender a destruição das cidades de São Luiz do Paraitinga e de Angra dos Reis atingidas pelas fortes chuvas durante as comemorações de réveillon de 2010? E o soterramento das cidades da Região Serrana do Rio de Janeiro durante o verão 2010/2011? O que estaria acontecendo com o "país tropical abençoado por Deus e lindo por natureza"? O dilúvio que atinge o país a cada mês de dezembro marca de forma indelével o rompimento da harmonia e o retorno ao Caos.
Estaria o Brasil, terra bendita, sendo renegada pelos deuses? O que teria acontecido com os bons presságios? O certo é que assistimos, aturdidos, à "revolta da natureza". O Brasil da fundação, éden versado em prosa e versos se desmorona na contemporaneidade, deixando a todos consternados.

Éden ou purgatório?
Os acontecimentos dos últimos anos vêm nos apresentando uma dura realidade que não passava nem remotamente pelas cabeças dos primeiros habitantes do País, nem tampouco na mente dos colonizadores.
Na verdade, os processos de mudança ambiental global que se materializa sob a forma de impactos locais de eventos climáticos extremos como os observados, a cada verão, em todo o território nacional – seja pelas inundações e deslizamentos de encostas no Sudeste e no Nordeste ou pelas secas no Norte e no Sul – é algo que não fazia parte do imaginário brasileiro, apesar de suas ocorrências não serem propriamente novidade.
Diversos pesquisadores das mais diferentes áreas do conhecimento vêm sistematicamente alertando para o fato de que as mudanças ambientais globais serão especialmente impactantes sobre setores como a economia e a política, assim como, também, a saúde humana (HOGAN; TOLMASQUIM, 2001; GIDDENS, 2008). Todavia, a percepção pública desses impactos tem sido pouco considerada na literatura acadêmica, assim como a análise das construções conceituais e culturais associadas com o ''direito'' outorgado à espécie humana para dominar as demais espécies e o planeta como um todo.
A produção acadêmica especializada também vem revelando que, para complicar ainda mais o cenário, os impactos das mudanças ambientais globais não se distribuirão de forma equilibrada, fazendo com que algumas áreas permaneçam mais intensamente atingidas e afetadas do que outras. Dentre as áreas que serão especialmente impactadas, as regiões costeiras se apresentam como as mais sensíveis e vulneráveis (CONFALONIERI, 2005; HOGAN; TOLMASQUIM, 2001).
As regiões costeiras brasileiras, mais especificamente, vêm se destacando por um histórico – desde o Período Colonial, com aceleração e intensificação dos processos no período mais recente – de intensas e profundas mudanças ambientais e, consequentemente, sociais e culturais em função de alterações na cobertura e no uso do solo, das novas configurações do espaço – com uma significativa predominância do padrão de urbanização dispersa – e da intensiva utilização dos recursos naturais – em especial dos combustíveis fósseis como o petróleo e o gás natural (BARBOSA et al., 2009; 2010; FERREIRA et al., 2011; HOGAN et al., 2008; FREIRE DE MELLO; HOGAN, 2007; FREIRE DE MELLO, 2008; FREIRE DE MELLO, 2010).
Já a forma portuguesa de ocupação do espaço seguiu instintos naturais. Sem regra, sem ordem, com muito desleixo e nenhum método, seguiu-se tomando as terras dos nativos. Importando métodos pouco laboriosos da matriz europeia, os portugueses feitorizavam mais que colonizavam (HOLANDA, 1969):
A rotina e não a razão abstrata foi o princípio que norteou os portugueses, nesta com em tantas outras expressões de sua atividade colonizadora. Preferiam agir por experiências sucessivas, nem sempre coordenadas umas às outras, a traçar de antemão um plano para segui-lo até o fim (...). Nenhum rigor, nenhum método, nenhuma previdência, sempre esse significativo abandono que exprime a palavra "desleixo" (idem, p.76).
Se analisarmos o caso específico do Litoral Norte do Estado de São Paulo, região formada pelos municípios de Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba, famosa por suas belíssimas paisagens litorâneas e por ser um dos principais polos de atração turística no estado e no Brasil – estudos mostram que a população flutuante presente nos quatro municípios nos picos do verão e do período de férias escolares supera facilmente um milhão de pessoas – veremos que a visão do ''Paraíso Terrestre'' herdada de nossos antepassados ainda continua fortemente impregnada na mente das pessoas. Dentre os quatro municípios, o de Caraguatatuba apresenta características marcantes que tornam ainda mais interessante a sua análise sobre a perspectiva proposta, como se discutirá mais adiante.
O Litoral Norte do Estado de São Paulo (Figura 2) faz parte da estrutura geológica e topográfica da Serra do Mar (CRUZ, 1974), abrangendo a zona costeira e as escarpas a ela associadas, onde predomina um mosaico de ecossistemas conhecido como Floresta Atlântica ou Mata Atlântica, que era uma das maiores áreas de floresta tropical das Américas e aproximadamente 1,5 milhões km² do território brasileiro, inclusive a maior parte do litoral do país (RIBEIRO et al., 2009).
Em função de sua privilegiada localização geográfica, a região foi uma das primeiras a ser ocupada no Período Colonial e, desde o início da colonização, sua história e economia se mesclam com a dominação e a exploração intensiva da Mata Atlântica. Atualmente, no território originalmente ocupado pelo bioma, vive aproximadamente 70% da população brasileira, o que faz com que seja responsável por cerca de 80% do Produto Interno Bruto – PIB (valor total da produção industrial e de serviços de um país) do Brasil (Seixas et al., 2011).
O Litoral Norte do estado de São Paulo abriga uma população de 281.778 habitantes (IBGE, 2011), distribuídos em seus quatro municípios – Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba e compreende uma área total de 1.947,70 km². A cobertura vegetal original ainda persiste em 84% da área dos municípios de Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba (SOS Mata Atlântica; INPE, 2009), enquanto que em Caraguatatuba, com maior população entre eles, esta porcentagem cai para 74%.
O Litoral Norte tem sua ocupação histórica e seu desenvolvimento econômico fortemente entrelaçado com o Vale do Paraíba Paulista, região que, apesar de sua estratégica localização espacial – entre São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores metrópoles brasileiras – se caracterizou, especialmente durante o período compreendido pela primeira metade do século XX, por um significativo isolamento e pela acentuada estagnação econômica (MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010a; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010b; SILVA et al., 2010).
O seu processo de ocupação e povoamento iniciou-se ainda no período colonial quando, no final do século XVII, exploradores paulistas passaram a se deslocar em direção às Minas Gerais com o objetivo de capturar índios e explorar as reservas de ouro. Neste momento, o vale do Rio Paraíba do Sul assumiu a função de corredor de acesso às regiões localizadas mais ao interior do país, facilitando a entrada dos colonizadores e a ocupação do território. Ao longo dos séculos seguintes, a região manteve este caráter de caminho dos fluxos de pessoas e produtos entre o interior e o litoral (MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010a; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010b; SILVA et al., 2010).
Na segunda metade do século XVIII, a cultura do café expandiu-se pela região, originando-se, por volta de 1760, a partir de cultivos localizados na porção do Vale do Paraíba fluminense. Nas décadas seguintes, a agroindústria cafeeira tornou-se o principal produto de exportação brasileiro e a região viveu um período de significativo dinamismo e crescimento, tanto populacional quanto econômico, financiados pelos grandes lucros gerados pela produção agrícola atingindo seu apogeu durante o Segundo Império brasileiro, propiciando o início do processo de industrialização da região (MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010a; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010b; SILVA et al., 2010).
Na década de 1970, ocorreu a consolidação do processo de desconcentração espacial das atividades industriais do estado de São Paulo, anteriormente concentradas na Região Metropolitana de São Paulo. Este processo foi uma continuação da desconcentração da produção agrícola a partir de São Paulo, iniciado na década de 1940 e que teve seu auge no final da década de 1950 (MARTINE e CAMPOLINA, 1992: 125 apud FREIRE DE MELLO, 2012).
Como afirmam Martine e Campolina, a desconcentração da atividade industrial, ao contrário do que normalmente se pensa, foi pensada e implementada refletindo:
a lógica e o interesse das firmas do estado, de vez que foi induzido, em grande parte pelas necessidades de expansão das empresas paulistas sobre uma parcela crescente do espaço nacional. [...] O lançamento do novo pacote de projetos industriais – a partir do final da década de 60, à medida que as plantas existentes alcançavam suas escalas técnicas ou atingiam plena capacidade – também favoreceu o deslocamento espacial (MARTINE e CAMPOLINA, 1992: 127 apud FREIRE DE MELLO, 2012).
Contemporaneamente e como decorrência das políticas de desenvolvimento das últimas administrações do Governo Federal, a economia da região do Vale do Paraíba Paulista entrou em uma nova etapa de dinamização e crescimento, especialmente em função da implementação das atividades relacionadas com a extração e exploração das reservas de gás natural do campo de Mexilhão e do petróleo da plataforma pré-sal, e da ampliação do Porto de São Sebastião (MoMOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010a; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010b; FREIRE DE MELLO, 2012).
Esta nova e dinâmica etapa, além de incorporar e aumentar significativamente a importância econômica e política dos municípios do Litoral Norte, também vem contribuindo de forma bastante importante para o estabelecimento de um novo vetor de atração de atividades econômicas, localizado no sentido Litoral Norte-Campinas e ao longo do eixo das rodovias Dom Pedro I (SP-65) e dos Tamoios (SP-99), que começa a rivalizar com o eixo da Via Dutra (BREUNIG e FREIRE DE MELLO, 2010; CASTRO, FREIRE DE MELLO e REIS, 2010; FREIRE DE MELLO, 2012; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010a; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010b).
O novo eixo de desenvolvimento vem acompanhado de uma série de projetos de grande impacto econômico, social, ambiental e político, além de contribuir de forma bastante significativa para o aumento da pressão antrópica sobre o meio ambiente em função da ampliação da ocupação urbana de áreas de acentuada vulnerabilidade socioambiental situadas em seu entorno, tanto no interior quanto no litoral (ALVES et al., 2010; BREUNIG e FREIRE DE MELLO, 2010; CASTRO, FREIRE DE MELLO e REIS, 2010; D'ANTONA, ALVES e MELLO, 2010; IWAMA-MELLO, TOMÁS e D’ANTONA, 2011; FREIRE DE MELLO et al., 2010; FREIRE DE MELLO, 2012; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010a; MOREIRA NETO e FREIRE DE MELLO, 2010b; SEIXAS et. al., 2010).
Mais que isso, o novo eixo de desenvolvimento representado pelas rodovias Dom Pedro I e dos Tamoios permite que diversos atores sociais expandam as suas participações, ampliando sua influência e a intensidade de seus impactos sobre a realidade socioeconômica e política na região. Talvez um dos melhores exemplos destas participações seja o processo, iniciado alguns anos atrás e que atingiu seu ápice em nove de janeiro de 2012, com a criação da chamada Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte por meio da aprovação da Lei Complementar Estadual 1.166 pelo Governador do Estado de São Paulo.
Dentre estes atores, destaca-se o papel desempenhado pela indústria imobiliária na transformação do espaço e, consequentemente, na geração e intensificação de impactos socioambientais.
O Litoral Norte, por sua vez, teve sua ocupação iniciada já na primeira metade do século XV, culminando em um processo de resistência indígena organizada na Confederação dos Tamoios (1554-1567), que reuniu os chefes nativos da região do litoral Norte Paulista e sul fluminense contra o invasor europeu (Marcílio, 2006, p.47). O acordo oficial de paz, o primeiro do Brasil, conhecido como Tratado de Paz de Iperoig, firmado em 14 de setembro de 1563 com os líderes indígenas possibilitou a radicalização de inúmeros portugueses na região, por meio da obtenção das sesmarias. A ocupação dessa região era ''típica do colono que não tinha capital para comprar escravos, construir engenhos e participar da economia comercial: em outras palavras, do colono que estava limitado à economia de subsistência'' (COSTA, 1984, p. 144).
A descoberta de ouro nas Minas Gerais deu certo ânimo à região, que ensaiou o início da produção de cana-de-açúcar e gêneros de primeira necessidade para o abastecimento das áreas mineradoras, transportadas pelo porto de Ubatuba. Em 1789, o governador da capitania de São Paulo determina que toda e qualquer exportação só poderia ser realizada pelo Porto de Santos, o que provocou uma grande decadência na região. Esse contexto de crise só foi resolvido após 1808 com a chegada da família real e com a abertura dos portos. No entanto, as sucessivas crises econômicas do Brasil – em parte decorrentes da crise do café – levaram a um grave marasmo econômico na região.
Todavia, com a construção da rodovia dos Tamoios (SP-099) na década de 1950, conectando a região costeira com o planalto, os municípios passaram a experimentar uma nova etapa de dinamismo e desenvolvimento ao se tornarem destinos turísticos muito populares, especialmente para a classe média paulistana e do interior do Estado.
O crescimento demográfico observado ao longo das décadas seguintes foi significativamente impulsionado pela indústria imobiliária e pela atividade turística predatória e desordenada, o que acarretou mudanças ambientais marcantes e geradoras de grande impacto socioambiental na região.
Hoje, uma nova etapa do desenvolvimento econômico se instala no local, relacionada principalmente com a exploração das reservas de petróleo e gás natural conhecidas como Pré-Sal, que poderá aumentar significativamente o risco de acidentes e enchentes, em função de uma mudança expressiva no cenário atual, com aumento populacional, carros de passeio e de transporte de cargas. Ao mesmo tempo em que se constata a precariedade da rede de serviços de saúde incluindo os serviços de emergência hospitalar, que não estão preparados para atender a demanda resultante da expansão urbana que já se encontra em curso (HOGAN et al., 2008).
O município de Caraguatatuba, localizado a 186 km da capital paulista possui 29 km de orla formada por 17 praias bastante procuradas para atividades de lazer e turismo, é talvez o mais impactado dos municípios da região em função da etapa contemporânea de desenvolvimento relacionado com a exploração das reservas do Pré-Sal. Sua densidade demográfica já é de 183,52 hab./km², mas tende a observar um aumento significativo neste número em função das novas atividades econômicas (HOGAN et al., 2008; BARBOSA, 2007; RENK, 2010; FREIRE DE MELLO, 2012).
Para evidenciar a vulnerabilidade da região vale destacar que, em março de 1967, ocorreu um importante evento climático que ficou conhecido como ''A Catástrofe'', resultante de uma sequência de deslizamentos na Serra do Mar, decorrentes, por sua vez, de uma anomalia positiva de precipitação na região no período e que provocou, segundo registros da época, a morte de 436 pessoas, além de severos danos à infraestrutura e à economia locais. Da população local residente no município na época, 33 % perdeu suas casas em função dos deslizamentos. Na área que hoje abriga o Parque Estadual da Serra do Mar, ocorreram inúmeros desabamentos provocando um lençol de lama que, em apenas dez minutos cobriu a cidade (CRUZ, 1979; CASTRO et al., 2012).

Considerações Finais
De uns anos pra cá, os brasileiros têm assistido constantemente a uma série de desastres naturais, cataclismos associados, normalmente, às intensas chuvas que provocam o deslizamento do solo, o soterramento de pessoas e propriedades, assim como a destruição da infraestrutura e a interrupção das atividades econômicas.
No entanto, pode-se afirmar que as regiões ameaçadas possuem uma dinâmica natural própria e bastante característica que compõe um quadro de elevada vulnerabilidade ambiental e expõe a população a um complexo quadro de riscos socioambientais, que tende a se agravar. A área do Parque Estadual da Serra do Mar, por exemplo, tem sido um centro de uma série de investimentos em infraestrutura relacionada à exploração dos recursos de petróleo e gás natural da chamada camada do Pré-Sal, como o Projeto Mexilhão da Petrobras, e infraestrutura urbana como Anel Viário Caraguatatuba – São Sebastião, o Aterro Sanitário Regional e o Centro de Detenção Provisória, todos localizados na fronteira entre os municípios de Caraguatatuba e São Sebastião (HOGAN et al., 2008; RENK, 2010; SEIXAS; RENK, 2010).
Toda a forma como a mídia e a própria sociedade brasileira vêm entendendo e representando o Pré-Sal remete ao antigo mito do Éden materializado em terras brasileiras que acompanha a história do País desde seu início. Todavia, a realidade tem mostrado ser bem mais dura do que a fantasiada no passado e inserida na cultura nacional. O mito da natureza edênica, da flora, fauna, rios e florestas, deu vazão às frustrações de nossos sonhos, destruídos pela ação predadora dos colonizadores, ajudados pelos próprios brasileiros.
Imaginamos que uma crítica e um sistemático e decorrente desmanche deste mito pode ajudar a sociedade brasileira a superar este entrave psicológico e cultural que enviesa sua percepção e, consequentemente, sua relação com o ambiente. Uma nova lógica orientada e melhor sintonizada com a realidade contemporânea, leva em conta todas as questões relacionadas com as vulnerabilidades socioambientais a que a população e as instituições se encontram, principalmente em função das intensas e significativas mudanças ambientais globais. É com este processo que o presente trabalho pretende contribuir.

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A influência da utilização das sacolas compostáveis no comportamento do consumidor de Belo Horizonte




RESUMO
A substituição de sacolas de plástico convencional por sacolas compostáveis tem sido um tema relevante em termos de debate, tanto para a sociedade, de forma geral, como especificamente para a academia. Pioneira na iniciativa, a cidade de Belo Horizonte sancionou a Lei que dispõe da substituição das sacolas de plástico convencional pelas compostáveis. Assim, o objetivo deste estudo é identificar a influência que a utilização das sacolas compostáveis trouxe ao comportamento do consumidor belo-horizontino. Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa de campo quantitativa, tendo como instrumento de coleta de dados o questionário, que foi aplicado através de uma survey eletrônica. Como resultado, verificou-se que o uso de sacolas de plástico convencionais traz uma crescente preocupação por parte dos consumidores com relação aos problemas ambientais causados por esse produto. Também foi constatada uma maior conscientização com relação ao uso dessas novas sacolas e o reconhecimento da importância dos produtos verdes, os quais estão ganhando espaço no mercado e na vida do consumidor.
Palavras-chave: Sacolas plásticas; Marketing verde; Comportamento do consumidor.

RESUMEN
La sustitución de las bolsas de plástico convencionales para bolsas compostables han sido un tema importante del debate, para la sociedad y para la ciencia. Pionero en la iniciativa, la ciudad de Belo Horizonte ha firmado la legislación que la sustitución de bolsas de plástico convencionales por las compostables, siendo este el tema de esta investigación que busca identificar la influencia que el uso de bolsas compostables en lo comportamiento de los consumidores de Belo Horizonte. Para esto, ha sido desarrollado un trabajo cuantitativo, con el cuestionario de datos de instrumento de recolección. Como resultado, se encontró que el uso de bolsas de plástico convencionales proporciona una preocupación creciente entre los consumidores en relación con los problemas ambientales causados por estos productos. También se observó una toma de conciencia sobre el uso de bolsas y más importancia a los productos ecológicos, que están ganando cuota de mercado y el consumidor.
Palabra clave: Las bolsas de plástico; Marketing verde; El comportamiento del consumidor.



Introdução
A utilização das sacolas plásticas em varejos tem sido discutida em diversos países, incluindo o Brasil, sendo objeto de projetos de lei que visam a regulamentação deste uso. Atribui-se tal fato à conscientização ecológica acerca dos impactos negativos que este tipo de sacola pode provocar no meio ambiente.
A cada mês um bilhão de sacos plásticos são distribuídos pelos supermercados brasileiros aos consumidores. De acordo com a Associação Brasileira dos Supermercados (ABRAS, 2012), 80% das sacolas plásticas são utilizadas apenas uma vez e depois descartadas, tendo como principal função quando reutilizadas, armazenar lixo doméstico. Todavia, nota-se que o comportamento do consumidor vem se modificando ao mesmo tempo que emerge o debate sobre o assunto, podendo, inclusive, influenciar o processo de decisão de compra sobre qual produto ou varejo escolher. Nesse sentido, torna-se relevante destacar que para Blackwell, Miniard e Engel (2011) o comportamento de compra é influenciado por fatores culturais (cultura, subcultura, classe social); sociais (grupos de referência, família, papéis e posições sociais); pessoais (idade, ocupação, condições econômica, estilo de vida e personalidade); e psicológicos (motivação, percepção, aprendizagem, crenças e atitudes). Nesse contexto, as organizações têm sido desafiadas a desenvolverem novas estratégias competitivas que considerem as mudanças que influenciam os consumidores, sejam elas de cunho pessoal, psicológico ou cultural, incluindo, nesse contexto, a conscientização sobre a importância da preservação ambiental.
Nesse contexto, faz-se pertinente discutir o marketing verde, que tem como principal objetivo sensibilizar as pessoas e organizações para as questões ambientais, associando estratégias mercadológicas a tal fator. O marketing ambiental - ou marketing verde - consiste em todas as atividades desenvolvidas para gerar e facilitar trocas com a intenção de satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores, desde que essa satisfação ocorra com o mínimo de impactos negativos no meio ambiente (2020SUSTENTÁVEL, 2012).
Considerando esse preâmbulo, e diante do pioneirismo da cidade de Belo Horizonte em sancionar uma Lei que dispõe da substituição das sacolas de plástico pelas sacolas compostáveis, o presente trabalho busca responder a seguinte pergunta: qual a influência da utilização das sacolas compostáveis no comportamento de compra do consumidor na cidade de Belo Horizonte, MG?
De forma mais específica, pretende-se: (i) identificar a influência da utilização das sacolas compostáveis na decisão de compra desse consumidor; (ii) verificar se o consumidor belo-horizontino aprova a Lei Municipal 9529/2008, que dispõe sobre a substituição das sacolas de plástico pelas compostáveis; e (iii) verificar se os consumidores da cidade estão dispostos a mudarem seus comportamentos de compra para diminuir impactos negativos no meio ambiente

Referencial teórico
Comportamento do consumidor
Considera-se que o marketing está presente na vida das pessoas, seja direta ou indiretamente, buscando oferecer alternativas para satisfazer as necessidades desses indivíduos por meio da oferta de bens e serviços. Marketing é a área do conhecimento que engloba todas as atividades concernentes às relações de troca comercial, orientada para a satisfação dos desejos e necessidades dos consumidores, visando alcançar determinados objetivos de organizações ou indivíduos, considerando o meio ambiente de atuação e o impacto que esta relação causa no bem estar da sociedade (ETZEL et al., 2001).
Para Kotler (1998, p. 27), o "marketing é um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros". Dessa forma, segundo o autor, o marketing tende a exercer um papel importante no dia a dia do consumidor, participando ativamente do seu cotidiano, uma vez que os profissionais dessa área buscam identificar seu comportamento e satisfazer suas necessidades e desejos.
À medida que o indivíduo torna-se mais informado e consciente, ele tende a ser um consumidor mais exigente. Para lançar no mercado produtos que atendam os objetivos de marketing, faz-se necessário o entendimento da forma e a razão pelas quais os consumidores realizam suas compras. Segundo Solomon (2002, p. 25) o comportamento do consumidor abrange "o estudo dos processos envolvidos quando indivíduos ou grupos selecionam, compram, usam ou dispõem de produtos, serviços e ideais ou experiências para satisfazer necessidades e desejos". Blackwell, Miniard e Engel (2011) complementam a explicação argumentando que as variáveis que moldam o comportamento de compra podem ser dividas em três categorias: (a) diferenças individuais; (b) influências ambientais; e (c) processos psicológicos.
As diferenças individuais, segundo os autores, podem ser categorizadas em: conhecimentos, atitudes, recursos do consumidor, motivação, personalidade, valores e estilo de vida dos indivíduos. As influências ambientais estão fundamentadas pela cultura, classe social, influência pessoal, família e situações em que estão inseridos os consumidores. Por sua vez, os processos psicológicos estão relacionados com o processamento de informações do indivíduo, a sua aprendizagem e as mudanças de atitudes e comportamento.
Kotler (1998) afirma que o comportamento de compra é influenciado por quatro tipos de fatores: (a) culturais; (b) sociais; (c) pessoais; e (d) psicológicos. O autor destaca que os fatores culturais exercem uma forte influência sobre esse tipo de comportamento. Nesse sentido, a cultura é considerada o principal determinante do comportamento e dos desejos das pessoas. Outro fator importante é a subcultura dos consumidores, que se divide em grupos menores com identidade e tendências diferentes, seja na alimentação, vestuário e forma de percepção, podendo, inclusive, ser responsável pelo surgimento de segmentos ou nichos de mercado.
A classe social que o consumidor está inserido também contribui para determinar o seu comportamento. Kotler (1998) aponta como exemplo desse impacto comportamental as diferenças em termos de vestuários, conversação, atividades de lazer, entre outras, originadas de acordo com a classe social do consumidor.
Contudo, para melhor compreender o consumidor, acredita-se ser importante analisar além das influências no comportamento de compra e entender como os consumidores realmente tomam suas decisões. Sheth, Mittal e Newman (2001) abordam cinco etapas quanto ao processo de decisão de compra do consumidor: (i) reconhecimento do problema; (ii) busca de informações; (iii) avaliação das alternativas; (iv) compra; e (v) experiência pós-compra.
O reconhecimento do problema, primeiro estágio do processo de decisão de compra, corresponde ao momento em que o consumidor reconhece a existência de uma necessidade que deve, ou pode, ser solucionada por uma compra. O segundo estágio - busca das informações - é definido por Karsaklian (2004, p. 181) como "análise das informações estocada na memória, as quais serão completadas, se necessário por uma pesquisa externa", com o objetivo de encontrar soluções para o problema reconhecido anteriormente. Na etapa correspondente à avaliação das alternativas o consumidor compara as possíveis opções de soluções e escolhe a que melhor, em sua opinião, atenda às suas necessidades de compra. Para Kotler (2000, p. 198) "existem diversos processos de avaliação de decisões, e os modelos mais atuais tratam o processo como sendo cognitivamente orientado. Isto é, consideram que o consumidor forma julgamentos em uma base racional".
A decisão de compra, quarta e penúltima etapa do processo, é definida por Sheth, Mittal e Newman (2001) como o ato do consumidor efetivamente adquirir o produto ou serviço correspondente à alternativa preferida, ou de uma substituta aceitável. Por fim, tem-se a última etapa, que ocorre após a efetivação do consumo. Esse processo de pós-compra pode ser determinante de uma possível recompra. Nesse momento, após a compra, o consumidor avalia a aquisição feita, e a partir dessa avaliação formará sua percepção de satisfação acerca do produto ou serviço adquirido. Caso ele tenha ficado satisfeito com a escolha, existe uma probabilidade de no momento que surgir outra necessidade semelhante o consumidor tender a seguir a mesma escolha que o satisfez. Contudo, caso tenha ficado insatisfeito com a escolha, dificilmente optará pela mesma aquisição no futuro (KARSAKLIAN, 2004; KOTLER, 2000).
Marketing verde
Desde a última década do século XX um dos mercados que tem apresentado maior potencial é o de produtos considerados ecológicos, devido, especialmente, a crescente importância que o tema 'conscientização ambiental' tem despertado na sociedade. Segundo Butzke et al. (2001 apud BERTOLINI, POSSAMAI, 2006, p. 19) "a consciência ambiental é um conjunto de conceitos adquiridos pelas pessoas mediante as informações percebidas, o que influência e determina o comportamento ambiental".
A conscientização das pessoas quanto aos problemas ambientais tem acarretado mudanças em seus comportamentos, fazendo com que elas prefiram produtos que melhor tratem do ambiente - produtos ecologicamente corretos. Para Waldman e Schneider (2000), produtos ecológicos são os que não causam impactos no meio ambiente - produzem pouca ou nenhuma poluição ou são originários da reciclagem.
De acordo com Polonsky (1994), a organização que opta pelo marketing verde desenvolve um conjunto de atividades buscando oferecer produtos e/ou serviços que, além de atender às necessidades dos consumidores, causem pouco ou nenhum impacto ao meio ambiente. Félix (2004) reforça essa ideia, explicando que muitas organizações vêm buscando incluir em seus planejamentos produtos que minimizem impactos ambientais negativos.
Para Calzada (1998), o consumidor ecologicamente correto é ambientalmente bem informado e sabe o que deseja. Este tipo de consumidor, de acordo com Portilho (2005), não consome menos, mas diferente, contribuindo para: o aprimoramento de um mercado consumidor verde, a reciclagem, o uso de tecnologias limpas e a redução de desperdícios. Nesse contexto, o marketing verde apresenta como principal objetivo sensibilizar as pessoas e organizações para as questões ambientais, associando estratégias mercadológicas a tal fator.
Roberts (1996) corrobora com esse pensamento, ao afirmar que os consumidores que valorizam a consciência ecológica buscam adquirir, preferencialmente, produtos e serviços que não agridam o meio ambiente ou, no máximo, que gerem menos impactos negativos do que os seus concorrentes.
De acordo com Bertolini e Possamai (2006), diferentes organizações vêm investindo em programas ambientais e desenvolvendo produtos ecologicamente corretos, tais como Natura, Michelin, IBM, Xerox, entre outras, sendo algumas certificadas com o ISO 14001. Os autores consideram que a questão ambiental entrou na pauta das decisões corporativas, e para comprovarem esse fato apontam que o número de organizações com certificações relacionadas ao bom comportamento ambiental cresceu mais de 400% no período entre 2001 e 2004.
O Marketing verde ou ambiental surge como ferramenta de apoio e monitoramento, desde o processo de desenvolvimento, produção e entrega, até o descarte do produto, visando atender as necessidades e os desejos dos consumidores e apresentando aos seus vários públicos a busca pelo lucro com responsabilidade ambiental (MAIA, VIEIRA, 2004, p. 23).
Desta maneira, a preocupação com o meio ambiente pode ser considerada uma fonte de diferenciação competitiva que deve ser avaliada pelas organizações. Para Donaire (1999), a rentabilidade e a lucratividade das organizações são significativamente influenciadas pela capacidade de interagir com as mudanças políticas e sociais ocorridas, pois uma parte dos recursos financeiros e, até mesmo a imagem institucional da organização, podem ficar comprometidos se esse aspecto não for contemplado. Nesse sentido, para o autor, o marketing verde busca atender os desejos e expectativas dos consumidores que agem motivados por necessidades ambientais, demonstrando mudanças quanto aos valores socioambientais e criando estratégias que visam atender tais demandas.
Sacolas plásticas e o consumo
As sacolas plásticas convencionais, também conhecidas como oxidegradáveis, utilizadas para carregar as compras nos supermercados surgiram a partir dos anos 1950, nos Estados Unidos, chegando ao Brasil na década de 1980, sendo que antes desse período utilizavam-se sacos de papel para a mesma finalidade (AMIS, 2011).
As sacolas de plástico convencional são amplamente utilizadas pelo comércio em grande parte do Brasil. Esse tipo de produto é produzido a partir de polietileno, substância derivada do petróleo com aditivos oxidantes, levando em torno de quatrocentos anos para se desfazer no solo (PORTALPBH, 2011).
Esses aditivos possuem em suas formulações componentes químicos que podem ser prejudiciais ao meio ambiente. Ademais, o seu uso pode catalisar e/ou potencializar outros danos ambientais, como: os pequenos fragmentos de plástico, oriundos do processo de degradação desse tipo de sacola, são facilmente carregados pelo ar para outros lugares como rios, lagos, mares, avenidas, plantações e florestas, dentre outros, podendo causar desde o entupimento de encanamentos e sistemas de escoamento fluviais até a morte de animais, devido ao engasgamento ao se alimentarem desses fragmentos dispersos pelo ambiente (ACMINAS, 2011).
De acordo com a AMIS (2011), a utilização do petróleo para a manufatura de produtos acarreta severos problemas ambientais. O descarte desse tipo de produto normalmente é realizado de forma incorreta, podendo provocar, além dos efeitos já citados, a contaminação do solo e dificultar a compactação de aterros sanitários.
Dados do setor varejista indicam que o consumo de sacolas plásticas per capita é de sessenta e três unidades por habitante/ano no Brasil, chegando à marca de doze bilhões de unidades por ano. Somente em Belo Horizonte, chegou-se a marca anual de cento e cinquenta e sete milhões de sacolas plásticas distribuídas nos diversos tipos de varejos da cidade (AMIS, 2011).
A legislação brasileira, de forma geral, não apresenta medidas para inibir algumas atividades que afetam negativamente o ambiente. Todavia, avanços consideráveis têm emergido. De acordo com o PORTALPBH (2011), a capital mineira é pioneira em restringir o uso das sacolas plásticas, por meio da Lei nº. 9529, regulamentada em 27 de fevereiro de 2008, que dispõe sobre a substituição das sacolas plásticas por sacolas ecológicas.
Ainda de acordo com o PORTALPBH (2011), para estimular a mudança de comportamento do consumidor em relação à Lei, a prefeitura orienta a população sobre as melhores alternativas para a substituição das sacolas plásticas, sugerindo o uso de: carrinhos tipo feira, caixas de papelão, sacolas recicladas, sacolas retornáveis e, ainda, as sacolas compostáveis, que se assemelham com as de plástico, porém são fabricadas com material orgânico, que afetam menos o meio ambiente em comparação às sacolas de plástico, principalmente devido ao seu rápido processo de decomposição.
Conforme citado anteriormente, a sacola compostável, ou biodegradável, é produzida com matéria orgânica, geralmente o amido de milho, de fácil decomposição. Ela se degrada em até cento e oitenta dias devido a ação de microorganismos presentes em ambientes de compostagem e de aterros sanitários. Além disso, a sua transformação em composto orgânico permite que seja utilizada como húmus na adubação (ACMINAS, 2011).
As sacolas compostáveis normalmente são vendidas no comércio varejista. A cobrança tem como objetivo desestimular o uso de sacolas descartáveis, mesmo as compostáveis, buscando incentivar a utilização das sacolas retornáveis, que apresentam vida longa, por não serem descartadas no ambiente em curto prazo. Produzida com materiais variados, como TNT, tecido, palha, entre outros, é uma das melhores opções para evitar descarte.
Portanto, o objetivo da referida Lei em vigor é que o consumidor belo-horizontino compreenda a necessidade e os benefícios para a sociedade de se diminuir o uso de sacolas plásticas, principalmente, devido ao descarte inadequado desse tipo de produto, buscando assim uma mudança de comportamento em relação à utilização das sacolas para carregar compras (ACMINAS, 2011).
Experiências de restrição do uso de sacolas plásticas
Segundo a Associação Comercial de Minas (ACMINAS, 2011), alguns países e cidades também implantaram leis ou ações que inibem a utilização de sacolas plásticas (polietileno) como:
  • Irlanda - foi o primeiro país a agir contra o consumo descontrolado das sacolas, e desde 2002 cobra uma taxa por cada saco distribuído.
  • Alemanha e Dinamarca - as sacolas compostáveis são vendidas ao consumidor em todos os supermercados e é habitual o uso das retornáveis ou caixas de papelão.
  • África do sul - uma Lei de 2003 tornou ilegal o uso de sacos com menos de trinta micrometros, como forma de torná-los mais caros e estimular a reutilização.
  • Bangladesh - enchentes com vitimas causadas pelo excesso de sacos plásticos levaram o governo a proibir a fabricação, venda e posse de sacos de polietileno em 2007, implicando pesadas multas e até prisão dos reincidentes. A medida gerou oportunidades de negócio para as crianças de rua, que passaram a ter uma renda vendendo sacos artesanais de papel.
  • China - as sacolas plásticas são cobradas nos supermercados, sendo proibida a sua distribuição gratuita desde 2008. Antes desta ação cerca de sessenta bilhões de sacos eram consumidos no país.
  • Japão - as sacolas de polietileno são vendidas e, em algumas cidades, são proibidas de serem utilizadas como sacos de lixo, tornando-se obrigatório a reutilização ou o descarte para reciclagem.
  • Ruanda - proibiu o uso e distribuição de sacolas plásticas em 2005.
  • São Francisco - foi a primeira cidade estadunidense, em 2007, a proibir as sacolas plásticas nas farmácias e supermercados.
Em todas essas localidades ocorreu uma diminuição acentuada do uso de sacolas de plástico, sendo que a principal opção adotada por essas populações foi o uso de sacolas retornáveis. Dessa forma, pode-se considerar que as regulamentações alcançaram os seus objetivos.
A partir destas informações pode-se perceber a repercussão do tema e a importância da questão da substituição das sacolas plásticas por sacolas ecológicas, além da relevância de realizarem-se estudos sobre assuntos pertinentes à utilização ou resistência ao uso das sacolas ecológicas, considerando, especificamente, a cidade de Belo Horizonte, devido à nova legislação que proíbe a distribuição de sacolas plásticas no comércio a partir de 2008.

Aspectos metodológicos
Neste estudo, empreendeu-se uma pesquisa quantitativa com paradigmas positivistas conforme orientam Collis e Hussey (2005). Este tipo de paradigma considera que a realidade é objetiva e singular, o pesquisador não interfere no que está sendo analisado, o estudo busca a imparcialidade e a precisão por meio de validade e confiabilidade.
Com relação à abordagem, a pesquisa se classifica como descritiva, pois "analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los. Procura descobrir, com a maior precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros" (CERVO, BERVIAN, DA SILVA, 2007, p. 61).
De acordo com Gil (1991), as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. Para o mesmo autor, esse tipo de pesquisa, junto com as de caráter exploratório, são as principais opções metodológicas adotadas pelos pesquisadores sociais que desejam analisar um fenômeno na prática. Nesse sentido, destaca-se que este estudo também contém características de abordagem explicativa, pois busca "identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência de fenômenos" (GIL, 1999, p. 44).
Quanto aos meios, a pesquisa se caracteriza como um estudo de campo, que segundo Ruiz (1996, p. 50) "consiste na observação dos fatos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes para posteriores análises". Destaca-se ainda que a
pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou relações entre eles. (MARCONI, LAKATOS, 2003, p. 186).
Assim, elaborou-se um questionário que, segundo Lakatos e Marconi (2001, p. 201), "é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que podem ser respondidas sem a presença do entrevistador". Esse instrumento de coleta de dados foi composto por dez questões de múltipla escolha, abordando especificamente pontos referentes ao uso de sacolas plásticas e compostáveis, além da nova legislação que proibia a distribuição dos sacos plásticos.
Para a coleta dos dados, utilizou-se uma survey, definida por Collis e Hussey (2005, p. 70) como uma metodologia "na qual uma amostra de sujeitos é retirada de uma população e estudada para se fazerem inferências sobre esta população". Optou-se por permitir ao próprio entrevistado responder o questionário pela internet, caracterizando, assim, uma survey eletrônica (HAIR JR. et al., 2005).
O questionário passou, primeiramente, pela análise de três pesquisadores da área de ciências sociais aplicadas, sendo aprovado pelos mesmos. De acordo com Hair Jr. et al. (2005) e Malhotra (2001), após a análise dos especialistas sugere-se que o questionário passe por um pré-teste com uma pequena amostra. Esse teste foi realizado, não sendo apontadas falhas ou sugestões de aprimoramento do instrumento de coleta de dados. Assim, o questionário foi disponibilizado na internet pelo sistema SurveyMonkey®, serviço que oferta base tecnológica para questionários online.
Os dados para este estudo foram coletados em um único período de tempo específico, de março a abril de 2012, sendo sintetizados estatisticamente, o que possibilita entender o fenômeno naquele determinado momento (HAIR JR. et al., 2005).
A amostra utilizada neste estudo foi do tipo não probabilística, considerada por Hair Jr. et al. (2005) como a seleção de elementos sem necessariamente o objetivo de serem estatisticamente representativos da população. Assim, nem todos os indivíduos da população possuem a mesma chance de serem selecionados para a amostra. Dessa forma, o pesquisador não deve generalizar as descobertas para a população-alvo.
Nesse sentido, optou-se pela amostragem por conveniência, que ocorre quando se utilizam elementos da amostra que podem oferecer as informações necessárias e que estejam mais disponíveis para participar do estudo. Ademais, também se utilizou amostragem por afloramento, pois a pesquisa foi divulgada em redes sociais e por correio eletrônico, sendo solicitados aos respondentes que repassassem a pesquisa para os seus conhecidos (COLLIS, HUSSEY, 2005).
No total, obteve-se duzentas e setenta e cinco respostas para o estudo. Para proceder às análises estatísticas necessárias utilizaram-se os softwares SPSS® (Statistical Package for the Social Sciences), na versão 18.0, e o Excel 2010.

Apresentação e análise dos resultados
Foram coletadas duzentos e setenta e cinco respostas, sendo que trinta e quatro delas foram ignoradas por se tratarem de pessoas que desconheciam a Lei Municipal 9529/2008, de Belo Horizonte, que dispõe sobre a substituição das sacolas plásticas convencionais por compostáveis. Assim, foram duzentas e quarenta e uma as respostas válidas para esta pesquisa, sendo seus respondentes consumidores de diversas regiões da capital mineira.
O perfil destes respondentes é caracterizado por:
  • 71,4% pertencem ao sexo feminino.
  • Com relação à faixa etária, 45,6% possuem idade entre 22 e 30 anos; 20,3% entre 31 e 40 anos; 18,7% tem idade até 21 anos; e 15,4% acima de 40 anos.
  • 51% dos entrevistados são solteiros, 44% casados/união estável e 5% são divorciados/separados.
  • Com relação à escolaridade, a maior parte dos respondentes (41,1%) possui ensino superior incompleto; 31,5% possuem ensino médio completo/incompleto; 13,3% superior completo; 5,8% são pós-graduados; 4,6% têm Ensino Fundamental completo/incompleto; e apenas 3,7% possuem mestrado ou doutorado.
  • A análise da renda familiar dos respondentes demonstrou que 61% tem renda familiar de até R$ 3.110,00; 22,4% renda de R$ 3.110.01 a R$ 6.220,00; 14,5% de R$ 6.220,01 a R$ 12.440,01; e 2,1% possuem renda superior a R$ 12.440,01.
  • Com relação ao número de pessoas que residem na mesma residência, 62,2% têm entre 3 a 5 pessoas; 31,1% até 2 pessoas; 5,4% de 5 a 10 indivíduos; e 1,2% de 10 a 20 pessoas.
Referente às questões que trataram da legislação e uso das sacolas compostáveis, inicialmente questionou-se os respondentes sobre a percepção da importância da Lei que proíbe a distribuição de sacolas plásticas nos varejos de Belo Horizonte. A Figura 1 apresenta os resultados desse questionamento.
Os resultados demonstram que a maioria dos entrevistados (86,4%) considera a Lei muito importante ou importante. Dessa forma, é possível inferir que os consumidores de Belo Horizonte aprovaram a Lei Municipal que dispõe sobre a substituição das sacolas plásticas convencionais por sacolas compostáveis. Ademais, destaca-se que apenas 4,1% dos entrevistados consideraram a Lei sem importância.
Os participantes da pesquisa também responderam quais os tipos de sacolas, ou outros meios, eles utilizam com maior frequência para carregar os produtos que compram nos varejos de Belo Horizonte (Figura 2).
Os resultados deste questionamento corroboram a questão anteriormente abordada, a qual apontava uma aceitação da amostra com relação à nova legislação, uma vez que os respondentes efetivamente buscaram novas formas para carregar os produtos que adquirem nos varejos belo-horizontinos. Ademais, se destaca o fato de quase 74% dos entrevistados buscaram alternativas distintas das sacolas compostáveis, que também são normalmente descartadas após o seu uso. A maioria dos respondentes optou por sacolas retornáveis, sendo essa considerada a melhor opção, em termos ambientais, para o transporte de produtos, uma vez que esse tipo de material, normalmente, apresenta longa vida útil sendo reutilizado por diversas vezes.
Outra questão presente na pesquisa dizia respeito deão novo comportamento influenciado pela nova legislação. Nesse sentido, notou-se que os consumidores entrevistados mudaram de postura com relação ao transporte das suas compras, sendo apresentadas na Tabela 1 as principais influências que essa nova realidade teve nas escolhas dos consumidores entrevistados.
Novamente, nota-se que a principal mudança no comportamento dos entrevistados está relacionada à utilização de sacolas retornáveis (pano, TNT, recicladas e palhas), sendo que anteriormente a nova legislação, esse não era um hábito comum dos respondentes. Todavia, emergem outras questões antes não consideradas, como a compra de quantidades menores de produtos, influenciando em mais visitas aos varejos, a opção por realizar as compras utilizando veículos e a exigência de que os varejos ofereçam sacolas compostáveis de forma gratuita para continuarem a comprar nesses estabelecimentos.
De acordo com ACMINAS (2011), a cobrança das sacolas compostáveis tem por objetivo que o consumidor adote práticas ecologicamente corretas, optando em utilizar sacolas retornáveis, que além de não serem descartáveis apresentam longa vida de uso, ou mesmo que utilizem alternativas que causem menos impacto ao meio ambiente, como: reutilização de caixas de papelão, o uso de carrinho de transporte, entre outros. Contudo, destaca-se que essa prática, venda de sacolas, pode também ser encarada como uma nova oportunidade de lucro para essas organizações.
Ademais, também foi questionado se os entrevistados consideram que a proibição da distribuição de sacolas plásticas convencionais contribuiu para que eles dessem maior importância aos produtos ecologicamente responsáveis. Nesse aspecto, 58,5% dos entrevistados afirmaram que passaram a dar mais importância aos produtos considerados verdes e que buscariam ter hábitos de consumo que não prejudiquem o meio ambiente.
Além disso, se questionou se os respondentes acreditavam que a proibição da distribuição de sacolas plásticas nos varejos belo-horizontinos faria com que as pessoas tivessem mais atitudes ambientalmente responsáveis. Os resultados desse questionamento, diferentemente da questão anteriormente abordada, mostrou que a maioria dos entrevistados (56%) acredita que a nova Lei não influenciará mudanças nos hábitos dos demais consumidores. Dessa forma, verifica-se que, considerando-se a opinião dos respondentes, além da criação de leis, é necessário promover políticas públicas mais amplas nesse sentido e utilizar outras formas de disseminação da conscientização ambiental para os moradores da cidade.
Também foi examinado se os entrevistados dariam preferência, em uma situação hipotética, a um supermercado que não utilizasse sacolas convencionais devido ao impacto negativo desse produto no meio ambiente, mesmo que não existisse a Lei que proíbe esse tipo de produto em Belo Horizonte. Os resultados apontam que a maioria dos consumidores (58%) não preferiria esse estabelecimento comercial, enquanto que 42% optariam por comprar nele.
Contudo, ao se considerar a importância que os entrevistados atribuem aos problemas ambientais, nota-se que a maioria (74,7%) afirma que essa questão é muito relevante. Ademais, 23,2% dos respondentes afirmaram atribuir um grau médio de importância com relação aos problemas ambientais, conforme apresentado na Figura 3.
Ainda considerando-se a percepção dos entrevistados acerca das questões ambientais, eles foram questionados a respeito de qual seria o principal problema ambiental na atualidade. Do total de entrevistados, 32,0% acreditam que o principal problema ambiental que afeta o planeta é o aquecimento global; 23,2% a poluição da água; 21,2% o desmatamento; e 17,4% o consumo excessivo.
Por fim, procurou-se identificar se o consumidor está disposto a diminuir o consumo de sacolas plásticas convencionais, tendo como objetivo proteger o meio ambiente. Os resultados foram contundentes, uma vez que a grande maioria dos entrevistados (90,5%) afirmou que sim, ou seja, estavam dispostos a diminuir o consumo de sacos plásticos para evitar prejuízos ao meio ambiente.

Considerações Finais
Considera-se que os resultados da pesquisa atenderam os objetivos propostos neste estudo, uma vez que apresentaram informações que podem contribuir para o entendimento do comportamento do consumidor de Belo Horizonte em relação aos problemas ambientais, tendo analisado, principalmente, a promulgação da Lei das sacolas compostáveis, que visa estabelecer um padrão de consumo que cause menos impactos ao meio ambiente no concernente ao uso de sacolas plásticas descartáveis.
Os resultados da pesquisa apontam que o consumidor belo-horizontino tem se preocupado com as questões ambientais, e que está disposto a mudar seu comportamento mediante a Lei que dispõe sobre a substituição das sacolas plásticas convencionais pelas sacolas compostáveis. Para tanto, esses consumidores têm se utilizado de meios alternativos, como: sacolas retornáveis, sacolas compostáveis, caixas de papelão, entre outros.
Nesse sentido, destaca-se que 86,4% dos entrevistados consultados afirmaram considerar a Lei muito importante ou importante. Esse comportamento pode ter sido influenciado pela maior divulgação de informações relacionadas aos impactos ambientais que determinados tipos de produtos podem causar. De certa forma, esse resultado corrobora o estudo de Cuperschmid e Tavares (2001), que constatou que os consumidores tendem a ser mais preocupados sobre as questões ambientais quando estas os afetam pessoalmente.
Ademais, os resultados confirmam o objetivo da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (2012), que como justificativa para a Lei das sacolas compostáveis afirmou que o consumidor da capital tem atribuído importância significativa aos problemas ambientais. Destaca-se ainda que para a maioria dos respondentes a nova Lei apresenta melhorias para o meio ambiente.
Também foi possível constatar que, após a promulgação da Lei das sacolas compostáveis, os entrevistados passaram a avaliar mais significativamente a importância dos produtos verdes e começaram a ter comportamentos que causam menos impactos negativos no meio ambiente. Assim, se conclui que a nova Lei alcançou um dos seus objetivos, que era influenciar os consumidores a refletirem sobre a importância de adquirirem produtos e terem comportamentos que causem menos danos ao meio ambiente.
Nesse sentido, destaca-se que, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2012), são vários os problemas ambientais que afetam o planeta, porém alguns são mais alarmantes, como: aquecimento global, desmatamento, extinção de espécies, diminuição de recursos hídricos, consumo excessivo e descarte do lixo. A maioria desses problemas foi citada pelos entrevistados como fatores de preocupação ambiental, sugerindo que os mesmos conhecem o tema.
Contudo, o fato da maioria dos entrevistados afirmarem que não comprariam em varejos que não disponibilizassem sacolas plásticas, caso as mesmas ainda fossem permitidas, sugere que, apesar de influenciar o comportamento do consumidor, as questões ambientais aparentam não representar um atributo decisivo no processo decisório desses consumidores. Ou seja, apesar de terem consciência sobre o problema, como apresentado anteriormente, as atitudes dos consumidores não necessariamente refletem esse conhecimento.
Conforme exposto neste trabalho, o consumo verde está em ascensão, e sua importância cada vez mais ganha espaço nas organizações que buscam desenvolver produtos e serviços para atender as necessidades desses consumidores. Apesar disso, eles ainda não são a maioria no mercado consumidor.
Esse resultado, aponta que os consumidores que valorizam os produtos que apresentam preocupações com o meio ambiente, são minoria e contraria os achados de Gonzaga (2005), que considera que produtos concebidos com preocupações ecológicas permitem agregação de valor para a marca, melhorando a imagem dos produtos e da organização. Dessa forma, acredita-se que se faz necessário a realização de campanhas publicitárias em meios de comunicação de massa objetivando discutir o papel do consumidor na preservação ambiental, apontando a importância dos atos individuais para o benefício do meio ambiente.
Outro resultado importante é que a maioria dos consumidores afirmou que mudaram seus hábitos de consumo devido à nova Lei, sendo que os mesmos optaram por outras opções distintas das sacolas plásticas convencionais para carregarem suas compras. A maioria dos respondentes afirmou que passou a dar maior importância aos produtos considerados verdes após o advento da Lei das sacolas compostáveis, sendo que eles consideram que a nova Lei apresenta melhorias para o meio ambiente. Esses resultados reforçam a importância de iniciativas relacionadas à legislação na busca de incentivar o consumo sustentável, que não afete o meio ambiente.
Assim, verificou-se que a percepção do consumidor com relação aos problemas ambientais refletiu, nesse caso específico, nas práticas de utilização das sacolas plásticas, o que pode ser confirmado com os dados da AMIS (2012), que afirma que após a promulgação da Lei, o meio ambiente deixou de receber cento e sessenta e cinco milhões de sacolas plásticas convencionais na capital de Minas Gerais.
Respondendo aos objetivos específicos do estudo, verificou-se que os consumidores de Belo Horizonte estão dispostos a alterar seus hábitos de consumo, uma vez que mais de 90% afirmaram que pretendem diminuir o consumo de sacolas plásticas convencionais em prol do meio ambiente.
Um fato importante observado no estudo é a deficitária fiscalização da prefeitura em relação ao uso das sacolas convencionais pelos estabelecimentos. De acordo com o PORTALPBH (2012), entre abril e novembro de 2011 foram realizadas três mil trezentas e cinquenta e sete vistorias e emitidas quinhentas e vinte e seis notificações aos estabelecimentos que não fizeram a substituição da sacola plástica convencional pela sacola compostável, sendo que apenas quatro comerciantes foram multados. Apesar de uma razoável aceitação dos consumidores com relação à nova Lei, em termos de administração pública necessita-se um maior engajamento e, consequentemente, fiscalização do poder público com o objetivo de efetivamente cobrar dos comerciantes a aplicação dessa nova legislação.
Ademais, considera-se que esta pesquisa possibilitou contribuições para o estudo do tema abordado apresentando resultados que impactam no conhecimento mais amplo do assunto na academia. Também se pode inferir que os resultados possibilitam ainda às organizações uma melhor compreensão do comportamento dos seus consumidores, viabilizando o desenvolvimento de ações gerenciais que busquem satisfazer as necessidades dos seus consumidores.
Por fim, torna-se relevante destacar a importância de políticas públicas no que se refere ao estabelecimento de legislações e práticas que visem proteger o meio ambiente, evitando a sua degradação. O exemplo estudado nesta pesquisa mostra a relevância de uma nova legislação na mudança, especificamente, do comportamento dos consumidores relacionado a um hábito que pode apresentar influências no meio ambiente. Assim, é importante referenciar a importância do poder público como agente influenciador de práticas ambientalmente responsáveis.
Ressalta-se que o marketing verde não pode ser confundido apenas como uma forma de estabelecimento de valor agregado, tendo como finalidade gerar um posicionamento positivo para a organização que o promove. O objetivo das organizações que adotem o marketing verde deve ser, efetivamente, planejar, produzir e disponibilizar produtos e serviços que gerem o menor impacto possível no meio ambiente, e não utilizar essa ação como forma de se diferenciar na divulgação das suas marcas (POLONSKY, 1994; ROBERTS, 1996).
Como sugestões para estudos futuros acredita-se ser relevante replicar a pesquisa em outras capitais que passaram a proibir o uso de sacolas plásticas, como São Paulo, Aracajú e João Pessoa. Ademais, sugere-se também a realização da pesquisa em cidades onde não existe essa Lei, com o objetivo de comparar o comportamento dos consumidores nesse tipo de situação.

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Digital exclusion and social exclusion: subject for discussion.

Digital exclusion and social exclusion: subject for discussion. Transinformação [online]. 2003, vol.15, n.spe, pp. 91-115. ISSN 0103-3786.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-37862003000500005.
This paper analytically describes and interprets the role performed by the new Information and Communication Technologies in the recent "globalization" process. This evaluation encompasses the complex of world's economy and, in particular, that of Brazil. The project's guiding hypothesis presumes that the new Information and Communication Technologies tend to amplify the social exclusion pattern already existing at the current historical period of the Capitalism. Besides, it assumes that those technologies reproduce, in amplified forms, the asymmetries existing among the countries, which are promoted by the economic globalization process. This study also alerts to the strategic role invested in the access to information, as promoted by the new Information and Communication Technologies, and emphasizes how the digital exclusion develops new forms of social exclusion.
Palavras-chave : digital exclusion; social exclusion; Information and communication technologies.

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